terça-feira, 27 de setembro de 2022

Voto útil é movimento desrespeitoso e antidemocrátrico

Amarílio Macêdo – empresário. Foto: Reprodução
O empresário cearense Amarílio Macêdo, assinou um artigo na edição de domingo (25), do O Estado de S. Paulo, defendendo a importância da votação em dois turnos para escolha de prefeitos, governadores e presidente da República. O título do artigo é: “Por que o primeiro turno”. E, antes de concluir assevera: “A eleição em dois turnos é um método democrático de grande efeito, porque o primeiro turno permite o exercício livre da vontade de influir com as nossas crenças e valores nos destinos do País, e, no segundo turno, aquelas e aqueles que não tiverem seus candidatos nas duas primeiras posições podem, aí sim, ser pragmáticos na gigantesca responsabilidade indelegável por suas escolhas”.

O movimento do ex-presidente Lula e de defensores da sua postulação do chamado “voto útil”, além de ser desrespeitoso com um expressivo segmento do eleitorado nacional, pois ao menos 25% dos eleitores são contra à essa odienta polarização, entre Lula e Bolsonaro, podemos chamá-lo, também, de antidemocrático, pois induz o eleitorado a eliminar uma etapa do processo eleitoral, tirando a chance de o eleitor escolher, no primeiro turno, aquele que entender ser o melhor. O segundo turno, se houve, e entre Lula e Bolsonaro, é o momento de o votante, que não escolheu nenhum dos dois no primeiro turno, votar em quem entender ser menos ruim. E, se já votou em um dos dois, repete no segundo turno.

Amarílio começa falando do tensionamento da campanha: “Nesta eleição beligerante de 2022, com adversários políticos tratando-se como inimigos a banir uns aos outros do cenário nacional, há também uma pressão das campanhas dos dois candidatos mais bem postados nas pesquisas para que eleitoras e eleitores que preferem outros pleiteantes ao Palácio do Planalto renunciem ao direito de voto fora de suas bolhas, de modo que o pleito seja definido logo no primeiro turno. Isso não fere a legislação, mas, de certo modo, enfraquece a razão democrática eleitoral, porque visa a amedrontar e tirar das pessoas a liberdade de manifestar nas urnas a opção da sua verdadeira crença sobre quem de fato é melhor para o Brasil. Além de assegurar a oportunidade plena de escolha, o estatuto do primeiro turno dá legitimidade às eleições na medida em que evita a eleição de alguém sem ter ao menos a metade mais um dos votos válidos (excluídos brancos e nulos). Caso isso não ocorra no primeiro turno, o eficiente e confiável sistema eleitoral brasileiro conta com o sufrágio de segundo turno para dar essa legitimidade a quem for liderar o Poder Executivo da República”.

A insegurança, a indecisão e o discurso interno martelando que “aquele não pode ser” tornam eleitoras e eleitores vulneráveis ao assédio das campanhas dos candidatos que ainda estão liderando as pesquisas, que pregam a cristalização e a maximização da “utilidade” do voto. No entanto, saltar o primeiro turno, como se este não tivesse qualquer valor e pudesse ser deixado para trás, pode ser o caminho que leva à destruição do próprio caminho”.

Só quem não quer um segundo turno na disputa presidencial é o ex-presidente Lula. Ele, mais que ninguém, sabe que com apenas dois candidatos, se sendo Bolsonaro o seu adversário, não será fácil para ele manter a vantagem conquistada em todo curso do primeiro turno.

Veja a opinião do jornalista Edison Silva:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça seus comentários com responsabilidade, não nos responsabilizamos por comentários de terceiros.