segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Lula evita assumir compromisso sobre mulheres no 1º escalão de seu eventual governo

O ex-presidente Lula (PT), ao ser questionado sobre se comprometer a indicar mulheres para metade de seu ministério, afirmou que não assumiria esse compromisso.

Ele afirmou que indicará "as pessoas que tem capacidade para assumir determinados cargos".

"O que não dá é para assumir o compromisso numericamente. [...] Não vou assumir compromisso, porque se não for possível passarei por mentiroso", disse ele.

Já Simone Tebet (MDB) assumiu o compromisso. Disse ainda que pessoas envolvidas em corrupção, mesmo do seu partido, não serão ministras.

Pergunta sobre mulheres irritam bolsonaristas

As questões, sobretudo elaboradas por jornalistas na terceira parte do debate, foram reprovadas pelos apoiadores de Jair Bolsonaro (PL).

Na ala destinada ao PL, no lounge, candidatos como Adrilles Jorge e Daniel Silveira, além de Nikolas Ferreira, ironizavam a atuação dos jornalistas que queriam saber o papel reservado às mulheres em seus respectivos governos.

"Perguntar isso novamente", disse Adrilles.

Quando Lula pediu para ser solidário a Simone Tebet e a Vera Magalhães, Adrilles e Ferreira o acusaram de oportunista. "Virou palanque", disse Ferreira.

Bolsonaro é o pior do debate, e Tebet, a melhor, dizem eleitores

A candidata Simone Tebet (MDB) foi a candidata mais bem avaliada, enquanto Jair Bolsonaro (PL) foi considerado o presidenciável com o pior desempenho no primeiro debate presidencial, mostra pesquisa qualitativa realizada pelo Datafolha com eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou anular em outubro.

Com críticas a corrupção nos governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Tebet, quarta colocada na intenção de votos da última pesquisa Datafolha, foi a melhor avaliada por 43% dos entrevistados.

Já Bolsonaro teve o pior desempenho para 51% dos participantes. Em segundo, aparece Lula, com 21%.

O debate organizado por Folha, UOL e TVs Bandeirantes e Cultura reuniu Lula, Bolsonaro, Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Luiz Felipe d’Avila (Novo) e Soraya Thronicke (União Brasil) na noite deste domingo (28) na sede da Band em São Paulo.

A pesquisa qualitativa do Datafolha ouviu 64 pessoas, que foram separadas em três salas virtuais enquanto assistiam ao debate. Elas avaliaram a performance dos candidatos nos três blocos e, ao fim, elegeram quem se saiu melhor.

Segundo a última pesquisa Datafolha, realizada de 16 a 18 de agosto, 6% dos eleitores têm intenção de votar em branco ou nulo em outubro e 2% ainda não sabem em quem votar.

No primeiro bloco, quando candidatos responderam a uma pergunta sobre programas de governo e participaram de uma rodada de confrontos, Jair Bolsonaro teve a pior avaliação para 41% dos participantes. Já Lula foi considerado o pior para 21% dos presentes.

Durante o bloco, Bolsonaro atacou Lula sobre corrupção, enquanto o petista criticou o "abandono da educação" no atual governo.

Ciro Gomes e Simone Tebet tiveram o melhor desempenho entre eleitores, sendo indicados por 31%. Bolsonaro foi considerado o melhor por 11% e Lula, por 6%.

Ciro Gomes criticou o PT ao dizer que os problemas econômicos não começaram no governo Bolsonaro e atacou duramente Bolsonaro sobre suas recentes falas em relação à fome no Brasil. Na semana passada, o presidente questionou dados sobre o tema e disse que não havia "fome para valer" no país.

Tebet, por sua vez, afirmou que decretaria calamidade para criar crédito extraordinário para a saúde, a fim de atender a pacientes que permanecem com sequelas da Covid-19. "Rico não pode ter tratamento de saúde de excelência enquanto o pobre morre nos hospitais", afirmou.

Disse, ainda, que implementaria um programa de poupança para estudantes de R$ 5 mil anuais.

No segundo bloco, Tebet manteve a posição de melhor avaliada entre os indecisos e com intenção de votar em branco. Para 37%, ela se saiu melhor, seguida de Ciro Gomes, com 22%.

Bolsonaro foi apontado com o candidato com o pior desempenho para 45% dos entrevistados.

