sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Governo Lula amplia arrecadação e passa a atingir trabalhadores informais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O início de 2026 marcou uma mudança que já começa a pesar no bolso de quem trabalha por conta própria. Com novas exigências fiscais em vigor, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a alcançar diretamente profissionais informais, como cabeleireiros, pedreiros, eletricistas, diaristas e professores particulares, que agora entram no radar da Receita Federal.

Na prática, autônomos que emitem nota fiscal no próprio CPF ficam sujeitos a uma carga tributária que pode chegar a 25% do faturamento. A obrigação vale mesmo para quem não possui empresa formalizada, o que gera apreensão entre trabalhadores que antes atuavam à margem do sistema tributário tradicional.

Há, porém, alternativas pouco divulgadas. A emissão de nota via CNPJ reduz drasticamente a tributação, e a formalização como Microempreendedor Individual (MEI) permite o pagamento apenas do DAS, com valor mensal em torno de R$ 80, englobando impostos e contribuição previdenciária.

Críticos do governo afirmam que a medida amplia a arrecadação às custas dos mais vulneráveis e reforça a percepção de avanço do Estado sobre rendas informais. A crítica ecoa discursos de líderes liberais, como o presidente argentino Javier Milei, que classificou a tributação excessiva como um obstáculo à liberdade econômica e à sobrevivência de pequenos trabalhadores.

Com informações do Diário do Poder

Relatórios oficiais apontam colapso à frente e colocam política fiscal de Lula sob suspeita

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Relatórios divulgados em dezembro de 2025 pela Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, e pelo Ipea, vinculado ao próprio governo federal, convergem em um diagnóstico preocupante: a política fiscal do governo Lula até cumpre o arcabouço na forma, mas perde credibilidade e se mostra incapaz de estabilizar a dívida pública no médio prazo.

No Relatório de Acompanhamento Fiscal, a IFI afirma que o excesso de exceções às regras enfraqueceu o regime fiscal. O órgão destaca que despesas como precatórios, gastos com defesa, investimentos do PAC, ressarcimentos do INSS e a reestruturação dos Correios foram retiradas do cálculo do resultado primário, somando mais de R$ 170 bilhões fora das regras nos três primeiros anos do novo arcabouço.

Outro ponto sensível é a mudança na LDO de 2026, que passou a permitir a busca pelo piso da meta fiscal após entendimento do TCU. Para a IFI, a alteração representa um rebaixamento prático das metas e desloca o debate para a trajetória da dívida em relação ao PIB. O relatório é direto ao afirmar que os números “revelam inequivocamente a insustentabilidade do atual regime fiscal”.

Para 2026, a IFI projeta deficit primário de R$ 26,5 bilhões, mesmo após deduções expressivas, e alerta que o cumprimento da meta exigirá forte contingenciamento de despesas discricionárias. No médio prazo, o espaço fiscal tende a desaparecer, com risco de colapso já a partir de 2028.

O Ipea adota tom mais técnico, mas reconhece as mesmas tensões. O instituto aponta dificuldades para conciliar crescimento econômico, ampliação de gastos sociais e controle fiscal em um orçamento engessado, além de destacar limites políticos para aumento de receitas e corte de despesas. Até novembro de 2025, o deficit primário acumulado chegou a R$ 75,7 bilhões, enquanto Lula sancionou o Orçamento de 2026 com veto a 26 dispositivos aprovados pelo Congresso.

Com informações do Poder360

“Vamos vencer os dias maus”, diz Michelle após alta de Bolsonaro

Foto: PL
Após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) receber alta hospitalar e retornar à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, Michelle Bolsonaro publicou uma mensagem de apoio nas redes sociais nesta quinta-feira (1º). A ex-primeira-dama afirmou que a família vai superar “os dias maus” e exaltou o marido, que segue cumprindo pena determinada pelo STF.

