segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Wagner atribui derrota a 'onda Lula' e não descarta fazer campanha para Bolsonaro no 2º turno

Para o candidato do União Brasil, influência do ex-presidente foi muito maior do que a de Camilo Santana para vitória de Elmano de Freitas
Derrotado na corrida ao Governo do Ceará, o candidato Capitão Wagner (União Brasil) atribuiu a vitória de Elmano de Freitas (PT) no primeiro turno à influência do ex-presidente Lula, e não descartou apoiar o presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno do pleito nacional. A declaração foi dada por ele em pronunciamento após a consolidação do resultado no Estado. 

Com 99,89% das urnas apuradas no Ceará, Wagner foi apontado com 31,73% dos votos válidos no pleito ao Executivo Estadual. Elmano conquistou o primeiro lugar com 54,01%. 

"Quando a onda vem é difícil segurar. Assim como veio em 2018, veio uma onda inversa. A gente viu a situação na Bahia, com o ACM Neto com chance de vencer no primeiro turno ficar em uma situação muito difícil. O resultado em Fortaleza foi maravilhoso porque ganhamos aqui na Capital, a Kamila (Cardoso) superou as expectativas, tirando o dobro de votos do Roberto Cláudio, que era um candidato competitivo", disse Wagner.

"A gente atribui isso à 'onda Lula'. O Camilo tem o mérito dele de conduzir o Elmano, mas atribuo muito mais ao Lula, até porque a Kamila, com pouquíssimo tempo de campanha, teve um bom percentual e se tivesse mais tempo estaria disputando a vaga ao Senado", completou.

SEGUNDO TURNO NACIONAL
Sobre o cenário nacional, que terá a disputa em segundo turno entre Lula e Bolsonaro pela presidência, Wagner não descartou apoiar o candidato do PL. Contudo, ele ressaltou que ainda irá conversar com os líderes da legenda no Ceará para definir como deverá atuar na campanha do atual presidente.

Wagner ainda afirmou que deverá tirar alguns dias para descansar após o período de campanha.

"A gente vai conversar com o PL, com o Raimundo Matos, o Acilon e os líderes do partido, e no que eu puder contribuir na campanha de segundo turno, eu estou a disposição. Vou tirar alguns dias para descansar", declarou.

Wagner disse ainda ter vivido dias intensos, mas afirmuo que estará à disposição para contribuir com o cenário nacional "de forma muito tranquila, com argumentos, paz e tranquilidade para evitar que a militância venha se digladiar. O que pudermos fazer para termos uma eleição pacífica aqui no Ceará, eu vou fazer".

"Considero apoiar o presidente Bolsonaro, sim. Vou conversar com o PL, mas repito, vou ter uma postura de respeito. Eu amadureci muito para me apresentar como alguém mais pacífico e vamos mostrar isso nesse segundo turno, e nos próximos anos", completou Wagner.

LIGAÇÃO PARA OS RIVAIS 
O candidato do União Brasil também confirmou que irá ligar para os principais adversários de campanha para dar os parabéns pelo trabalho durante as últimas semanas. A lista inclui Elmano (PT) e Roberto Cláudio (PDT). 

Apesar da conduta amistosa, Wagner não poupou críticas ao próximo governador do Estado, dizendo se preocupar com uma repetição de cenário do que aconteceu na Prefeitura de Fortaleza. Ele fez referência direta à sucessão da administração municipal que culminou na eleição de José Sarto (PDT). 

"O que eu espero é que não aconteça o que aconteceu em Fortaleza, com o prefeito Sarto, eleito muito mais pelos padrinhos do que pela condição como gestor, e a gente viu que aconteceu a mesma coisa com o Elmano. Mas espero que o Elmano se sobressaia e ele seja algo mais do que o governador do Lula e do Camilo. Espero que ele possa se preparar nesses três meses e fazer um bom governo", disse. 

DN

Lula teve maioria dos votos em todos os municípios do Ceará

No Estado, o candidato do PT à presidência da República teve 65,90% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro, que tenta a reeleição, obteve 25,38%
Os candidatos à presidência do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), irão se enfrentar no segundo turno após o resultado das eleições, deste domingo (2), na qual receberam, respectivamente, 48,37% e 43,26% dos votos válidos. No Ceará, o cenário diferiu do nacional, e com quase 100% das urnas apuradas, Lula teve 65,90% dos votos válidos e Bolsonaro 25,38%. Lula venceu em todos os 184 municípios do Estado. 

