segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Bolsonaro diz que reduzirá maioridade penal se reeleito

O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, afirmou que, se eleito, enviará ao Congresso um projeto para reduzir a maioridade penal. Em entrevista à imprensa na porta do Palácio da Alvorada neste domingo (9) o presidente voltou a afirmar que deixa em aberto a possiblidade de enviar aos parlamentares uma proposta para aumentar o número de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não mandei estudar nada. Acredito que, após as eleições, por termos feito uma grande bancada no Congresso, haverá equilíbrio de forças. Devo conversar com a presiden do STF após as eleições. Não quero afrontar ninguém, nem apresentar proposta que vai chatear nenhum outro Poder. Essa não é a ideia nossa. Mas uma boa conversa com a senhora Rosa Weber, a gente sai pacificado. O Congresso está pacificado. Essa maioria nos permite dar agilidade nas propostas. E o Judiciário vai fazer o seu papel. Chega de problema, de conflito. Os atritos que acontecem em Brasília, a conta fica para a população”, disse.

Bolsonaro também declarou que sua prioridade, se reeleito, será trabalhar para aprovar no Congresso uma proposta para reduzir a maioridade penal, atualmente em 18 anos. O presidente, entretanto, não deu detalhes sobre o projeto.

O presidente ainda afirmou que os prefeitos de Manaus (AM) e Sorocaba (SP) devem anunciar apoio a sua reeleição amanhã, 10. Segundo ele, estão programadas reuniões com prefeitos nesta semana em Balneário Camboriú (SC) e no Rio Grande do Sul.

“Quem está bem em qualquer grau de avaliação são os prefeitos. Receberam muito recurso do governo federal, estão no azul e estão com a popularidade bastante alta. E na ponta da linha, quem tem contato com o povo são os prefeitos e vereadores. Apesar de estarmos otimistas por ocasião do dia 30 de outubro, vamos trabalhar fortemente até essa data. Acredito na vitória e em Deus”, disse.

Estadão Conteúdo

Família canadense viaja pelo mundo em busca de ‘memórias visuais’ para os filhos que vão ficar cegos

Uma doença nos olhos, que leva à cegueira, transformou a vida de uma família de canadenses. Eles decidiram viajar pelo mundo para mostrar aos filhos a beleza do nosso planeta, antes que eles deixem de enxergar.

A família de Edith e Sebastian não está fazendo um turismo comum. Eles estão criando memórias preciosas.

Os canadenses têm quatro filhos: Mia, de 12 anos, Léo, de 9, Colin, de 7 e Laurent, de 5. Mia foi a primeira a ser diagnosticada, com retinose pigmentar, uma doença rara – que leva à degeneração gradual da visão.

Os pais passaram a levar a menina para explorar a natureza enquanto ela ainda enxerga longe. Depois, os médicos descobriram que Colin e Laurent também têm a doença. Então, decidiram levar ao pé da letra o conselho para encher os olhos deles de lembranças.

“O especialista me disse: ‘Preencham a memória visual deles. Usem livros para eles verem o que é um elefante, uma girafa, pra que tenham referências visuais quando ficarem cegos’. Aí deu o estalo: se vou mostrar as coisas nos livros, por que não mostrar na vida real? Então pensamos num jeito grandioso de mostrar a eles tudo que é bonito nesse mundo. Foi assim que a viagem começou”, conta Edith Lamay.

Depois que três dos quatro filhos foram diagnosticados com a doença, os pais decidiram deixar tudo para trás por um ano, para viajar o mundo e criar registros visuais que permaneçam vivos na lembrança, mesmo depois que as crianças perderem a visão.

Até agora, a família já passou por seis países, em três continentes. Por enquanto, o Brasil é só um sonho, que está nos planos.

Fantástico 

Simaria revela por que se separou de Simone e assume crises: ‘Chorava de cair’

Separada artisticamente de Simone Mendes desde agosto, Simaria concedeu uma entrevista ao Fantástico. Na conversa, exibida na noite deste domingo (9), a sertaneja explicou que as duas irmãs estavam com visões diferentes para dupla e que chegou a ter crises de pânico ao ver os filhos sofrerem pelo divórcio de Vicente Escrig, seu ex-marido.