No segundo bloco, ele atacou a jornalista Vera Magalhães, da TV Cultura, ao afirmar que ela era uma "vergonha para o jornalismo brasileiro". Por vários minutos, foi criticado por Tebet e Soraya por sua postura machista.

Tebet aproveitou para levantar propostas paridade salarial entre homens e mulheres e dizer que foi ameaçada durante a CPI da Covid quando investigava a omissão do governo durante a pandemia.

Ela e o pedetista foram os mais bem avaliados nas suas respostas, com 73% e 71% de ótimo e bom, respectivamente. Lula recebeu 49% de ótimo e bom e 22% de ruim e péssimo.

No terceiro e último bloco, houve confronto direto entre os candidatos, com uma rodada de pergunta, resposta e tréplica, além de uma pergunta para cada um deles sobre o respectivo programa de governo.

"Houve corrupção e tentativa de comprar vacinas superfaturadas", disse Tebet referindo-se ao caso da Covaxin, ao responder Lula, que a questionou sobre a CPI da Covid. Na mesma resposta, ela destacou a corrupção do governo do petista.

A pesquisa do Datafolha deste domingo não é representativa da população brasileira e visa mostrar a percepção de eleitores indecisos sobre seu voto ou que pretendem votar em branco ou nulo em outubro.

A metodologia reuniu cerca de 30 eleitores não convictos dos três presidenciáveis mais bem posicionados nas pesquisas. São eleitores de Lula (PT), de Jair Bolsonaro (PL) e de Ciro Gomes (PDT). Além disso, foram incluídos eleitores indecisos de outros candidatos.

A amostra agregou homens e mulheres de 22 a 69 anos, moradores de todas as regiões, escolaridade variada, de ensino fundamental a superior e renda familiar mensal entre dois e 10 salários mínimos. Havia eleitores assalariados, autônomos, profissionais liberais, funcionários públicos, desempregados e estudantes.

Bolsonaro vira alvo principal de 1º debate, e Lula se esquiva sobre corrupção

No primeiro debate presidencial na TV, o presidente Jair Bolsonaro (PL) se tornou o alvo preferencial dos demais candidatos. O atual chefe do Executivo, por sua vez, mirou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se esquivou em pergunta sobre corrupção.

O tema central do debate foi o respeito às mulheres, arena em que Bolsonaro atua com desvantagem. O assunto foi levantado pelas candidatas mulheres, Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil), mas dominou as discussões a partir de um ataque do presidente à jornalista Vera Magalhães.

Além de Simone e Soraya, Ciro Gomes (PDT) e Lula se solidarizaram com Vera. O debate teve ainda a participação de Felipe D'Ávila (Novo).

O evento foi organizado em pool por Folha, UOL e TVs Bandeirantes e Cultura, e durou quase três horas. Lula e Bolsonaro foram os últimos a confirmar presença no debate —depois de dias de incertezas nas campanhas.

Segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada neste mês, Lula lidera com 47% das intenções de voto, ante 32% de Bolsonaro e 7% de Ciro.

Além dos duelos entre Lula e Bolsonaro, houve embate entre Ciro e o petista. Tebet foi uma das principais críticas do presidente no debate, mas tampouco poupou Lula. O chefe do Executivo manteve a calma nos enfrentamentos com adversários, mas se exaltou ao ser questionado por Vera sobre a vacinação.

"Acho que você dorme pensando em mim, você não pode tomar partido num debate como esse. Você é uma vergonha para o jornalismo", disse Bolsonaro a ela.

Tebet saiu em defesa da jornalista e também foi alvo de Bolsonaro. "A senhora é uma vergonha para o Senado, não vem com essa historinha de que eu ataco mulheres, de se vitimizar".

"Quando vejo o que aconteceu com a Vera, eu realmente fico extremamente chateada. Quando homens são tchutchucas como outros homens, mas vêm para cima da gente sendo tigrão. Eu fico extremamente incomodada, fico brava", disse Soraya.

Ciro também repreendeu o trato de Bolsonaro a mulheres. O pedetista lembrou a fala da fraquejada, enquanto Bolsonaro mencionou que Ciro já disse que a função de sua mulher, que era Patrícia Pillar na época, era dormir com ele. Ambos pediram desculpa, no debate, pelas declarações.

"Você corrompeu todas suas ex-esposas. Você corrompeu seus filhos, tendo prometido que ia acabar com a corrupção do PT", disse Ciro. "Você não tem coração", completou o pedetista, citando falas de Bolsonaro na pandemia.

