quarta-feira, 4 de março de 2026

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso pela PF

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso na manhã desta quarta-feira (4), após a Polícia Federal (PF) deflagrar uma nova fase da Operação Compliance Zero. Ele, que é acionista majoritário e ex-presidente do banco, foi conduzido pela PF em cumprimento a mandados autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação, que inclui buscas em São Paulo e Minas Gerais, visa desarticular suposta organização criminosa acusada de fraudes bilionárias no sistema financeiro nacional, com bloqueio de bens estimados em bilhões de reais.

A prisão ocorreu devido a “novos ilícitos” identificados nas investigações, incluindo ameaças, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por organização criminosa.

Vorcaro, que já havia sido preso em novembro de 2025 ao tentar fugir para o exterior, cumpria medidas cautelares como prisão domiciliar após ser solto. Delações recentes revelaram pagamentos de R$ 20 milhões para influenciar autoridades e desvios para projetos pessoais, justificando a preventiva para desarticular a rede criminosa.

Quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso nesta quarta (4)
Daniel Bueno Vorcaro, nascido em Belo Horizonte em 6 de outubro de 1983, é um empresário mineiro formado em Economia pelo IBMEC, com MBA em Mercado de Capitais. Herdeiro de uma família ligada ao setor imobiliário via Grupo Multipar, Vorcaro construiu uma trajetória meteórica no mercado financeiro, assumindo o controle do então Banco Máxima em 2019 – rebatizado como Banco Master em 2021 – e expandindo agressivamente suas operações para crédito imobiliário, câmbio, gestão de fundos e investimentos.

Em poucos anos, o banco atraiu cerca de 500 mil clientes com Certificados de Depósito Bancário (CDBs) prometendo retornos acima de 140% do CDI, garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas que mascaravam irregularidades graves.

Caso Master
O chamado Caso Master refere-se a um escândalo de fraudes estimadas em R$ 23,7 bilhões, revelado a partir de 2024 pelo Ministério Público Federal (MPF) e Banco Central (BC). Investigadores apontam dois esquemas principais: a venda de carteiras de crédito fictícias ao Banco de Brasília (BRB) para inflar ativos e captar recursos públicos, e empréstimos simulados a empresas ligadas a fundos da gestora Reag Investimentos – investigada por conexões com crime organizado –, com os valores circulando em camadas opacas até retornarem ao patrimônio pessoal de Vorcaro e familiares. O BC identificou gestão fraudulenta e temerária, levando à liquidação extrajudicial do banco, com omissões regulatórias agravando a crise.

A investigação da Polícia Federal, batizada Compliance Zero, teve início em 2024 por requisição do MPF e ganhou tração em novembro de 2025, com a primeira prisão de Vorcaro em Guarulhos (SP), quando tentava fugir para o exterior. Solto posteriormente por decisão judicial, ele cumpria prisão domiciliar e foi alvo de buscas em endereços da família na Faria Lima e outros estados.

Nesta nova fase, divulgada nesta terça (3), a PF cumpriu quatro prisões preventivas e 15 mandados de busca, apreendendo dinheiro em espécie e documentos que comprovam ameaças, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas informáticos. Delatores recentes revelam pagamentos de R$ 20 milhões para influenciar autoridades, ampliando o escopo para desvios em projetos como um hotel em Belo Horizonte.

Supremo no Caso Master
O STF interfere diretamente no caso por competência originária em crimes contra o sistema financeiro envolvendo altos valores e influência política, com Mendonça determinando a prisão para evitar obstrução e garantindo escolta federal em depoimentos, como o marcado para 3 de março na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado – frustrado pela nova detenção.

Vorcaro, que se apresentava como inovador do setor, agora enfrenta risco de extradição e condenações pesadas, enquanto o Caso Master continua a reverberar em Brasília, questionando a solidez do mercado financeiro brasileiro. A PF informou que investigações prosseguem, com possíveis novas fases.

Fonte: GC+

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça seus comentários com responsabilidade, não nos responsabilizamos por comentários de terceiros.