Na publicação no Instagram, Michelle citou uma frase atribuída a Winston Churchill — mas que, na verdade, é do escritor norte-americano John C. Maxwell — para definir Bolsonaro como um líder. Em seguida, declarou apoio público: “Você é grande, meu amor! Existe um Brasil de bem que te ama e ora por você. Vamos vencer os dias maus. Que Deus te abençoe. Te amo e estarei ao seu lado”.

Bolsonaro estava internado desde 24 de dezembro no Hospital DF Star, onde passou por uma herniorrafia inguinal bilateral, procedimentos para conter crises persistentes de soluços e uma endoscopia digestiva alta. Após a alta, a defesa solicitou ao ministro Alexandre de Moraes a concessão de prisão domiciliar humanitária, pedido que acabou sendo negado.

Na decisão, Moraes afirmou que não houve agravamento do estado de saúde do ex-presidente e que os laudos médicos indicam melhora clínica após os procedimentos. O ministro também ressaltou que todas as recomendações médicas podem ser cumpridas na sala de Estado-Maior da PF, onde Bolsonaro segue preso após condenação a 27 anos e três meses por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado.

Com informações de O Antagonista

Vídeo: Feliz 2026 é igual “fora PT”, diz Tarcísio em mensagem de Ano Novo

Vídeo: Reprodução/X
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), usou o primeiro dia de 2026 para provocar o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação nas redes sociais, Tarcísio escreveu que “a fórmula é simples” e concluiu: “Feliz 2026 = Fora PT”, em referência direta ao cenário eleitoral do próximo ano.

A postagem foi acompanhada por um vídeo em tom de ironia, no qual o governador aparece resolvendo uma “equação” em uma lousa até chegar ao resultado que associa a saída do PT a um ano feliz. Na gravação, Tarcísio veste uma camisa da Seleção Brasileira, símbolo amplamente associado ao bolsonarismo desde o governo Jair Bolsonaro (PL), de quem é aliado político.
A mensagem reforça a associação de Tarcísio ao campo da direita e alimenta especulações sobre seu papel nas eleições de 2026. O governador é citado como possível adversário de Lula na disputa presidencial, embora aliados avaliem que o caminho mais provável seja a tentativa de reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.

Enquanto isso, Tarcísio enfrenta ruídos na própria base. O PP passou a pressionar publicamente o governador e avalia lançar candidatura própria ao governo paulista. Em nota, o diretório estadual da sigla cita descontentamento de prefeitos, dificuldades de diálogo e reclamações sobre a falta de espaço para parlamentares do partido.

O Progressistas também vê como estratégico alinhar o governo de São Paulo ao projeto nacional da legenda, especialmente diante da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A avaliação interna é que um governador mais afinado com esse plano fortaleceria as chapas proporcionais em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, ampliando a tensão política em torno do futuro de Tarcísio.

Com informações de O Antagonista

Quase metade dos ministros deve sair para disputar eleição, e Lula aposta em “solução caseira” no governo

Foto: Cristiano Mariz/O Globo
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve passar por uma ampla reformulação a partir de abril, com a saída de quase metade dos ministros para disputar as eleições de 2026. A estratégia do Palácio do Planalto é preencher a maioria das vagas com os atuais secretários-executivos — os chamados “números dois” das pastas — numa tentativa de evitar descontinuidade administrativa em um ano decisivo para a reeleição do petista.

Segundo o próprio Lula, ao menos 18 ministros devem deixar o governo, número que pode chegar a 22. Entre os primeiros nomes cotados para a saída estão Fernando Haddad (Fazenda) e Ricardo Lewandowski (Justiça). Embora nenhum dos dois pretenda disputar cargos eletivos, Haddad é pressionado pelo PT a concorrer em São Paulo, enquanto Lewandowski avalia que sua missão no governo já foi cumprida. A tendência é que a Fazenda fique sob comando do secretário-executivo Dario Durigan.

Mudanças também devem atingir o núcleo do Planalto. Rui Costa deve deixar a Casa Civil para disputar o Senado pela Bahia, abrindo espaço para Miriam Belchior. Gleisi Hoffmann tende a concorrer a mais um mandato pelo Paraná, o que provocaria troca na Secretaria de Relações Institucionais. Há ainda a possibilidade de Sidônio Palmeira deixar a Comunicação Social para assumir o marketing da campanha presidencial.