Nesta eleição, Ciro Gomes (PDT) teve no Ceará, seu berço político, 6,80% dos votos válidos. O pior desempenho no Estado dentre todos os pleitos que o candidato concorreu à presidência. Nas disputas anteriores (em 1998, 2002 e 2018), Ciro foi o mais votado entre os presidenciáveis no Estado. 

Em 2018, Ciro Gomes teve no primeiro turno da eleição presidencial no Ceará 40,95% dos votos, Fernando Haddad (PT) 33,12% e Jair Bolsonaro (à época, no PSL) teve 21,74%. 

Já em 2022, em Fortaleza, Lula teve 53,20% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro obteve 35,17%, seguido por Ciro Gomes (PDT) 8,66% e Simone Tebet (MDB), com 2,02%. 

VEJA OS PERCENTUAIS DE VOTO RECEBIDOS POR CADA CANDIDATO NO CEARÁ: 
  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 65,90% 
  • Jair Bolsonaro (PL): 25,38% 
  • Ciro Gomes (PDT): 6,80%
  • Simone Tebet (MDB): 1,22% 
  • Soraya Thronicke (União Brasil): 0,45% 
  • Felipe D’ávila (Novo): 0,13% 
  • Padre Kelmon (PTB): 0,04% 
  • Sofia Manzano (PCB): 0,03%
  • Léo Péricles (UP): 0,02% 
  • Vera Lúcia (PSTU): 0,01% 
  • Eymael (DC): 0,01% 

VISITAS AO CEARÁ
Nos últimos meses, Lula esteve no Ceará em duas ocasiões. Uma em julho quando o diretório do PT Ceará oficializou as candidaturas de Elmano de Freitas para disputa ao governo do Ceará e de Camilo Santana ao Senado. 

Outro momento foi na reta final da campanha eleitoral, quando no dia 30 de setembro, Lula desembarcou no Ceará e percorreu as vias do Centro de Fortaleza para buscar alavancar a candidatura de Elmano a dois dias do primeiro turno.

Durante a campanha, Elmano que, neste domingo (2), foi eleito governador do Ceará, acionou de forma intensa a imagem e o apoio de Lula. 

Já Bolsonaro visitou o Estado ainda na pré-campanha, em julho, quando participou de uma motociata que partiu do antigo aeroporto Pinto Martins, com destino ao Aterro da Praia de Iracema, onde ocorreu a Marcha para Jesus.

Na campanha, uma visita de Bolsonaro ao Ceará chegou a ser anunciada pelo PL, mas o evento não se concretizou. No palanque local, embora Bolsonaro tenha declarado apoio ao candidato do União Brasil ao governo, Capitão Wagner, ele não teve destaque nas ações de Wagner. 

Lula, 77 anos, foi presidente do Brasil por dois mandatos, entre 2003 e 2011. Sua candidatura em 2022 foi possível após a Justiça Federal do Paraná anular, ano passado, todas as condenações que pesavam sobre ele. 

Bolsonaro, 67 anos, é o atual presidente brasileiro. Ele venceu as eleições em 2018 contra Fernando Haddad (PT), em um momento em que as pautas da corrupção e dos costumes eram os principais desconfortos do eleitorado.

DN

12 deputados estaduais do Ceará não foram reeleitos; veja quem são

Foto: Dario Gabriel/AL-CE
São 46 deputados estaduais eleitos no Ceará
O Ceará decidiu renovar cerca de 26% das cadeiras da Assembleia Legislativa. Dos 46 assentos, 12 deles serão ocupados por novas lideranças do Estado.

Parlamentares com diversos mandatos na Casa ficaram de fora da próxima legislatura. Algumas mudanças na legislação eleitoral podem ter impactado no resultado deste ano.