Em suas considerações finais, Lula afirmou se solidarizar com Simone e "com a jornalista que foi agredida".

Mas, ao ser questionado sobre se comprometer a indicar mulheres para metade de seu ministério, Lula afirmou que não assumiria esse compromisso —enquanto Tebet declarou que assim o fará se eleita.

O candidato do PT afirmou que indicará "as pessoas que tem capacidade para assumir determinados cargos". "O que não dá é para assumir o compromisso numericamente. [...] Não vou assumir compromisso, porque se não for possível passarei por mentiroso."

Logo em sua primeira resposta, Bolsonaro criticou o que chamou de ativismo judicial e defendeu seu indulto ao deputado Daniel Silveira, condenado por ameaças a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). "Alguns ministros do STF querem a qualquer preço interferir no Poder Executivo", disse.

Em um momento de desabafo por ter sido o alvo prioritário, Bolsonaro questionou por que todos sentiam raiva dele. "Por que me atacar? Por que acabei com a harmonia da corrupção por aí?", declarou.

No primeiro embate direto entre candidatos, Bolsonaro perguntou a Lula se o petista queria voltar ao poder para continuar a corrupção na Petrobras.

"Era preciso ser ele a me perguntar e sabia que essa pergunta viria", disse Lula. O petista citou medidas anticorrupção e de transparência do seu governo.

Bolsonaro replicou mencionando a delação de Antonio Palocci e disse que o governo Lula foi feito "a base de roubo". "Seu governo foi o mais corrupto da história do Brasil", disse.

Lula rebateu afirmando que seu governo foi que gerou mais emprego, inclusão, investimento na educação e lucro para a Petrobras. Citou ainda o menor desmatamento na Amazônia e o assentamento de terras, num contraponto a Bolsonaro.

"O país que eu deixei é um país que o povo tem saudade", disse Lula, acusando Bolsonaro de "destruir o país" e "inventar números".

Lula e Bolsonaro voltaram a se enfrentar quando o tema foi o auxílio de R$ 600 —eles acusaram um ao outro de mentir e se comprometeram a manter o valor no ano que vem.

"A manutenção dos R$ 600 não está na LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias]. Existe uma mentira no ar", disse Lula. "O candidato adora citar números absurdos que nem ele acredita."

"Está no teu DNA, mentir e inventar números. [...] "Por que o PT não aumentou o Bolsa Família? Pagava uma miséria, porque só queria votos", retribuiu Bolsonaro.

Ciro, que voltou a apresentar a proposta de refinanciamento de dívidas, entrou em outro embate com Bolsonaro ao questionar o presidente a respeito da fome, depois que o mandatário disse que não havia quem pedisse pão no Brasil.

Bolsonaro culpou a pandemia pela piora na economia e lembrou que reduziu o ICMS dos combustíveis, além de ampliar o valor do Bolsa Família ao criar o Auxílio Brasil. "Alguns passam fome, sim, mas não com número exagerado."

O pedetista, então, afirmou ser preciso acabar com os "limites politiqueiros da política de renda" e defendeu seu programa de renda mínima Eduardo Suplicy, em homenagem ao petista.

Ciro também duelou com Lula em pergunta sobre a união da esquerda. O petista iniciou a resposta afirmando respeitar o adversário. "Sou grato ao Ciro, que esteve no governo comigo, em 2003 a 2006. Ele resolveu não estar conosco, sair com candidatura própria é direito dele", disse.

O pedetista, no entanto, afirmou que "Lula se deixou corromper" e atribui a agressividade do clima político também ao PT. Ele afirmou que o ex-presidente é um "é encantador de serpentes" e o responsabilizou por crise econômica.

"Você sabe que está dizendo inverdades a meu respeito. [...] Eu não fui para Paris [em 2018]. Eu fui absolvido nos 26 processos", rebateu Lula.

Tebet acabou sendo uma das principais críticas a Bolsonaro no debate. Ela questionou o presidente se ele tem raiva das mulheres.

Bolsonaro afirmou que as mulheres não devem ser defendidas só por serem mulheres e citou a primeira-dama Michelle Bolsonaro, a quem tem usado para atingir o eleitorado feminino.

"Me acusa sem prova nenhuma. [...] Fui o governo que mais sancionou leis pelas mulheres. [...] Não cola mais. [...] Chega de vitimismo, somos todos iguais", disse. "Faz política, fala coisa séria, não fica aqui fazendo mimimi", completou.

