terça-feira, 14 de abril de 2026

RN: Prefeito de Cabedelo é afastado em operação da PF que investiga desvio de R$ 270 milhões e elo com facção criminosa após vencer eleição suplementar

O prefeito de Cabedelo (PB), Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo durante uma operação da PF (Polícia Federal) na Paraíba, deflagrada na manhã desta terça-feira (14).

A ação apura um suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível financiamento de organização criminosa com atuação no município da Região Metropolitana de João Pessoa

Edvaldo Neto havia sido eleito no último domingo (12), em eleição suplementar convocada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba após a cassação dos mandatos do então prefeito André Coutinho e da vice-prefeita Camila Holanda. Antes disso, ele já ocupava interinamente a chefia do Executivo municipal, após renunciar à presidência da Câmara de Vereadores em dezembro do ano passado.

Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta a atuação de um grupo suspeito de direcionar contratos públicos a empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas à facção “Tropa do Amigão”, citada pela corporação como braço do CV (Comando Vermelho).

De acordo com os investigadores, o esquema envolvia a infiltração de integrantes da organização criminosa na estrutura da prefeitura, além da utilização de contratos administrativos para assegurar influência territorial, viabilizar a circulação de recursos públicos e garantir proteção institucional.

Ainda conforme a investigação da PF, o grupo seria formado por agentes políticos, empresários e integrantes da organização criminosa, que atuariam de forma articulada na manutenção de contratos de alto valor e na distribuição de vantagens indevidas. Segundo estimativas dos órgãos de controle, o valor sob suspeita pode chegar a R$ 270 milhões.

“A investigação revelou um consórcio entre agentes políticos da alta cúpula do município, empresários e integrantes de organização criminosa, voltado à perpetuação de contratos milionários e à distribuição de vantagens ilícitas”, informou a PF em nota.

A operação, batizada de “Cítrico”, é realizada em conjunto pela Polícia Federal, pelo Ministério Público da Paraíba, por meio do Gaeco, e pela Controladoria-Geral da União. Ao todo, estão sendo cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como o afastamento do prefeito e de outros servidores públicos.

Segundo agentes da PF, as medidas têm como objetivo aprofundar a coleta de provas, evitar interferências na apuração e interromper a continuidade das condutas sob investigação.

A investigação segue em andamento. Até o momento, não houve manifestação da defesa do prefeito afastado. 

Blog do João Marcolino

Psicólogo acusado de matar 17 gatos é condenado a 9 anos de prisão

Foto: Reprodução
O psicólogo Pablo Stuart Fernandes Carvalho, acusado de m4tar pelo menos 17 gatos, foi condenado a nove anos de prisão, por m4us-trat0s de animais.

Pela gravidade dos atos cometidos pelo criminoso, a pena seria de mais de 46 anos de reclusão em regime fechado. A justificativa do juiz responsável pelo caso, no entanto, seria de que a pena tem que ser “proporcional, adequada e justa”.

“Cabe relembrar que não há nenhuma prova de que o réu tenha efetivamente m4tad0 algum felino ou que algum gato tivesse m0rr1do em seu apartamento, até porque a Polícia Civil não pediu busca e apreensão, não diligenciou no apartamento do denunciado e também não acompanhou as cuidadoras quando solicitado”, disse o magistrado.

O caso veio à tona há pouco mais de um ano. Em 12 de março de 2025, a Polícia Civil recebeu denúncias de protetoras de animais que afirmaram que Stuart t0rtur4va até a m0rt3 os felinos. Ele chegou a ser preso no fim de março do ano passado, mas foi solto sete meses depois. O processo correu na 1ª instância, que agora definiu a condenação de Pablo.

O advogado de Stuart disse que acredita na inocência de seu cliente, e que ela “será devidamente demonstrada no momento oportuno, especialmente por ocasião das alegações finais, quando todos os elementos constantes nos autos serão analisados de forma técnica e criteriosa”.