“O que mais me fragilizou foi ver meus filhos sofrendo com a separação. Eu vinha já há muito tempo passando por problemas pessoais, estava difícil entender o que Deus queria para mim. Tinha dificuldade de tomar decisão de separava do rapaz. Um médico aconselhou que eu tinha que escolher se deveria continuar o casamento pelos meus filhos ou separar e ser feliz, aí eu voltei decidida a ser feliz”, relembrou.

“A pergunta que todos os fãs querem saber: por que a dupla acabou nesse momento difícil da sua vida?”, questionou a repórter Renata Ceribelli. Segundo Simaria, ela e a irmã nunca brigaram, mas estavam com pensamentos diferentes sobre os rumos da dupla. “Eu queria uma coisa, a Simone queria outra”, argumentou ela.

“É como um casamento que chega uma hora que não dá mais. Eu estava rouca demais, sobrecarregada, cansada e destruída. Quando eu fui ao médico, ele disse: ‘Simaria, parou! Sua voz, o seu calo não está legal'”, disse a sertaneja, que disse estar melhor do calo na voz, mas recordou:

“Eu não tinha coragem de parar porque eu estava comprometida com o que eu tinha que fazer em relação à dupla, aos contratantes e tudo o que estava em volta. Isso mexia comigo, ao mesmo que olhava para carreira, responsabilidades, eu olhava os meus filhos e tudo o que eu já tinha feito.”

Segundo ela, tudo aconteceu de forma muito rápida: do divórcio, passando pelos problemas e o fim da parceria com a irmã:

“A voz acabou, estava extremamente machucada internamente por causa da separação, vendo os meus filhos sofrerem. Estava muito difícil, eu comecei a ter crises de pânico de ver meus filhos sofrendo naquela situação. De pânico, meu corpo estremecia. Eu chorava de cair no chão, aí comecei a cuidar da minha vida.”

Com informações de Notícias da TV

Terá remorso de não me apoiar’, diz Lula sobre Zema em tom de ameaça

O candidato à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesse domingo (9) que respeita a decisão do governador de Minas Gerais reeleito, Romeu Zema (Novo), de apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro (PL), mas que ele sentirá remorso por isso.

“O governador Zema tem a liberdade de apoiar quem ele quiser. Mas ele não pode pensar que o povo é gado, que pode ser tangido para lá e para cá”, afirmou Lula. Em campanha em Belo Horizonte, Lula recebeu apoio formal do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman ( PSD).

O petista acrescentou que, se Zema souber o que foi feito em Minas quando ele e Dilma Rousseff foram presidentes da República, “ele terá remorso de não me apoiar”.
Participam da ação de campanha os deputados federais eleitos Duda Salabert (PSD), André Janones (Avante), Reginaldo Lopes (PT), Patrus Ananias (PT), o senador Alexandre Silveira (PSD), o ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD) – os dois últimos, derrotados nas urnas.

Com informações de Valor Econômico 

Mulher mata mãe idosa e filho com deficiência após entrar em surto psicótico no Ceará

Autora do crime estava com suspeita de depressão e teria atentado contra a própria vida após a ação
Uma mulher matou a própria mãe, de 61 anos, e o filho, de 11, após entrar em um surto psicótico em Jaguaribe, no interior do Ceará, no último sábado (8).

Informações da Polícia indicam que a suspeita, identificada como Francisca Daiane Nascimento Fernandes, 41 anos, entrou em surto psicótico na casa em que morava com os pais e o filho, de 11 anos, no Bairro Mutirão. No ato, ela pegou uma faca e desferiu golpes contra a mãe, de 61 anos.

O pai da suspeita, ao ouvir os gritos, tentou conter a filha, mas não conseguiu. Ele, então, tentou socorrer a esposa, levando-a para fora do imóvel. A suspeita ficou dentro da residência sozinha com o filho, que teria uma deficiência de mobilidade e seria surdo. A criança foi morta na sequência.

O marido da mulher e avô da criança relatou que a filha, autora do crime, estava com suspeita de depressão. Ela teria tentado tirar a própria vida após a ação, sendo encontrada pelos agentes com ferimentos. A suspeita do crime foi autuada em flagrante. A suspeita já possui antecedentes criminais, por ameaça e desacato.