Tebet respondeu que Bolsonaro destila ódio e é uma fábrica de fake news.

"Não vi o presidente da República pegar a moto dele e entrar em um hospital para abraçar uma mãe", disse ela, lembrando sua participação na CPI da Covid e as suspeitas de corrupção em compras de vacinas.

A candidata do MDB também criticou Bolsonaro ao prometer respeito à Constituição e aos Poderes. "Temos radicalização e desarmonia em função de termos um presidente que ameaça a democracia a todo o momento, não respeita a impressa livre, a independência do Supremo, do Poder Judiciário e do Legislativo. Precisamos trocar o presidente da República", disse.

Lula perguntou a Tebet sobre a CPI da Covid, e ouviu da senadora que "houve corrupção, tentativa de comprar vacina superfaturada".

"A corrupção é fruto de governos passados, Esse governo teve corrupção, como lamentavelmente teve o governo de vossa excelência", emendou a emedbista em crítica ao PT.

Lula respondeu que seu governo valorizou a Polícia Federal e tinha mecanismos de transparência. "Hoje qualquer coisinha é sigilo de 100 anos", disse em referência a Bolsonaro.

Luiz Felipe d'Avila (Novo) afirmou que "não vive da política e nem de governo" e citou Romeu Zema (Novo), em Minas, como exemplo de governo. Ele defendeu "cortar desperdício da máquina pública" e afirmou que o "Estado caro e ineficiente atrapalha a vida de quem trabalha".

D'Avila disse a Lula parecer que o PT não gosta de empresários e do mercado —os dois, no entanto, concordaram a respeito da necessidade de preservar a Amazônia. "Temos que olhar o mercado com juízo, porque ele vai ajudar o Brasil na questão do meio ambiente", disse D'Avila.

O petista perguntou ao candidato do Novo sobre mudança climática e desmatamento com a intenção de desgastar Bolsonaro. "Tivemos um ministro [Ricardo Salles] que dizia deixa a boiada passar."

Em outra passagem, d'Avila afirmou ser um absurdo chamar o agronegócio de fascista, em crítica a Lula.

Soraya disse que não comparecer ao debate seria uma covardia, em referência a Lula e Bolsonaro, que ameaçaram não participar. Ela defendeu o imposto único federal e disse ter um projeto liberal "de verdade, não no gogó".

A candidata da União Brasil prometeu isentar todos os professores do imposto de renda.

"Quem tem que dizer que o SUS é bom ou não não somos nós, que não usamos esse serviço, mas quem está na fila", disse Soraya a Tebet em pergunta sobre saúde.

Soraya ainda criticou o uso da religião na política e comparou Lula a Bolsonaro. "Ddizíamos sempre que o PT nos separava para conseguir manipular e manobrar todo mundo, esse governo está fazendo a mesma coisa."

Em reunião com assessores de todos os candidatos ficou acertado que não haveria plateia no estúdio, mas acompanhantes assistiram o debate em uma sala à parte. No local, o deputado André Janones (Avante-MG), apoiador de Lula, e Ricardo Salles (PL), apoiador de Bolsonaro, partiram para uma briga e foram separados por seguranças.

Líderes nas pesquisas de intenção de voto, Lula e Bolsonaro não ficaram lado a lado no debate, como estava previsto em sorteio. Pouco antes do início do programa, a pedido da segurança das duas campanhas, a ordem foi mudada. Ciro foi às redes reclamar da alteração do posicionamento no palco.

O debate ocorre na mesma semana em que candidatos à Presidência foram sabatinados no Jornal Nacional, da TV Globo. Bolsonaro participou na segunda (22), Ciro na terça (23), Lula na quinta (25) e Tebet na sexta (26).

Simone Tebet lamenta polarização entre Lula e Bolsonaro em fala final

A candidata a presidente da República Simone Tebet (MDB) lamentou, em suas considerações finais no debate presidencial, a polarização entre o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Falando do passado, alimentando o ódio, dividindo as famílias e polarizando o Brasil", afirmou. "Triste o Brasil que tem que escolher entre o petrolão e mensalão do PT e o escândalo de corrupção da educação e do orçamento secreto do atual governo", disse. Segundo ela, seu governo irá acabar com a fome, miséria e discriminação.