Fora do Planalto, ministros como Marina Silva, Simone Tebet, Renan Filho, Silvio Costa Filho, Waldez Góes, Jader Filho e André Fufuca estão entre os que avaliam disputar cargos em 2026. Renan Filho é o único cotado para tentar um governo estadual, em Alagoas. A maioria deve concorrer ao Senado ou à Câmara, enquanto Lula acompanha de perto casos mais sensíveis, como os de Marina e Tebet.

A diretriz predominante no Planalto é apostar em soluções internas, promovendo quadros técnicos já integrados às pastas, especialmente na área de infraestrutura. A avaliação é que a “troca controlada” reduz riscos de paralisia, preserva entregas e permite ao governo atravessar o ano eleitoral com menos turbulência política.

Com informações do O Globo

Ano eleitoral acirra disputa por comissões estratégicas na Câmara

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
A proximidade das eleições de 2026 deve influenciar diretamente as negociações pelo comando das comissões permanentes da Câmara dos Deputados. Com um calendário legislativo mais curto e foco crescente nas campanhas, parlamentares passam a disputar espaços de maior visibilidade política, capazes de projetar pautas e fortalecer discursos eleitorais.

Com a retomada dos trabalhos em fevereiro, as primeiras semanas serão marcadas por intensas articulações para a definição dos presidentes dos colegiados. A escolha segue a proporcionalidade das bancadas, o que garante às maiores siglas prioridade na ocupação dos cargos. Ao todo, são 30 comissões permanentes, cuja instalação, no ano passado, levou mais de um mês devido a acordos herdados da gestão de Arthur Lira e da eleição de Hugo Motta para a presidência da Casa.

O comando dessas comissões é estratégico porque permite controlar a pauta, acelerar ou travar projetos e até impulsionar convocações de ministros. As maiores disputas costumam envolver a CCJ e colegiados ligados a áreas sensíveis ao governo, além da CMO, que neste ano será presidida por um deputado. Paralelamente, a Câmara tenta avançar em temas de forte apelo eleitoral, como segurança pública, com a PEC da Segurança e o projeto Antifacção, que podem ir direto ao plenário.

Outro movimento esperado para o início do ano legislativo é a troca de lideranças partidárias. O PT terá Pedro Uczai no lugar de Lindbergh Farias, enquanto o PSB será comandado por Jonas Donizetti. Na oposição, o PL já confirmou Cabo Gilberto Silva como líder. Algumas siglas, como União Brasil e PL, optaram por manter seus atuais comandos, em meio a um cenário de reorganização política que antecede a disputa eleitoral.

Com informações da CNN

IPVA 2026 já pode ser pago em cota única com desconto no Ceará; saiba como fazer

Foto: Albari Rosa / AEN
Têm direito ao patamar mais baixo de alíquota ônibus, micro-ônibus e caminhões, locadoras de veículos, e motocicletas, motonetas, ciclomotores e triciclos de até 125 cilindradas
O pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) 2026, no Ceará, já pode ser feito com desconto, no estado do Ceará, a partir do pagamento em cota única. O calendário e as alíquotas foram divulgados pela Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz-CE) em dezembro de 2025.

Os condutores terão um desconto de até 10% no valor, caso paguem em cota única e sejam participantes do programa Sua Nota Tem Valor. Com uma frota de 2,35 milhões de veículos em todo o estado, estima-se uma arrecadação de R$ 2,24 bilhões, representando um aumento de 11,91% ante o obtido em 2025.

Os contribuintes poderão contar com desconto de 5% no IPVA se pagarem em cota única até 30 de janeiro de 2026. O abatimento é cumulativo com mais 5% de desconto para participantes do programa Sua Nota Tem Valor (SNTV) que somaram pontos entre dezembro de 2024 e novembro deste ano.