A Delegacia Regional de Jaguaribe instaurou inquérito sobre o caso. 

Homem é preso ao chamar PM de "macaco" em abordagem policial

Jovem ofendeu o policial durante uma abordagem e foi autuado por injúria racial, desacato e vias de fato
Um policial militar foi vítima de injúria racial durante uma abordagem realizada neste domingo, 9, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Segundo as informações da Polícia Civil, um jovem de 22 anos que foi preso em flagrante teria chamado o policial de ‘macaco’ na operação.

A princípio, os policiais foram acionados para atender uma ocorrência de briga e, chegando no local, perceberam que o jovem estava alterado e também fazia ameaças aos moradores do local.

Os policiais pediram para o jovem se retirar do local e, neste momento, o suspeito proferiu ofensas aos policiais, chamando-os de “corruptos” e “ladrões”. Em dado momento, se dirigiu especificamente a um policial e o chamou de ‘macaco’. Ao ser preso em flagrante por injúria racial, desacato e vias de fato, o jovem afirmou que mataria os soldados e, no percurso para a delegacia, continuou a ofender os PMs.                           
A Polícia Civil informou também que a investigação do caso está sob responsabilidade da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário, onde o caso foi registrado. A identidade do suspeito e do policial não foram reveladas.

domingo, 9 de outubro de 2022

Ex-diretor do Datafolha crava: 'Possibilidade de virada no 2º turno é real'

O ex-diretor do Datafolha e comentarista político da Globonews, Mauro Paulino, afirmou durante o programa Central das Eleições, que o segundo turno das eleições presidenciais tem possibilidade real de uma virada inédita. "Apenas cinco pontos de diferença entre Lula e Bolsonaro. A possibilidade de virada inédita em segundo turno é real, é uma zona de muita proximidade. Lembrando que no segundo turno, um voto roubado significa dois, porque tira de um e vai para o outro", declarou.

A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (8/10), encomendada pelo grupo Globo e pela Folha de S.Paulo, apontou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 49% de intenção de votos no segundo turno, enquanto Jair Bolsonaro (PL) tem 44%. Este foi o primeiro levantamento do instituto feito para a disputa do segundo turno das eleições.

Ao analisar os resultados, Paulino disse que Lula "perdeu o favoritismo que tinha durante o primeiro turno". "Analisando os números friamente significa um país dividido. Lula está na liderança, favorito ainda, mas com o favoritismo muito menor do que se via em primeiro turno. É uma disputa equilibrada", afirmou.

O comentarista ainda avaliou que neste ano tivemos uma eleição atípica, moldada nas redes sociais. "Existe uma luta para convencer os eleitores que estão decidindo. Vai ser uma campanha muito quente", concluiu.

Correio Braziliense

Ex-ministro Marco Aurélio diz que Lula nunca foi absolvido e que o “STF o ressuscitou politicamente”

O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello manteve a declaração de voto no presidente Jair Bolsonaro (PL) agora para o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao UOL News, o ex-juiz disse que não vota mais no petista.

“Não poderia votar em um candidato, muito embora tenha o feito no passado, que foi condenado em processos-crime quatro vezes, por crime contra a administração pública. Eu estaria traindo minha trajetória como juiz atuante em colegiado”, disse.

Marco Aurélio também disse que a imprensa incentivou a polarização política. “Não é culpa, mas que ela teve participação muito grande, teve. Agora mesmo estou sendo instado a me pronunciar contra o presidente em exercício, o que não farei de forma alguma”.

Lula gastou 10 vezes mais que Bolsonaro até agora

Petista já pagou R$65,4 milhões a fornecedores de serviços à sua campanha, enquanto Bolsonaro gastou apenas R$6,9 milhões no mesmo período
Separados por apenas cinco pontos no primeiro turno, o candidato petista Lula e o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, estão distantes no quesito despesas eleitorais. O petista já pagou R$65,4 milhões a fornecedores de serviços à sua campanha, enquanto Bolsonaro gastou apenas R$6,9 milhões no mesmo período. Lula tem ainda outros R$12,3 milhões em dívidas que precisam ser pagas. Já Bolsonaro tem R$8,2 milhões em despesas contratadas pendentes.

Em cima da linha

Ambos os candidatos têm limite idêntico de gastos: R$89 milhões no 1º turno. Lula comprometeu R$77,7 milhões em gastos pagos e pendentes.

