sábado, 27 de agosto de 2022

Adoçantes zero calorias alteram tolerância à glicose aumentando risco de diabetes

Foto: Reprodução
Um novo estudo publicado na revista Cell apontou que os adoçantes zero calorias, sacarina e sucralose, alteram os microbiamas humanos alterando os níveis de açúcar no sangue.

A pesquisa contou com 120 voluntários que foram divididos em seis grupos que usaram os adoçantes sintéticos sacarina, sucralose e aspartame, e o natural estévia.

“Em indivíduos que consumiram os adoçantes não nutritivos, pudemos identificar mudanças muito distintas na composição e função dos micróbios intestinais e nas moléculas que eles secretam no sangue periférico. Isso parecia sugerir que os micróbios intestinais no corpo humano são bastante responsivos a cada um desses adoçantes. Quando analisamos os consumidores de adoçantes não nutritivos como grupos, descobrimos que dois dos adoçantes não nutritivos, sacarina e sucralose, impactaram significativamente a tolerância à glicose em adultos saudáveis. Curiosamente, as mudanças nos micróbios foram altamente correlacionadas com as alterações observadas nas respostas glicêmicas das pessoas”, disse o pesquisador e imunologista Eran Elinav em comunicado.

O estudo apontou que nos voluntários que utilizaram sacarina e sucralose tinham mais açúcar no sangue, condição que aumenta o risco de diabetes tipo 2.

Para confirmar o estudo, as amostras dos humanos foram transferidas para camundongos livres de germes. “Em todos os grupos de adoçantes não nutritivos, mas em nenhum dos controles, quando transferimos para esses camundongos estéreis o microbioma dos indivíduos, coletados em um momento em que estavam consumindo os respectivos adoçantes não nutritivos, o camundongos receptores desenvolveram alterações glicêmicas que espelhavam muito significativamente as dos indivíduos doadores. Esses resultados sugerem que as mudanças no microbioma em resposta ao consumo humano de adoçantes não nutritivos podem, às vezes, induzir alterações glicêmicas nos consumidores de maneira altamente personalizada”, afirmou.

O pesquisador disse ainda que espera os efeitos dos adoçantes variam de pessoa para pessoa. “Precisamos aumentar a conscientização sobre o fato de que os adoçantes não nutritivos não são inertes ao corpo humano como originalmente acreditávamos. Com isso dito, as implicações para a saúde clínica das mudanças que podem provocar nos seres humanos permanecem desconhecidas e merecem estudos futuros a longo prazo. Enquanto isso, precisamos continuar procurando soluções para nosso desejo por doces, evitando o açúcar, que é claramente mais prejudicial à nossa saúde metabólica”.

Com informações do Jornal O Globo.

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