Quem preferir parcelar, poderá dividir o pagamento em até cinco parcelas, com vencimento nos dias 13 de fevereiro, 13 de março, 13 de abril, 13 de maio e 12 de junho. O valor mínimo das parcelas é de R$ 100. O desconto de até 5% concedido pelo SNTV também é válido para o parcelamento, desde que o contribuinte realize o pagamento até o vencimento.

O secretário da Fazenda do Ceará, Fabrízio Gomes, ressaltou o papel social que a arrecadação do IPVA e dos tributos de forma geral possuem, financiando políticas públicas. “É importante fazer o pagamento do tributo para que possamos implementar políticas públicas, melhorando ainda mais a educação, a saúde e a segurança pública, entre outras áreas”, pontou.

Alíquotas
As alíquotas variam de 1% a 3,5% sobre o valor venal, dependendo do tipo de veículo. Têm direito ao patamar mais baixo de alíquota ônibus, micro-ônibus e caminhões, locadoras de veículos, e motocicletas, motonetas, ciclomotores e triciclos de até 125 cilindradas que não possuam infrações de trânsito.

Na ponta oposta, são tributados com maior percentual automóveis, caminhonetes, camionetas e utilitários com potência superior a 180 cavalos, assim como motocicletas, motonetas, ciclomotores e triciclos acima de 300 cavalos.

Maiores e menores IPVAs

O veículo com o valor de IPVA mais alto em 2026 é uma Ferrari 812 GTS 2023. Avaliado em R$ 6,75 milhões, o esportivo terá um imposto de R$ 236.538,65.

O segundo maior IPVA é de uma Ferrari 296 GTS fabricada em 2023. Com valor venal de R$ 3,81 milhões, o veículo será tributado em R$ 133.554,26.

No sentido contrário, os menores IPVAs a serem pagos em 2026 são do Chanche M100 CH7101, fabricado em 2012, avaliado em R$ 9,9 mil e tributado em R$ 247,58.

Também se destaca o RDK/Tiger, de 2010. Com valor venal de pouco mais de R$ 11 mil, o proprietário desprenderá R$ 275,20 para manter o veículo regularizado.

Emissão do DAE

A partir de 1 de janeiro, será possível emitir o Documento de Arrecadação (DAE) Automático pelo site da Sefaz >> Portal de Serviços (https://portalservicos.sefaz.ce.gov.br/sefazCeara/home), ou por meio do Assistente Virtual (85) 3108-1404 (Whatsapp).

Antes de iniciar o processo de pagamento pelo Whatsapp, é necessário certificar-se de que o número de telefone da Sefaz que você adicionou possui o selo verde de verificação e se está sob a titularidade da Secretaria de Fazenda do Estado do Ceará.

Ao pagar o IPVA por Pix, que pode ser feito em qualquer banco, deve-se verificar se no nome do favorecido está escrito Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará, e se o CNPJ é 07.954.597/0001-52.

A Sefaz Ceará orienta ainda que os contribuintes fiquem alerta, pois a Secretaria não envia guias de recolhimento pelos Correios ou por e-mail.

Mais informações podem ser encontradas por meio do Plantão Fiscal, no número (85) 3108.2200.

GCMais

Vídeo: Fogos de artifício explodem dentro de carro após festa de Réveillon

Foto: Reprodução
Um incidente assustador marcou a madrugada desta quinta-feira (1º) em Rorainópolis, no Sul de Roraima. Um veículo carregado com material pirotécnico explodiu na Praça do Grêmio logo após a festa de Réveillon.
O incêndio começou quando um colaborador acionou, por descuido, o controle remoto dos fogos que estava em seu bolso, atingindo o material que não havia sido utilizado na festa.

Vídeos que circulam nas redes sociais registram o momento das explosões sequenciais e o esforço em vão de dois homens para conter as chamas. Segundo o Corpo de Bombeiros, acionado por volta de 1h, o carro pertencia à própria equipe responsável pelo show pirotécnico.

Apesar da destruição total do veículo, ninguém ficou ferido. A corporação controlou o fogo e evitou que as chamas se espalhassem.