CONFIRA A LISTA DOS NÃO REELEITOS
Antonio Granja (PDT): 49.581 mil
Audic Mota (MDB): 54.886 mil
Bruno Pedrosa (PDT): 51.620 mil
Heitor Férrer (União): 33.915 mil
Leonardo Araújo (MDB): 46.777 mil
Nizo (PT): 37.110 mil
Tin Gomes (PDT): 35.075 mil
Duquinha (Republicanos): 30.238 mil 
Tony Brito (União): 32.486 mil 
Acrisio Sena (PT): 30.653 mil 
Gordim Araujo (PSDB): 30.357 mil 
Walter Cavalcante (PV): 28.658

MUDANÇAS
Na disputa eleitoral deste ano, uma mudança crucial na concorrência pelas vagas foi implementada pela Jutiça eleitoral: o fim das coligações.

Em 2022, os partidos se lançaram sem alianças para concorrer pelas vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

A mudança no formato acabou exigindo um novo conjunto de estratégias partidárias para conquistar o maior número de cadeiras possíveis.

DN

domingo, 2 de outubro de 2022

Mulher morre e quatro pessoas ficam feridas após serem baleadas pela PM no Ceará

Carolaine de Sousa Pimentel morreu após ser baleada pela PM na zona rural de Meruoca
Uma mulher morreu e quatro pessoas ficaram feridas após serem baleadas pela Polícia Militar durante uma ocorrência no distrito de Palestina, na cidade de Meruoca, interior do Ceará, na noite deste último sábado (1º).

Conforme a Polícia Militar, os agentes foram acionados para uma ocorrência de perturbação do sossego alheio na zona rural do município. No local, os militares informaram que houve resistência à abordagem e populares foram para cima da composição.

Na ocasião, os agentes realizaram disparos de arma de fogo, atingindo cinco pessoas. As vítimas foram socorridas, mas Carolaine de Sousa Pimentel não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

Ainda segundo a PM, após a ocorrência os militares se apresentaram à Delegacia Regional de Sobral, onde os agentes que participaram da ação tiveram as armas recolhidas e um inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias do fato. Além disso, os policiais foram afastados da atividade operacional.

Veja a lista dos 46 deputados estaduais eleitos no Ceará

Com 95% das urnas no Ceará já apuradas, a lista de 46 deputados estaduais que assumirão um novo mandato a partir de 2023 começou a ser definida. Os candidatos eleitos passarão a integrar a Assembleia Legislativa pelos próximos 4 anos, mas a lista ainda pode sofrer alterações após a conclusão da apuração.

A lista, que contou com nomes tradicionais do cenário político no Estado, também contou com algumas novidades em 2022.

Entre as atribuições dos deputados estaduais está a fiscalização de gastos do Governo do Estado, que teve Elmano de Freitas (PT) eleito em primeiro turno.

CONFIRA A LISTA DE DEPUTADOS ESTADUAIS ELEITOS EM 2022:

Carmelo Neto (PL)
Marta Gonçalves (PL)
Fernando Santana (PT)
Evandro Leitão (PDT)
Sergio Aguiar (PDT)
Renato Roseno (PSOL)
Gabriella Aguiar (PSD)
Romeu Aldigueri (PDT)
Dra Silvana (PL)
Zezinho Albuquerque (PP)
Pr. Alcides Fernandes (PL)
David Durand (Republicanos)
Cláudio Pinho (PDT)
Osmar Baquit (PDT)
Guilherme Landim (PDT)
João Jaime (PP)
Antonio Henrique (PDT)
Marcos Sobreira (PDT)
Jeová Mota (PDT)
Agenor Neto (MDB)
Queiroz Filho (PDT)
De Assis Diniz (PT)
Moises Braz (PT)
Oriel Filho (PDT)
Danniel Oliveira (MDB)
Firmo Camurça (União Brasil)
Salmito (PDT)
Davi de Raimundão (MDB)
Leonardo Pinheiro (PP)
Alysson Aguiar (PC do B)
Dr. Lucílvio Girão (PSD)
Luana Ribeiro (Cidadania)
Jô Farias (PT)
Julinho (PT)
Oscar Rodrigues (União Brasil)
Juliana Lucena (PT)
Missias do MST (PT)
Sargento Reginauro (União Brasil)
Larissa Gaspar (PT)
Dep Fernando Hugo (PSD)
Felipe Mota (União Brasil)
Guilherme Sampaio (PT)
Apóstolo Luiz Henrique (Republicanos)
Emilia Pessoa (PSDB)
Lucinildo Frota (PMN)
Stuart Castro (Avante)

Diario do Nordeste

Saiba quem são os 22 deputados federais eleitos pelo Ceará em 2022

Com 95,99% das urnas apuradas no Ceará, confira a lista dos 22 deputados federais eleitos no estado. Devido aos cálculos eleitorais e a ainda não finalização da apuração, pode haver mudanças até o encerramento da contagem.