Candidato ao Senado, Moro alfineta Lula: 'Não há corrupção do bem'

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Candidato ao Senado, o ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro (União Brasil-PR) alfinetou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao comentar sobre corrupção no governo do Petista.

"O Lula se esquivou das perguntas. O petrolão e o mensalão não foram casos simples de corrupção, foram esquemas de desvio de dinheiro público que visavam a um projeto de poder. No mensalão, acórdão do Supremo disse que era um esquema destinado à compra de apoio parlamentar ao governo do Lula. O petrolão era o loteamento político das estatais para arrecadação de suborno para enriquecimento ilícito de políticos e financiamento ilegal de partidos. Então não foi algo que o governo do PT investigou ou permitiu que investigasse. Não foram casos pontuais de corrupção. Foi um esquema de corrupção sistêmico", disse Moro em entrevista ao jornal Estadão.

"Não existe uma corrupção do bem e uma do mal", disse Moro ao se referir à declaração de Lula que afirmou que orçamento secreto é pior que o mensalão.

domingo, 28 de agosto de 2022

Tebet se sai melhor, e Bolsonaro pior no 2º bloco, aponta pesquisa qualitativa com eleitores

A candidata Simone Tebet (MDB) teve o melhor desempenho no segundo bloco do debate deste domingo, de acordo com pesquisa qualitativa realizada pelo Datafolha com 64 pessoas em tempo real. Já Bolsonaro foi o pior, repetindo a posição que teve no primeiro bloco.

A maioria dos participantes, 37% ao todo, apontaram Tebet como quem se saiu melhor, em segundo lugar ficou Ciro Gomes (PDT) com 22%.

Já Jair Bolsonaro (PL) foi apontado como quem se saiu pior por 45% dos entrevistados. Luiz Felipe d'Avila (Novo) foi o pior para 16% e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para 14%.

No segundo bloco, jornalistas fizeram perguntas aos postulantes e escolheram um segundo candidato para comentar a resposta do concorrente.

A pesquisa não é representativa da população brasileira e visa mostrar a percepção de eleitores indecisos sobre seu voto ou que pretendem votar em branco ou nulo em outubro. Os participantes foram divididos em três salas virtuais e responderam perguntas por meio de um aplicativo.

Os participantes também classificaram a resposta dos candidatos no segundo bloco, em uma escala de péssimo, ruim, regular, bom e ótimo.

Assim como no primeiro bloco, Tebet e Ciro foram os mais bem avaliados, com 73% e 71% de ótimo e bom, respectivamente. Ambos tiveram 8% de ruim e péssimo. Lula teve 49% de ótimo e bom e 22% de ruim e péssimo.

Bolsonaro teve a pior avaliação com 32% de ótimo e bom e 34% de péssimo e ruim.

Bolsonaro exalta Michelle e diz que Tebet estava 'escondidinha' na CPI da Covid

Ao ser criticado por ofender mulheres, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse na noite deste domingo, 28, no primeiro debate presidencial das eleições na TV, que a candidata Simone Tebet (MDB) estava "escondidinha" durante ataques às médicas Nise Yamaguchi e Mayra Pinheiro, que defenderam o tratamento precoce para covid-19, comprovadamente ineficaz contra a doença.

Tebet se destacou em discursos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. "Chega de vitimismo, somos todos iguais", declarou o candidato à reeleição, que tenta conquistar o voto feminino, já que as mulheres o rejeitam mais do que os homens, de acordo com pesquisas de intenção de voto.

Bolsonaro citou a primeira-dama Michelle, que entrou na campanha para tentar conquistar apoio no eleitorado feminino, e disse que seu governo foi o que mais sancionou leis que defendem mulheres. "Eu defendo as mulheres. Quando eu defendo a arma, em especial no campo, é para dar chance de a mulher se defender", afirmou.

O presidente também reforçou o discurso religioso, disse que ser contra o aborto, a legalização das drogas e reiterou que e "a favor da família". "Para com essa mania, faz política, fala coisa séria", afirmou Bolsonaro a Tebet.

Bolsonaro citou, ainda, o Auxílio Brasil e o microcrédito para tentar conquistar o voto feminino. O candidato à reeleição, que é mais rejeitado pelas mulheres que pelos homens, atacou a jornalista Vera Magalhães e a candidata Simone Tebet (MDB) durante o debate.