Juliana Campos, integrante do grupo Justiça pelos Tigrados, disse que o grupo celebrou a decisão, mas que acredita que a Justiça ainda não foi feita. “Recebemos essa sentença esperançosos de que seja um primeiro passo, pois nós vamos recorrer. Já é uma vitória para a causa animal. Mas se a pena mínima para cada caso de m4us-trat0s é de 2 a 5 anos, que ele tivesse aplicado a pena mínima para cada gato. São 17 gatos, o que renderia 34 anos de prisão. E é por isso que nós vamos lutar e recorrer desta decisão”, disse.

Por Isabella Wagner, Francisco Dutra/Metrópoles

Flávio venceria Lula no 2º turno por 48% a 42,6%, aponta pesquisa

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Marcelo Camargo/Agência Brasil
O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) venceria o presidente Lula (PT) em eventual segundo turno, de acordo com pesquisa Futura/Apex divulgada nesta terça-feira (14).

No levantamento, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece com 48% das intenções de voto, enquanto o petista acumula 42,6%.

METODOLOGIA: A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em todo o país, entre os dias 7 e 11 de abril, por meio de entrevistas telefônicas assistidas por computador. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%.

CNN

Colisão entre duas carretas é registrada no interior do Ceará nesta terça-feira (14)

Uma colisão envolvendo duas carretas foi registrada na manhã desta terça-feira, 14, na BR-116, nas proximidades do Hospital do Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte. O acidente causou grande movimentação no trecho, mas resultou apenas em danos materiais.

Segundo informações preliminares, uma das carretas colidiu na traseira da outra. Ninguém se feriu com gravidade. Equipes do SAMU e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) estiveram no local para prestar atendimento e organizar o tráfego.

Lombadas recentemente implantadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no trecho podem ter contribuído para o acidente. A hipótese levantada é de que a redução brusca de velocidade tenha provocado a colisão traseira entre os veículos de carga.

Durante o atendimento à ocorrência e a remoção dos veículos, o fluxo na rodovia apresentou lentidão. A PRF orientou os motoristas que passaram pelo local.

A Polícia Rodoviária Federal deve apurar as circunstâncias do acidente para confirmar as causas da colisão.

Mulher morre após ataque de cão da raça pitbull na zona rural de Bacabal (MA)

Uma mulher morreu ontem após ser atacada por um cão da raça pitbull dentro de casa, no povoado Cordeiro, zona rural de Bacabal. O caso ocorreu na BR-316 e mobilizou equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

A vítima, identificada como Mara, trabalhava como caseira em uma fazenda da região. Segundo informações preliminares, ela foi atacada pelo próprio animal na residência onde morava e não resistiu aos ferimentos.

O marido da vítima, conhecido como "Jacaré", encontrou a mulher já sem vida ao retornar do trabalho. Para se proteger, ele precisou se trancar em um quarto e pedir socorro enquanto o cão permanecia na residência.
Acionadas para a ocorrência, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros relataram que, devido à agressividade do animal e ao risco apresentado às equipes, foi necessário abatê-lo para que o resgate pudesse ser realizado.

A ocorrência causou comoção na região e levantou discussões sobre segurança no manejo de animais de grande porte. O caso deve ser apurado pelas autoridades competentes.

LR Notícias

Homem em situação de rua é resgatado após ficar preso em cacimba no interior do Ceará

Um homem em situação de rua foi resgatado na segunda-feira, 13, após ficar preso dentro de uma cacimba em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo relatos, ele costumava utilizar o local para banho e acabou sem conseguir sair quando o nível da água baixou. Para não afundar, permaneceu agarrado ao motor de bombeamento.

O resgate ocorreu com ajuda de um motorista de aplicativo que ouvia gritos de socorro nas proximidades da Câmara Municipal. O condutor acionou agentes de saúde que passavam pela região. Utilizando uma mangueira de forma improvisada, o grupo auxiliou o homem a escalar a estrutura da cacimba. Ele saiu sem ferimentos aparentes.

Após ser retirado, o homem deixou o local e tomou destino desconhecido. Não foi necessário acionar o Corpo de Bombeiros nem atendimento médico.

A identidade da vítima não foi confirmada e informações sobre sua rotina não foram oficialmente atestadas pelas autoridades.

LR Notícias

Empresário morre após ser atacado por boi de estimação na zona rural de Teresina/PI

Um caso de grande repercussão foi registrado na zona rural Sul de Teresina. O empresário Francisco Lopes, de 53 anos, conhecido como “Catita”, morreu após ser atacado pelo próprio boi de estimação.