A bancada cearense é composta por 22 parlamentares com mandato pelos próximos quatro anos.

VEJA LISTA COMPLETA DOS DEPUTADOS FEDERAIS ELEITOS PELO CEARÁ EM 2022:

1- André Fernandes (PL)
2 - Júnior Mano (PL)
3 - Célio Studart (PV)
4 - Luiziane Lins (PT)
5 - Idilvan Alencar (PDT)
6 - Zé Guimarães (PT)
7 - Eunício Oliveira (MDB)
8 - Domingos Neto (PSD)
9 - Matheus Noronha (PL)
10 - AJ Albuquerque (PP)
11 - Robério Monteiro (PDT)
12- Mauro Benevides Filho (PDT)
13 - Fernanda Pessoa (União)
14 - Ronaldo Martins (Republicanos)
15 - André Figueiredo (PDT)
16 - Eduardo Bismark (PDT)
17 - Moses Rodrigues (União)
18 - Luiz Gastão (PSD)
19 - Yuri do Paredão (PL)
20 - Danilo Forte(União)
21 - José Airton (PT)
22 - Dr. Jaziel (PL)

O que faz um deputado federal?
Os deputados federais são responsáveis por redigir e aprovar leis, além de fiscalizar o poder executivo, acompanhando a atuação do presidente da República.

Um exemplo da fiscalização é a criação das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), que possuem o caráter de investigação da ação do executivo.

Ao todo, são 513 deputados federais de todos os estados na Câmara dos Deputados

Diario do Nordeste

Lula e Bolsonaro vão disputar 2º turno

Foto: Reprodução
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno da eleição presidencial. A rodada final será no próximo dia 30.

Com quase 97% das urnas apuradas neste domingo (2), o petista estava se aproximava de 48%, ante quase 44% de Bolsonaro, que registrou um desempenho superior ao que previam as pesquisas encerradas na véspera, comandando uma onda de bons resultados de seus aliados nos estados.

Viu reeleitos parceiros em Minas e Rio e viu seu indicado chegar ao segundo turno com o PT em São Paulo, para ficar nos três maiores colégios do país. Já Lula terá de modular sua campanha, baseada até aqui no apelo aos mais pobres, metade do eleitorado, em detrimento à classe média que parece ter se mobilizado em torno do presidente como em 2018.

Assim, a campanha eleitoral será reordenada e, provavelmente, a agressividade vista no debate presidencial da TV Globo na última quinta (29) poderá ganhar novos patamares. A realização do segundo turno mostra que ambos os times rivais esgotaram o arsenal utilizado até aqui.

No caso de Lula, fracassou a busca pelo voto útil. Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) tinham, até as 21h30, cerca de 4% e 3% dos votos válidos, respectivamente.

A arma utilizada pelo petista foi o discurso de que mais um mês de campanha poderia trazer riscos de violência eleitoral, quando não institucionais, exacerbados. De mais a mais, a fortaleza do ex-presidente é um voto que se mostrou impermeável a sangrias até aqui, entre os mais pobres e entre moradores do Nordeste, para ficar em grandes grupos -metade do eleitorado para o primeiro, 27% para o segundo.

Dada a animosidade entre Ciro e Lula, é provável que o pedetista repita 2018, quando outra vez caiu no primeiro turno, e não apoie ninguém. A isonomia também é esperada de Tebet, mas nada disso é central para a definição dos eleitores -1 em cada 5 apoiadores dos dois diziam que poderiam aderir ao voto útil.
Contra Bolsonaro, no segundo turno há o fator da grande rejeição ao ex-presidente apontada nas pesquisas.