Metrópoles

China aplica "tarifaço" sobre carne brasileira

O Ministério do Comércio da China divulgou nesta quarta-feira (31) que, a partir de 1º de janeiro, aplicará tarifas de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem cotas pré-definidas de países como Brasil, Argentina, Uruguai, Estados Unidos e Austrália.

Até novembro, o Brasil exportou aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas de carne bovina para a China, que é o maior comprador global do produto, segundo dados oficiais.

Nos últimos anos, os preços da carne bovina no país asiático vêm registrando queda, resultado do excesso de oferta e da desaceleração da segunda maior economia do mundo, que afetou a demanda interna, segundo analistas de mercado. Ao mesmo tempo, o aumento das importações transformou a China em um mercado estratégico para países produtores de carne, como os da América Latina e a Austrália.

Em comunicado, o Ministério do Comércio justificou a decisão: “A compra de carne bovina estrangeira prejudicou a indústria nacional”. A investigação oficial considerou todos os tipos de carne bovina, incluindo fresca, congelada, com osso e sem osso. As tarifas adicionais terão validade de três anos, até 31 de dezembro de 2028, e foram classificadas pela pasta como “medidas protecionistas”, que deverão ser gradualmente reduzidas ao longo do período.

O governo chinês adota cotas anuais para importações de cada país, aumentando esses limites levemente a cada doze meses. A partir de agora, toda carne bovina que exceder esses limites estará sujeita à tarifa de 55%. Para 2026, o Brasil terá uma cota de 1,1 milhão de toneladas; a Argentina, aproximadamente 550 mil toneladas; o Uruguai, 324 mil toneladas; a Austrália, cerca de 200 mil toneladas; e os Estados Unidos, 164 mil toneladas.

Além disso, a China informou que suspendeu parte de um acordo de livre comércio com a Austrália que incluía carne bovina. Um porta-voz do Ministério ressaltou que “a aplicação de salvaguardas à carne bovina importada visa ajudar temporariamente a indústria nacional a superar dificuldades, e não restringir o comércio normal de carne”.

Especialistas destacam que a medida poderá impactar significativamente os exportadores latino-americanos, uma vez que a China representa uma fatia relevante do mercado global de carne bovina. A expectativa é que produtores busquem alternativas para escoar a produção, seja aumentando as exportações para outros países ou ajustando o volume enviado à China para não ultrapassar as cotas.

Analistas também apontam que a decisão chinesa reflete uma tendência de protecionismo em setores estratégicos, como alimentos, e sinaliza a intenção do governo de fortalecer a indústria doméstica diante de flutuações de mercado e desaceleração econômica. Para os consumidores chineses, a medida pode resultar em aumento de preços, já que a oferta de carne estrangeira será limitada pelas novas tarifas.

Fonte: Folha de SP

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Conheça a “síndrome do coração festeiro”, ligada ao excesso de álcool

Seja uma lata de cerveja no churrasco de Natal ou uma taça de espumante no Réveillon, o consumo de bebidas alcoólicas já faz parte da comemoração das festas de final de ano no Brasil. No entanto, o exagero nesse hábito esconde uma ameaça cardíaca silenciosa: a síndrome do coração festeiro, ou holiday heart syndrome, em inglês.

A condição relaciona a ingestão excessiva e prolongada de álcool ao maior risco de desenvolver um tipo de arritmia conhecida como fibrilação atrial. Nesse quadro clínico, a parte de cima do coração, formada pelos átrios, fica eletricamente desorganizada e trêmula, enquanto a porção debaixo do órgão, composta pelos ventrículos, passa a funcionar de maneira irregular. Isso leva a um descompasso dos batimentos.

O efeito pode ser percebido como uma palpitação no peito, que costuma ser acompanhada por sensações de cansaço e falta de ar. Esses sintomas geralmente começam a se manifestar ainda durante o momento de embriaguez ou algumas horas após a bebedeira. “Não é apenas um drink que leva à síndrome. Para ela ocorrer, o indivíduo precisa realmente apresentar um nível de embriaguez muito elevado”, explica o cardiologista Guilherme Drummond Fenelon Costa, do Einstein Hospital Israelita.