O animal, chamado Rodolfo, tinha cerca de 8 anos e pesava aproximadamente 250 quilos. Criado desde filhote pelo empresário, o boi passou a apresentar comportamento agressivo nos últimos meses, segundo moradores da região.
De acordo com familiares, o animal já vinha dando sinais de perigo. O primo da vítima, Luís Ribeiro, relatou que o boi chegou a atacar um carro de uma equipe de energia elétrica que realizava manutenção no local. Antes do ataque fatal, o animal também já havia ferido ao menos duas pessoas, incluindo a filha do empresário.

No dia do ocorrido, Catita foi atingido com chifradas na região do abdômen e sofreu ferimentos gravíssimos. Ele chegou a ser socorrido e levado a uma unidade de saúde, mas não resistiu e morreu dias depois.

Diante do risco, moradores da comunidade decidiram que o animal deve ser abatido para evitar novos ataques. Até que isso aconteça, a orientação é que ninguém se aproxime da área onde o boi está.

LR Notícias

Vídeo: Bandido tenta roubar loja e atira em si mesmo

Um indivíduo se feriu ao atirar acidentalmente na própria perna enquanto tentava assaltar uma loja no bairro Juliana, em Belo Horizonte, na terça-feira (11/02). O momento foi flagrado por câmeras de segurança do estabelecimento.

Nas imagens, três criminosos rendem funcionários e roubam roupas e acessórios. No momento da fuga, um dos suspeitos tenta guardar a arma na cintura, mas dispara contra si mesmo. Ele foi localizado pela polícia no Hospital Municipal de Contagem, onde está sob escolta. 

Outro envolvido foi preso no bairro Estrela Dalva, e um terceiro segue foragido.

Jovem morre e irmão fica ferido após acidente entre motos durante manobra de “grau” no Ceará

Foto: Reprodução/ Internet
O acidente aconteceu enquanto os dois participavam de um chamado “treino de grau”, prática em que motociclistas realizam manobras equilibrando o veículo em apenas uma roda
Um jovem de 24 anos morreu e o irmão ficou ferido após uma colisão frontal entre motocicletas registrada na tarde do último domingo (12), no município de Jaguaribe, no interior do Ceará. O acidente aconteceu enquanto os dois participavam de um chamado “treino de grau”, prática em que motociclistas realizam manobras equilibrando o veículo em apenas uma roda.

As vítimas foram identificadas como Alisson Fidelis da Silva, que morreu ainda no local, e Anderson Fidelis da Silva, que foi socorrido com ferimentos. Ele sofreu uma fratura em um dos membros inferiores e foi encaminhado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região.

De acordo com informações policiais, equipes da Polícia Militar foram acionadas após a colisão frontal entre as motocicletas no Conjunto Industrial, área próxima a um posto da Polícia Rodoviária Federal. O impacto da batida foi forte e mobilizou também equipes da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), responsáveis por coletar evidências que devem auxiliar na investigação.

O corpo de Alisson foi encaminhado para o município de Iguatu, onde ele residia. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social informou que o caso é tratado como morte acidental no trânsito. As circunstâncias do acidente seguem sendo apuradas pela Delegacia de Polícia Civil de Jaguaribe.

Prática de “grau” é infração gravíssima e pode gerar prisão
O chamado “grau”, apesar de popular entre jovens e frequentemente compartilhado nas redes sociais, é considerado uma infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A legislação proíbe conduzir motocicletas realizando malabarismos ou equilibrando-se em apenas uma roda, prevendo multa e suspensão do direito de dirigir.

Quando a prática ocorre em contextos como exibição, competições não autorizadas ou os chamados “rachas”, o caso pode ser enquadrado no artigo 308 do CTB. Nesses casos, a pena pode chegar a três anos de detenção, além de multa e proibição de obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Se houver agravantes, como lesão corporal grave ou morte, as punições podem ser ainda mais severas, com aumento do tempo de reclusão. Especialistas em trânsito alertam que esse tipo de manobra, além de ilegal, representa alto risco tanto para os praticantes quanto para outras pessoas.