Sua principal e mais óbvia investida foi sobre o eleitorado de menor renda e da chamada classe média baixa. Reinventou o Bolsa Família lulista como Auxílio Brasil e o reajustou para R$ 600, além de promover uma série de benesses pontuais a categorias aliadas, como os caminhoneiros. Mais importante, interveio na política de preços da Petrobras para conseguir sucessivas reduções no valor dos combustíveis.

Não deu certo entre os mais pobres, que ganham menos de 2 salários mínimos, embora tenha sido exitoso no segmento imediatamente acima. Agora, observadores se questionam se há alguma medida a ser tirada da manga, como sempre há nos gabinetes de Brasília, mas a dúvida sobre eficácia está instalada.

Na outra ponta, a da imagem, Bolsonaro manteve ao longo da disputa sua campanha contra o sistema eleitoral que o gestou, além de insistir em insinuações golpistas e num apoio que não tem no serviço ativo das Forças Armadas para gestos de ruptura. O que não quer dizer que não poderá tentar, em especial se seguir o manual de sedição deixado pelo seu ídolo, o ex-presidente americano Donald Trump.

Pelo roteiro, a contestação das urnas seria seguida por um levante bolsonarista nas ruas, cujo ensaio teria ocorrido nas manifestações do 7 de Setembro. O desenho não é de fácil execução, embora os episódios de violência ao longo da campanha mostrem que há espaço para bastante confusão.

Mas mesmo isso Bolsonaro teve de modular, sob pressão de seus aliados mais políticos. Notadamente, não fez nenhuma ameaça do tipo no debate da Globo, de olho nos eleitores mais conservadores centristas que aderiram a ele em nome do antipetismo e da antipolítica prevalentes em 2018.

Por outro lado, o figurino radical seguiu sendo usado, como forma de manter a fatia grande do eleitorado que o apoia nesta eleição, desde o começo de caráter plebiscitário -a anemia da dita terceira via de se viabilizar e o renovado fracasso de Ciro em sua quarta postulação são monumentos a essa realidade.

O problema para Bolsonaro é a distância a solidez de sua rejeição, que sempre ficou acima de 51% desde que o Datafolha começou a medir esta corrida, em maio do ano passado. Na pesquisa divulgada no sábado (1º), estava em 52%, um Everest político a ser escalado em meio a uma nevasca.

Se a tendência se mantiver, é possível especular que o Bolsonaro golpista volte a predominar, não tanto pelo risco de ser bem-sucedido, mas porque o presidente precisa manter galvanizada sua base de apoio para tentar repetir Trump e ocupar a vaga de principal desafiante do novo governo já de saída.

Para Lula, o raciocínio é semelhante: manter a distância já lhe bastará, uma vez que também lida com uma rejeição volumosa, na casa dos 40%. Seu desafio será responder com mais objetividade ao que tem fugido durante toda a campanha: o que de fato irá fazer em termos econômicos e na relação com o Judiciário.

Nesse sentido, o apoio dado por dois antigos algozes do PT em julgamentos como o do mensalão, os ex-ministros do STF Joaquim Barbosa e Celso de Mello, apontam para uma acomodação. Mas aliados lembram que o petista ficou 580 dias na cadeia, e há ressentimentos que podem emergir na forma de conflitos. Um bom teste, caso vença, será a escolha de dois nomes para compor a corte em 2023.

Antes disso, contudo, Lula tem de chegar lá. Seu caminho parecia menos acidentado do que o de Bolsonaro, mas a história política recente do Brasil aconselha prudência antes de vaticínios, como o desempenho do bolsonarismo pelo país neste domingo mostra.

Um carioca desconhecido em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desalojou 27 anos de PSDB no poder do segundo turno contra o PT. No Rio, o bolsonarismo está reeleito na figura de Cláudio Castro (PL), e o filobolsonarista Romeu Zema (Novo) conseguiu o mesmo em Minas, fechando assim o quadro no Sudeste, região mais populosa do país.

Fonte: Folhapress

Número de urnas substituídas sobe para 1.420 em todo o país

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A substituição de urnas é um procedimento normal a cada eleição
No segundo boletim divulgado neste domingo (2), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que em todo o país 1.420 urnas eletrônicas precisaram ser substituídas após apresentaram algum tipo de mau funcionamento.