A intoxicação alcoólica diminui o pH do sangue e desidrata o corpo, efeitos que ainda podem se somar a condições como privação de sono e perda de eletrólitos. É a combinação desses fatores que pode levar à síndrome do coração festeiro.

Problema subestimado

A primeira descrição da síndrome foi em um artigo publicado em 1978 no American Heart Journal. Na época, a condição ainda era apresentada como uma associação hipotética, a partir da observação de poucos pacientes de hospitais em Nova Jersey, nos Estados Unidos. De lá para cá, o problema foi mais investigado pela ciência. Em fevereiro de 2025, revisão de 11 estudos publicada na revista Cureus concluiu que o binge drinking (ato de beber cinco ou mais doses de álcool em um curto período) é um disparador consistente de fibrilação atrial.

“Uma das descobertas mais marcantes foi a consistência com que a exposição excessiva ao álcool desencadeou arritmias em diversas populações”, destaca o cardiologista e autor correspondente do artigo, Jhiamluka Zservando Solano Velasquez, que é pesquisador na Universidade de Oxford, na Inglaterra. “Mesmo em jovens saudáveis, a ingestão aguda de álcool produziu alterações no sistema nervoso autônomo, que controla o coração, além de oscilação do intervalo entre os batimentos, aumento da frequência cardíaca e batimentos prematuros”, diz Velasquez, em entrevista à Agência Einstein.

Apesar de provocar tantas reações prejudiciais e aumentar o risco de complicações graves, como acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca, a síndrome do coração festeiro ainda é subestimada. Isso se deve, em parte, porque a arritmia tende a melhorar espontaneamente em até 48 horas, sem a exigência de grandes cuidados hospitalares. Muitas vezes, basta se hidratar bem e observar a evolução dos sintomas.

Só que a falta de uma investigação para identificar se a arritmia já existia ou se foi apenas um episódio decorrente da intoxicação alcoólica não elimina o risco de reincidência da fibrilação atrial. Isso é particularmente importante em um contexto de alta prevalência global do consumo abusivo do álcool, como o que se vive atualmente.

Segundo a 3ª edição do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), publicada em setembro pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a média de consumo de bebidas alcoólicas pelos brasileiros foi de 5,3 doses por ocasião. Além disso, verificou-se que aproximadamente 24 milhões de pessoas no país relataram beber exageradamente em 2024, o que equivale a 14,2% da população adulta ou um em cada sete indivíduos.

Beber com moderação

Os riscos do álcool ao coração não se aplicam apenas a quem bebe além da conta. “As evidências atuais não nos permitem definir um nível universalmente ‘seguro’ de álcool para a prevenção da fibrilação atrial, especialmente para aqueles que já são mais vulneráveis a problemas cardíacos”, avalia Velasquez. Vale lembrar, inclusive, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não estabelece limite seguro de álcool até mesmo para pessoas sem qualquer condição de saúde.

A ocorrência de arritmias é mais comum entre indivíduos com mais de 60 anos. Também está mais propenso a desenvolver o problema quem tem histórico de doença cardiovascular, como cardiomegalia (coração grande), infarto, pressão alta e aterosclerose. Quem já sofreu fibrilação atrial pode voltar a apresentar episódios de palpitação a qualquer momento, não só quando há exagero alcoólico. É importante consultar um cardiologista para investigar o quadro e tratá-lo preventivamente.

“Neste final de ano, o equilíbrio precisa ser a palavra-chave. Se a pessoa gosta de beber para celebrar, ela pode fazer isso durante as festas, desde que evite o exagero”, pontua o médico do Einstein. “Além de ficar atento à quantidade de bebida, deve-se tomar o cuidado de espaçar uma dose da outra para dar tempo do corpo metabolizar a substância, manter a hidratação, fazer refeições leves e ter boas noites de sono.” 

Agência Einstein