Redes sociais e cultura do risco entre jovens
Nas redes sociais, os irmãos compartilhavam com frequência vídeos e imagens realizando manobras com motocicletas, incluindo o “grau”. Anderson, inclusive, acumulava mais de 100 mil seguidores em seu perfil, onde publicava conteúdos relacionados à prática.

O crescimento desse tipo de conteúdo digital tem contribuído para a popularização das manobras, especialmente entre jovens, muitas vezes sem a devida percepção dos riscos envolvidos. Embora alguns grupos afirmem realizar encontros em locais afastados e com uso de equipamentos de proteção, nem sempre há fiscalização ou garantia de segurança adequada.

No caso do acidente em Jaguaribe, não há confirmação se as vítimas utilizavam equipamentos de proteção no momento da colisão.  A investigação segue em andamento e deve esclarecer as circunstâncias exatas da colisão.

GCMais

Decisão judicial expõe dívida de R$ 10 milhões de loteamento de luxo em Jericoacoara

Gran Vellas Jeri está sendo construído em terreno de disputa judicial.
Foto: Gran Vellas Jeri/Divulgação.
Antigos proprietários do terreno reivindicam valores; atuais donos reclamam que parte da área está ocupada.
Os antigos proprietários do terreno onde está sendo construído o loteamento de luxo Gran Vellas Jeri, em Jijoca de Jericoacara, acusam a empresa responsável pelo empreendimento de ter pago apenas R$ 1,5 milhão dos R$ 11,5 milhões acordados na venda do imóvel, realizada em setembro de 2021. 

Antes de ser adquirido pela Gran Vellas Urbanismo, Construções e Loteamento Ltda, o terreno pertencia ao casal de portugueses José Dionísio Alves e Maria de Jesus da Conceição Alves, residentes em Portugal. O casal relata ter buscado, ao longo dos últimos cinco anos, sem sucesso, receber o restante da dívida de forma amigável.

Em 2023, contudo, foi a própria Gran Vellas quem tomou a iniciativa judicial, processando o casal sob a alegação de que o imóvel não havia sido entregue "livre e desimpedido" porque cerca de 3,6 hectares estariam ocupados por terceiros com moradias, supostamente inviabilizando o projeto. 

A empresa também alegou que os vendedores teriam violado uma cláusula de confidencialidade ao tratar de assuntos do contrato com pessoas não autorizadas.

Em entrevista, o advogado Klaus Borges afirmou que a empresa não reconhece a dívida no valor alegado pelos antigos proprietários e que já teria sido pago aproximadamente R$ 2 milhões, e não apenas R$ 500 mil.

Além disso, ele destacou que esse "desentendimento" não oferece risco aos compradores dos lotes. "Temos investidores fortíssimos que garantem a solidez do empreendimento. (...) Como estamos vendo, o projeto está andando sem nenhum problema", afirmou. 

(Leia o posicionamento da empresa abaixo).

Processo judicial
O Diário do Nordeste teve acesso ao processo, que tramita na 34ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza. Na decisão proferida em dezembro de 2025, dois anos após o início do processo, o juiz Jorge Di Ciero Miranda condenou o Gran Vellas por entender que a empresa agiu de má-fé para ganhar tempo.

No processo, o magistrado concluiu que a empresa alterou a verdade dos fatos e utilizou o processo como mecanismo para protelar o pagamento de uma dívida que sabia ser devida. 

"Em vez de cumprir sua obrigação de pagamento, ajuizou a presente ação, alegando supostos descumprimentos contratuais por parte dos réus, sem apresentar provas concretas e com argumentos que se mostraram inconsistentes diante dos fatos e do direito", diz  a decisão. 

O juiz acrescentou que "a conduta de utilizar o processo judicial como subterfúgio para justificar o próprio inadimplemento e retardar o pagamento de uma dívida que sabe ser devida configura litigância de má-fé, nos termos do artigo 80, incisos II e V, do Código de Processo Civil".

De autor a condenado
Com a virada do jogo, o grupo Vellas foi derrotado em todas as frentes. O juiz julgou improcedentes todos os pedidos feitos pela empresa e, por entender que ela agiu de má-fé, aplicou várias penalidades. 