Longe do teto

A campanha de Bolsonaro tem um total de R$15,1 milhões em gastos pagos e pendentes, com folga até o teto.

Agora cresceu

No segundo turno, o limite de gastos das campanhas presidenciais aumenta 50%. Cada um ganha R$44,5 milhões a mais para a campanha.

Nos Estados

A conta vale também para governadores: cada disputa tem 50% a mais de limite. Em São Paulo, por exemplo, isso significa R$13,3 milhões.

Por Cláudio Humberto

Médicos destacam papel da espiritualidade para tratar doenças mentais

O tratamento dos transtornos mentais com abordagem dos aspectos da religiosidade e espiritualidade (R/E) passou pela pandemia de Covid-19 e terá continuidade, afirmam especialistas que participaram do 39º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado nesta semana, em Fortaleza, pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Trabalhos científicos divulgados ao longo das últimas décadas, entre os quais o estudo Position Statement, do psiquiatra brasileiro Alexander Moreira-Almeida, publicado em 2016 pela Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) na revista World Psychiatry, destacam a importância da abordagem e integração da R/E na avaliação, diagnóstico e tratamento de doenças mentais. A WPA reforçou, na ocasião, a relevância das pesquisas sobre o tema e a consideração da religiosidade dos profissionais da saúde mental envolvidos nos atendimentos.

Ao participar do congresso, Moreira-Almeida disse à Agência Brasil que o posicionamento da WPA já foi um reconhecimento das evidências desse impacto. “Sabemos que a maioria da humanidade tem religiosidade, tem espiritualidade, e que isso impacta a saúde, melhorando quadros depressivos ou evitando que aconteçam, diminuindo comportamento suicida, uso e abuso de substâncias e melhorando qualidade de vida e bem-estar também”, afirmou o especialista, que é vice-coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa em Espiritualidade e Saúde Mental da ABP.

Segundo Moreira-Almeida, a recomendação para profissionais de saúde de forma geral e, em particular, para os psiquiatras, era que soubessem da importância de tal condição para toda a humanidade, que, quando as pessoas lidam com problemas de saúde também buscam a espiritualidade para enfrentá-los e que isso tem impacto positivo.

Na prática, significa que a orientação é que os especialistas, sem ignorar a medicação, a psicoterapia, busquem conhecer a história espiritual da pessoa. “Porque nos interessa conhecer o paciente e perguntar qual é sua religiosidade, sua fé, e quanto isso impacta a sua vida. E, nesse ponto, identificar os aspectos positivos da religiosidade do paciente que podem ajudar o psiquiatra, clínico, ou psicólogo, no enfrentamento dos problemas.”

Achado
O coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa em Espiritualidade e Saúde Mental da ABP, Bruno Paz Mosqueiro, informou que, em 2019, saiu a revisão de um estudo muito completo sobre a relação entre depressão e espiritualidade. “Um achado interessante é que, nos momentos de adversidade, o papel protetor da espiritualidade é muito maior. Isso tem muito a ver com a Covid-19, que foi um momento de adversidade.”

Na Universidade de Harvard, um estudo que acompanhou quase 90 mil mulheres nos Estados Unidos, mostrou claramente a importância da religiosidade entre aquelas que frequentam grupos religiosos semanalmente. Mosqueiro salientou a importância de abordar a R/E com os pacientes e integrá-la na prática clínica, porque eles querem muito falar sobre isso.

“E nós, como profissionais, precisamos estar capacitados para conversar, centrados no paciente e no que ele traz de crença. Precisamos aprender como trazer isso para a nossa prática clínica, sem precisar escolher entre o tratamento convencional e religiosidade, mas abordar junto com outros fatores importantes na vida da pessoa”, explicou.

Tendência
Para Alexander Moreira-Almeida, que também é professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, esta é uma tendência veio para ficar, superando visões muito limitadas e parciais do ser humano. Ele lembrou que, no passado, viveu-se uma época em que se salientavam visões psíquicas do paciente, a parte psicanalítica ou psicológica. Depois, deu-se ênfase ao aspecto biológico, de medicações, enquanto outro grupo destacava a visão de estruturas sociais. Todos os grupos estão parcialmente corretos, por apontarem aspectos importantes, mas também errados porque querem “generalizar a partir de uma única ótica”, ressaltou.

