quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Disputa sobre investigação na SOP dá novos passos

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) deliberou, nesta quarta-feira (21), que a operação da Polícia Federal (PF) na Superintendência de Obras Públicas do Estado do Ceará (SOP) foi “necessária e imprescindível”. A operação foi realizada no último dia 13.

A decisão de ontem se baseou em o Governo do Estado ter descumprido a determinação para apresentar informações necessárias à investigação, pois não disponibilizou todos os documentos solicitados. Além disso, como aponta a decisão, parte dos documentos que foram entregues estavam ilegíveis e sem assinatura. Com isso, foi acionada uma multa de R$ 1,2 milhões. A gestão estadual havia emitido nota no dia 13 dizendo que entregou os documentos no prazo estipulado.

A decisão judicial, bem como a operação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal, deram-se no âmbito de uma denúncia feita pela coligação de Roberto Cláudio (PDT), candidato a governador, que acusa a gestão de abuso de poder político e econômico, supostamente tentando cooptar apoios de prefeitos à candidatura de Elmano de Freitas (PT) através dos convênios da SOP.

“Elmano confunde gratidão com cabresto. Eu tenho uma história de liberdade e autonomia, e os meus governos são exemplos disso”, publicou Roberto Cláudio na última sexta-feira (16), poucos dias após a operação da PF. Ele e a campanha pedetista têm usado, como principal estratégia para desgastar os adversários do PT, as acusações de uso ilegal da máquina pública para beneficiar Elmano e o ex-governador Camilo Santana (PT), que disputa o Senado. Os petistas, desde o rompimento com o PDT, conseguiram o apoio de volume expressivo de prefeitos que antes integravam o grupo de RC.

O caso, por envolver atuação direta do Governo do Estado, se reflete também em uma inclusão da governadora Izolda Cela (PDT) no campo de batalha da campanha. A gestora, que disputou a indicação do PDT para a candidatura ao Palácio da Abolição com Roberto Cláudio, foi abraçada pelos petistas e manifestou insatisfação com o próprio partido após o ocorrido, tendo deixado a sigla pouco depois. Izolda, como informou Camilo após o início da campanha, o ajudou a definir o nome de Elmano como candidato da coligação petista. Ela, no entanto, tem se mantido em silêncio no que diz respeito a apoios políticos, pronunciando-se apenas para se defender das acusações dos ex-aliados.

A ocorrência também é mais um item na extensa lista de embates judiciais vividos na campanha entre as principais coligações no Ceará, com destaque às disputas entre petistas e pedetistas. As investidas no âmbito da Justiça incluem apontar irregularidades na propaganda eleitoral, mas vai além.

O Estado

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