A empresa deverá pagar multa de 2% sobre o valor corrigido da causa em favor dos vendedores e também terá de indenizá-los pelos prejuízos sofridos ao longo do processo, cujo valor exato será definido futuramente em fase de liquidação de sentença.

A empresa também foi condenada a arcar com os honorários advocatícios dos réus, fixados em 10% sobre o valor corrigido da causa e com as custas processuais.
Empreendimento engloba uma série de empreendimentos turísticos em Jeri.
Foto: Gran Vellas Jeri/Divulgação.

A Gran Vellas recorreu em segunda instância.

O Gran Vellas Jeri, situado no terreno envolvido no imbróglio judicial, é comercializado como um condomínio fechado ao lado da Lagoa do Paraíso, um dos principais pontos turísticos de Jeri.

São oferecidos lotes a partir de 250 m², além de casas de dois, três ou quatro quartos. Segundo o site do empreendimento, as obras estão em ritmo acelerado, com muro, terraplanagem e sistema de águas pluviais já concluídos.

Gran Vellas atribui impasse a invasões e nega má-fé
O advogado Klaus Borges, que representa a Gran Vellas, afirmou que, na compra, foi feito o pagamento de aproximadamente R$ 2 milhões e que, após o início das obras, foi percebido que havia invasões no terreno.

Por isso, ele destaca a necessidade de recalcular o valor devido, levando em consideração o que já foi pago e as terras que, por conta das invasões, não poderão ser aproveitadas para o empreendimento. Ele também negou que a empresa tenha utilizado o Poder Judiciário para retardar o pagamento da dívida.

Foi uma questão contratual e a solução que temos é bater às portas do Judiciário. (...) Essa ação é uma mera tentativa de exercer nosso direito em relação às terras invadidas. Assim que for resolvido, o valor vai ser pago.

Klaus Borges

Advogado representante do Gran Vellas Jeri

O advogado também alega que, anteriormente, os donos da Gran Vellas e os antigos proprietários tinham um relacionamento de confiança. Com o "desentendimento", porém, a empresa teria tentado um acordo que foi declinado, com a devolução de um valor pago ao casal. Apesar disso, ele destacou que a empresa continua aberta a um acordo.

Borges ainda pontuou que não houve nenhum comunicado oficial da empresa aos compradores dos lotes, porque não há riscos para os clientes.

"Essa questão não afeta em nada a solidez do projeto. Inclusive, o terreno já foi transferido, já é de posse e propriedade definitiva do Gran Vellas", pontuou.

Casal quer apenas o que foi acordado, diz advogado
No processo, a Gran Vellas processa o casal de portugueses, representado no Brasil pelo advogado Caio Cabral, que afirma querer apenas o cumprimento do acordo firmado há quase cinco anos.

"Meu cliente vendeu o terreno para o Grupo Gran Vellas e não recebeu o valor integral. Na verdade, recebeu um valor muito baixo. Não foi paga a diferença sob alegação de que tinha sido recebido um terreno menor", aponta.

"Logo depois que houve a venda, combinaram de fazer os pagamentos, mas não faziam. O imóvel foi transferido para o Grupo Gran Vellas. Como meus clientes passaram o imóvel, iam ficar praticamente sem garantias. Na hora que foi transferido, foram feitas as transferências das matrículas com as notas promissoras para garantir o negócio", acrescenta.

Essas notas promissórias previam o pagamento em três parcelas: em dezembro de 2022, 12 meses após a assinatura do acordo; em dezembro de 2023, 24 meses após; e em dezembro de 2024, 36 meses após.

Conforme Cabral, as parcelas "já estavam vencidas há muito tempo", mas a situação dos antigos donos mudou a ponto de tornar a cobrança necessária, mesmo após diversas tentativas de acordo amigável.

"Meu cliente começou a precisar do dinheiro, não via a situação andar e nos procurou para resolver a situação. Eles não se colocam na posição de pagar, querem fazer outro tipo de negócio, mas o negócio era pago em dinheiro", considera.

O advogado explica que, do total devido, apenas R$ 500 mil foram pagos em dinheiro. O R$ 1 milhão restante foi quitado em um acordo entre os portugueses e a empresa para amortizar a dívida.