O que a WPA e a ABP defendem é uma abordagem biopsicosocioespiritual, que enxergue todas as dimensões do ser humano. “Na verdade, eu escolho o meu paciente. E, nesse paciente, vou lidar com o aspecto biológico, físico, vou saber usar a medicação, a atividade física, o uso de drogas. No aspecto psíquico, como ele está vendo o mundo, a si mesmo, suas dificuldades. No aspecto social, o ambiente onde ele convive, buscar situações mais produtivas. E, por fim, a sua própria espiritualidade, em conjunto com tudo isso”, explicou o psiquiatra.

Moreira-Almeida informou que foi publicada recentemente uma revisão de psicoterapias que incluíam a espiritualidade para tratar problemas psiquiátricos.

Caso faça parte do contexto espiritual do paciente, uma ideia é incentivar que ele frequente, pelo menos uma vez por semana, um grupo de sua religião, faça um trabalho voluntário, tenha uma prática regular diária de oração, meditação e que reflita sobre os problemas do mundo a partir também de sua perspectiva espiritual. “Vou usar a capacidade de recuperação e correção de equívocos, arrependimentos pesados que aconteceram no passado, autoperdão, superação. Tudo isso pode ser usado de modo saudável, visando à recuperação do paciente. Isso tem crescido cada vez mais nas áreas de medicina”, disse o psiquiatra.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou uma diretriz de prevenção cardiovascular com uma seção de espiritualidade. Alexander Moreira-Almeida destacou que a existência de milhares de estudos sobre o tema não deixa dúvida de que é um movimento não tem volta.

Na opinião do especialista, isso se aplica sobretudo no caso da Covid-19, cujos efeitos sobre a saúde mental ainda vão se manifestar por algum tempo. No início do confinamento, uma das respostas mais frequentes da população sobre o que mais queria voltar a fazer era voltar logo à sua comunidade religiosa. “A Covid lembrou também às pessoas a fragilidade humana, a falta de controle sobre os acontecimentos. E isso tem muito a ver com a busca espiritual.”

Embora ainda não haja estudos conclusivos sobre isso, Moreira-Almeida citou o trabalho de um grupo de pesquisa que investigou mais de 1.600 pessoas durante a pandemia, para ver como a espiritualidade as influenciou, levou a reflexões sobre a existência, sobre a vida. Para muitas pessoas, foi um redescobrir de três coisas: não estou no controle absoluto de tudo; há necessidade dos vínculos familiares e humanos e da própria espiritualidade. “Foram três buscas de crescimento com a adversidade.”

Universitários
Bruno Paz Mosqueiro enfatizou que o tema da R/E tem crescido no meio universitário. Por isso, a comissão se preocupa em trazer para os congressos da ABP mesas-redondas, cursos e palestras sobre o assunto. “Queremos trazer isso para o estudo dos profissionais e também para a população em geral”, afirmou Mosqueiro, lembrando que muitos pacientes ficam satisfeitos ao conversar sobre isso com os psiquiatras. “Muitos relatam que aumenta a satisfação no tratamento, e há pesquisas que mostram isso.”

Já Moreira-Almeida destacou que, entre os estudantes de medicina, existe uma grande abertura para o tema da R/E. Segundo ele, na maioria das universidades, são os estudantes que puxam o tema com as ligas acadêmicas de religiosidade e espiritualidade em todo o país. “Tem tido uma recepção muito positiva”. A comissão da ABP tem parceria com a Liga Nacional dos estudantes, informou o médico.

Confirmação
O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva, disse à Agência Brasil que estudos recentes confirmam a relevância da abordagem sobre religiosidade e espiritualidade no tratamento de transtornos mentais, incluindo publicações e editoriais em revistas científicas de grande impacto.

“Trata-se de tema de grande prevalência na população geral. A maior parte dos pacientes demonstra vontade de abordá-lo nos atendimentos em saúde, e dados consistentes reforçam um fator geral predominante protetor da R/E dos pacientes para saúde mental, particularmente nos transtornos depressivos, de humor, transtornos por uso de substâncias e na prevenção ao suicídio”, indicou Silva.