O presidente ressaltou que o Auxílio Brasil é direcionado principalmente ao público feminino e disse que o microcrédito ajuda mulheres a manter seus empreendimentos. Questionado sobre o fato de ter dito que o nascimento de sua filha Laura foi uma "fraquejada", o presidente disse que já havia se desculpado e se desculparia novamente.

Ao responder, Simone Tebet criticou Bolsonaro sobre sua postura na cadeira do Executivo nacional que, segundo ela, cria e divulga fake news. "Lugar de Presidência é lugar de exemplo, de coisa séria. Não podemos ter um presidente que mente, que cria fake news, que divide as famílias, que destila ódio, que agride da forma mesmo desrespeitosa, qualquer pessoa que de alguma forma lhe aponte a verdade", afirmou, no debate.

Ao ser acusada pelo atual presidente de defender as mulheres, mas não ter apoiado a médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi em sessão na CPI da Covid, em 2021, Tebet disse que a médica foi vítima de violência política.

"Não concordo com as ideias dela, mas ela foi vítima de violência. Liguei para a senadora Leila, que era aquela que estava no rodízio, e ela foi lá, e mesmo sendo oposição do atual presidente defendeu a doutora Nise, exigindo que ela fosse respeitada", declarou.

Tebet pergunta a Bolsonaro se ele tem raiva das mulheres

Em embate direto com Jair Bolsonaro (PL), Simone Tebet (MDB) perguntou "por que tanta raiva das mulheres".

Bolsonaro afirmou que as mulheres não devem ser defendidas só por serem mulheres e citou a primeira-dama Michelle Bolsonaro, a quem tem usado para atingir o eleitorado feminino.

"Me acusa sem prova nenhuma. [...] Fui o governo que mais sancionou leis pelas mulheres. [...] Não cola mais. [...] Chega de vitimismo, somos todos iguais", disse. "Faz política, fala coisa séria, não fica aqui fazendo mimimi", completou.

Tebet respondeu que Bolsonaro destila ódio e é uma fábrica de fake news. "Lugar da Presidência é lugar de exemplo, de coisa séria."

Bolsonaro, então defendeu uma agenda conservadora: a favor da propriedade privada, contra aborto e contra liberação das drogas.

Lula e Ciro trocam farpas após petista fazer afago inicial a pedetista

Em pergunta sobre a união da esquerda, Lula afirmou ter respeito por Ciro Gomes. "Sou grato ao Ciro, que esteve no governo comigo, em 2003 a 2006. Ele resolveu não estar conosco, sair com candidatura própria é direito dele", disse.

O pedetista, no entanto, afirmou que "Lula se deixou corromper" e atribui a agressividade do clima político também ao PT. Ele afirmou que o ex-presidente é um "é encantador de serpentes" e o responsabilizou por crise econômica.

"Você sabe que está dizendo inverdades a meu respeito. [...] Eu não fui para Paris. Eu fui absolvido nos 26 processos", rebateu Lula.

Bolsonaro se sai pior no 1º bloco, aponta pesquisa qualitativa com eleitores

O candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) teve a pior avaliação no primeiro bloco do debate deste domingo, de acordo com pesquisa qualitativa realizada pelo Datafolha com 64 pessoas em tempo real.

Ao todo, 41% dos participantes consideraram que Bolsonaro se saiu pior, enquanto 21% apontaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 16% Soraya Thronicke (União Brasil).

Já o candidato Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) tiveram o melhor desempenho, ambos foram apontados por 31% dos participantes como aqueles que se saíram melhor. Já Jair Bolsonaro (PL) foi apontado por 11% e Lula por 6%.

A pesquisa não é representativa da população brasileira e visa mostrar a percepção de eleitores indecisos sobre seu voto ou que pretendem votar em branco ou nulo em outubro. Os participantes foram divididos em três salas virtuais e responderam perguntas por meio de um aplicativo.

Os participantes também classificaram a resposta dos candidatos à primeira resposta do debate, feita pelos moderadores, em uma escala de péssimo, ruim, regular, bom e ótimo.

Os melhores avaliados foram Ciro e Tebet, que tiveram respectivamente 73% e 66% de ótimo e bom, enquanto Bolsonaro teve 26%. Bolsonaro teve 36% de ruim e péssimo; já Tebet e Ciro, 20% e 6%, respectivamente. Lula teve a terceira melhor avaliação: 61% de ótimo e bom e 14% de ruim e péssimo.