"Alegação de invasão foi pretexto para não pagar", diz a outra parte
Sobre a acusação de que o terreno estava ocupado, Cabral afirma que se trata de uma estratégia para driblar o pagamento. "O Grupo Gran Vellas alega, para não pagar o restante, que o terreno não foi entregue integralmente, mas foi. Eles conferiram o terreno, fizeram o desmembramento, as aprovações do empreendimento e começaram a vender. Só depois vieram com essa alegação", comenta.

Na decisão, o juiz determinou que, como o Grupo Gran Vellas tinha a posse do terreno desde setembro de 2021, a responsabilidade pela manutenção, vigilância e desocupação de eventuais invasões posteriores a essa data é da própria compradora, não dos vendedores.

Gran Vellas teria oferecido lotes em vez de dinheiro para quitar dívida, diz advogado 
O advogado do casal afirma que outro representante dos portugueses entrou em contato com os sócios do Grupo Vellas, que teria admitido a dívida e apontado como solução devolver uma parte do terreno para José Dionísio e Maria da Conceição.

Sempre alegam que a gente não entregou o terreno do tamanho certo. Até fazem uma proposta, mas não é em dinheiro, é com partes do terreno que eles compraram. Como se paga 10% do terreno usando mais de 90%? Esse tempo todo é de um empreendimento dito de sucesso".

Caio Cabral

Advogado representante dos antigos proprietários do terreno do Gran Vellas Jeri

Sávio Queiroz, advogado especialista em Direito Privado, avalia que a sentença do juiz foi pedagógica ao decidir que a posse e a responsabilidade do terreno, desde 2021 sob propriedade da Gran Vellas, pertencem à empresa.

"Para o mercado imobiliário, isso reforça que, uma vez detendo o controle físico da área, o adquirente assume o dever de vigilância e proteção contra invasões, não podendo, anos depois, transferir esse risco ao antigo proprietário sem provas robustas de preexistência do problema", avalia o especialista.

"A decisão consolida o entendimento de que o adquirente deve ser diligente não apenas na auditoria prévia, mas principalmente na vigilância imediata após a posse", completa. 

No processo, o juiz menciona que o negócio estava "em plena atividade, com obras e negociações, e a entrada de um novo sócio investidor de renome (Zezé Di Camargo)".

Casal comprou o terreno em 1990
Comissário de bordo aposentado, José Dionísio Alves, de 84 anos, conta que a compra do terreno aconteceu no início dos anos 1990, durante uma das vindas de férias ao Ceará, quando Jijoca de Jericoacara ainda pertencia ao município de Cruz.

Conforme relatou ao Diário do Nordeste, sua esposa ficou encantada com as belezas da Lagoa do Paraíso e de Jericoacoara. Aos poucos, o terreno foi sendo ampliado até chegar aos 36 hectares. Problemas de saúde, no entanto, forçaram a decisão de vender a propriedade.

As tratativas começaram e, em setembro de 2021, o negócio foi firmado com a assinatura de notas promissórias.

"Já queria vender. Apareceu gente dizendo que tinha interesse em construir. Chegamos em um acordo, facilitei o pagamento, assinamos promissórias, mas não foram cumpridas. Fui deixando passar, até acabaram por dar uma compensação pelo atraso. Agora não pagaram nenhuma promissória", relata o português.

Com a idade que tenho, já me fizeram a proposta de me dar não sei quantos lotes. Não sou corretor de imóveis nem vendedor de lotes. O contrato que fiz foi pura e simplesmente venda. O que quero e sempre quis é que o contrato seja cumprido. Tenho 84 anos, e o tempo que eu tenho a cada dia mais se escassa".

José Dionísio Alves

Comissário de bordo aposentado e antigo dono do terreno do Gran Vellas Jeri
O comissário aposentado afirma que, no contrato de venda firmado com os sócios do Gran Vellas Jeri, um pedaço do terreno nas áreas laterais estava cedido para outras pessoas, mas que não chegava a dois hectares.

"Deixei bem claro no contrato que já tinha cedido um pedaço nas áreas laterais, com casas feitas. Está escrito em uma das cláusulas dos contratos que fica a cargo dos compradores para ver a área disponível para o que eles queriam fazer", diz.

Diário do Nordeste