O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), rebateu as críticas do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes. Em entrevista ao Jornal da Globo, o ministro disse que Zema fala uma “língua próxima do português”.
Nas redes sociais, o mineiro respondeu o magistrado, afirmando que tem um “linguajar de brasileiros simples” e não o “português esnobe dos intocáveis de Brasília”
“Sabe porque você não entende o que eu falo ministro Gilmar Mendes? Porque o linguajar de brasileiros simples como eu é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília”, disparou.
A discussão ganhou força depois que o ministro citou o político em entrevista e comentou limites de representações humorísticas envolvendo autoridades.
Em resposta, Zema afirmou que não vê problema em ser satirizado, mas criticou a comparação feita por Gilmar Mendes entre homossexualidade e a prática de crimes. O ex-governador disse ser “muito seguro da própria sexualidade” e afirmou que não considera esse tipo de representação ofensiva.
“Pode fazer boneco do Zema homossexual, pode fazer do jeito que quiser. Eu sou muito seguro da minha sexualidade. O que não pode é comparar homossexual com ladrão”, disse Zema em entrevista.
O ministro do STF havia comentado, em entrevista ao portal Metrópoles, que existem limites para sátiras envolvendo autoridades públicas e citou o ex-governador como exemplo de situações que poderiam ultrapassar o campo da crítica.
Gilmar também afirmou que esse tipo de conteúdo deve ser analisado com cautela quando envolve instituições e figuras públicas, reforçando a necessidade de avaliação sobre possíveis excessos em manifestações satíricas.
O episódio ocorre após troca de provocações públicas e pedidos de apuração envolvendo conteúdos publicados por Zema nas redes sociais, ampliando o desgaste entre o ex-governador e o STF.
Entenda
O conflito entre os dois começou quando o ministro Gilmar Mendes enviou ao colega de Corte, ministro Alexandre de Moraes, uma solicitação para que Zema passasse a ser investigado no inquérito das Fake News.
O processo ocorre sob sigilo, mas o pedido de Gilmar foi confirmado pela CNN. A solicitação ocorreu depois que o ex-governador compartilhou um vídeo mostrando fantoches de Gilmar e do ministro Dias Toffoli discutindo sobre o escândalo do Banco Master.
Pouco tempo depois, o magistrado criticou, em entrevista ao Jornal da Globo a postura e o português de Romeu Zema.
“Todos nós que atuamos na vida pública temos que ter responsabilidade e não podemos fazer esse tipo de brincadeira”, começou Gilmar. “Ele [Zema] fala uma língua próxima do português, mas que é entendida como ofensiva e isso precisa ser aferido.”