segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Cinco dias que podem mudar décadas do jogo do poder no Brasil

Bolsonaro e Lula: dois incontestáveis líderes de massa / Reprodução
Tic tac. Contada em dias e horas, a reta final da campanha de 2º turno presidencial aponta para o desfecho daquela que deverá ir para os livros de história como, até aqui, a mais tensa, intensa e imprevisível disputa pela Presidência da República dos últimos tempos. Com relações políticas praticamente rompidas, os dois brasis que se agendam para entrar na fila de votação, no próximo domingo (30), têm força para mudar o jogo do poder nacional, da forma como conhecemos.

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e o atual mandatário, Jair Messias Bolsonaro (PL), são incontestáveis líderes de massa. Têm raízes e histórias políticas tão diametralmente opostas, que chegam a se espelhar, o que, inclusive, ajuda a explicar a polarização entre ambos os dois mega grupos, profundamente consolidados na malha ideológica do País.

O resultado eleitoral poderá quebrar a hegemonia do lulupetismo, que lançou seu principal líder, aos 76 anos de idade, ao Palácio do Planalto, na tentativa de voltar ao poder. Com longa e profícua história política no Brasil, não sucumbirá, caso derrotado. O bolsonarismo, igualmente, não desaparecerá. Seguirá como movimento. Independentemente de dar Lula ou Bolsonaro, o resultado vai ajudar a escrever as próximas décadas politicas brasileiras.

A partir de 2022, política no País jamais será a mesma
O Congresso Nacional, em Brasília / Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O candidato Lula, caso eleito presidente, terá pela frente um Congresso Nacional muito mais à direita, se comparado com o que saiu das urnas há 20 anos, quando o petista chegou ao poder pela primeira vez. Se Bolsonaro seguir no Planalto, a tensão não será menor, apesar de em outra linha: a agenda bolsonarista, com avanços sobre a pauta de costumes, dominará os debates políticos, assim como o embate com o Judiciário e outras instituições.

Reconfiguração de forças no CE
O resultado de domingo próximo mexerá com o tabuleiro político no Ceará. Sendo Lula presidente a partir de janeiro, o PT-CE ascenderá à hegemonia, uma vez que governará o Estado e – igualmente relevante -, o grupo que lhe fazia sombra, liderado pelos irmãos Ferreira Gomes, está em caminho inverso. Dando Bolsonaro, a oposição tomará fôlego, ganhará musculatura e sairá fortalecida para futuros embates. A força da reconfiguração poderá ser testada já nas próximas eleições municipais, daqui a dois anos.

TSE na berlinda
Na cotação do dia, a Justiça Eleitoral perdeu o embate da desinformação. Sem entrar no mérito das polêmicas decisões contra as fake news, a derrota aconteceu por causa da ausência de métodos e armas equivalentes e no mesmo território. Não faz o menor sentido a Corte, de perfil analógico, enfrentar adversários nascidos e criados no mundo digital.

Não “vale tudo”
É difícil, mas forçoso concordar, em tese, com a reação da Justiça Eleitoral, quando vai para cima dos que querem transformar a a internet numa terra sem lei. O ministro Alexandre de Moraes (TSE), caso tivesse deixado correr solto, nesta reta final, poderia estar sendo acusado como responsável pelo “vale tudo”. Disputa política nunca foi isso.

Segundo turno e o governo Elmano
O próximo governador do Estado Ceará/Denis Santana
O deputado estadual Elmano de Freitas (PT) saiu de uma improvável candidatura, desconhecida e gerada em ambiente litigioso, para ganhar em primeiro turno a disputa pelo Governo do Estado. Agora, em um cenário indefinido e com severas variáveis, faz campanha para o ex-presidente Lula. É pouco todo esforço que o petista e seus apoiadores fizerem, até o próximo final de semana. A gestão Elmano, alinhada com o Palácio do Planalto, será uma, com acessos, apoios e recursos. Com Bolsonaro, será outra administração, totalmente diferente, com o agravante da queda de arrecadação estadual, economia ainda em recuperação e oposição fortalecida, politicamente.

Por Erivaldo Carvalho - O Otimista

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