A substituição de urnas eletrônicas é um procedimento normal a cada eleição, e a Justiça Eleitoral já prepara previamente milhares de equipamentos que podem ser colocados em operação de imediato.

Como última opção, caso não seja possível substituir a urna eletrônica por outra, é possível que seja adotada a votação manual, com cédulas de papel. Até o momento, isso não foi necessário em nenhuma seção eleitoral do país, informou o TSE.

No total, a Justiça Eleitoral mobilizou mais de 535 mil urnas eletrônicas, das quais 63.185 são de contingência, ou seja, ficam de reserva para serem acionadas em caso de necessidade. As 401 substituídas até o momento representam 0,27% do total.

Neste ano, pela primeira vez, todas as seções eleitorais do Brasil ficam abertas das 8h às 17h no horário de Brasília. Nas localidades com outro fuso horário, portanto, o horário é adaptado de acordo com o horário local.

Eleitor é preso por colar teclas de urna eletrônica em Campo Grande

Um eleitor, identificado como Gabriel Scherer da Costa, de 22 anos, foi preso por colar as teclas de uma urna eletrônica com cola instantânea e de alta resistência, em uma seção eleitoral da faculdade Estácio de Sá, em Campo Grande, neste domingo (2). O jovem conseguiu sair do local de votação antes de ser descoberto, mas foi preso pela Polícia Federal pouco tempo depois na própria casa.

De acordo com o juiz eleitoral, Luiz Felipe Medeiros, o crime foi revelado após o eleitor sair da sala de votação. “O eleitor saiu e o eleitor seguinte que foi votar constatou que os teclados estavam colados, por isso não foi possível o eleitor votar”, informou.

Segundo o magistrado, imediatamente a urna eletrônica foi substituída e a votação prosseguiu normalmente, após um período de paralisação. O suspeito foi identificado e a Polícia Federal acionada para apurar o caso.

“A equipe da Polícia Federal já está presente aqui no local com a identificação do eleitor e vai iniciar essa investigação e a apuração desse crime eleitoral que ocorreu aqui”, afirmou o juiz. A urna danificada foi encaminhada pela Polícia Federal para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

G1

Ministério da Justiça contabiliza 275 crimes eleitorais e 121 prisões

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Houve apreensão de R$ 1,8 milhão
O Ministério da Justiça e Segurança Pública já contabiliza 275 crimes eleitorais em todo o país. Deste total, 121 resultaram em prisões; e R$ 1,8 milhão apreendido, no total até agora. Seis armas foram apreendidas. Os números, divulgados pouco antes das 9h, constam do boletim da Operação Eleições 2022.

O estado com maior número de ocorrências é o Rio de Janeiro, com 27 casos, seguido do Amapá (26), Goiás e Roraima (ambos com 21 ocorrências), Sergipe (19) e Acre (11). Na sequência, Amazonas e São Paulo registraram 11 e 10 ocorrências, respectivamente, seguidos de Minas Gerais e Paraná, com 9 ocorrências cada.

Até o momento, o crime eleitoral mais praticado, segundo o boletim, é o de “compra de votos/corrupção eleitoral”, com 97 registros. Crimes de boca de urna somam oito ocorrências; e transporte irregular de eleitores, sete casos.

Das 121 prisões ocorridas, 23 foram em Roraima; 16 no Amapá; 12 no Espírito Santo; e 11 no Acre e na Paraíba. Outras 10 prisões foram feitas no Amazonas. Dos 58 crimes comuns ocorridos nos locais de votação, 55 foram praticados contra candidatos.

O ministério já contabiliza, em todo país, 33 casos de incidentes de segurança pública e defesa civil: 15 em Minas Gerais; oito no Rio Grande do Sul; seis em Pernambuco; e um no Amazonas. Houve também seis casos relatados de falta de energia (cinco em Minas Gerais e um no Amazonas).

A Operação Eleições conta com a participação de representantes institucionais das 27 unidades federativas; do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); das Polícias Civis e Militares; da Polícia Federal; da Polícia Rodoviária Federal (PRF); dos Corpos de Bombeiros Militares; do Ministério da Defesa; da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); das Secretarias de Segurança Pública e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).