sexta-feira, 21 de outubro de 2022

A resposta (na urna) dos que estão decepcionados com a política

Dayane Costa votou em um candidato no primeiro turno, mas cogita não repetir o voto (Foto: Arquivo pessoal)
Entre os motivos apontados por eleitores ‘desgostosos’ estão a desaprovação do baixo nível adotado pelas campanhas e a inconformidade com o que chamam de ‘polarização’
A mais recente pesquisa eleitoral Datafolha sobre a disputa presidencial foi realizada após o primeiro debate da corrida do segundo turno, promovido no último domingo (16). Nos resultados, apenas 2% dos eleitores brasileiros disseram ter mudado seu voto após assistir ao ou se informar sobre o embate televisivo entre o ex e o atual presidente da República.

A recepcionista Dayane Costa faz parte deste grupo. Segundo ela, o tom a que chegaram as campanhas presidenciais no segundo turno a fez repensar se destinará seu voto a um dos dois candidatos que disputam a reta final.

“Aquele em que eu votei no primeiro turno está agora disputando o segundo, mas, sinceramente, não sei se quero votar nele outra vez”, admite a eleitora, sem esconder a decepção.

“Estou vendo muita baixaria, troca de acusações e poucas propostas, tenho ficado insatisfeita com o que vejo nas campanhas. Como votar no outro candidato jamais foi uma opção para mim, agora estou em dúvida se voto ou anulo”, desabafa.

Mudança
Segundo o levantamento, 55% do eleitorado não assistiu ao debate entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 25% viram alguns trechos do embate e 20%, todo ele.

Dos 2% que disseram ter mudado de ideia sobre o voto após o debate, quase metade (45%) tinha Lula como candidato preferencial antes do programa e os demais se dividiam entre Bolsonaro (17%), brancos e nulos (18%) e indecisos (20%).

Outro dado que consta na pesquisa mostra que a maioria da população afirma que com certeza comparecerá às urnas no segundo turno da eleição, no próximo dia 30. A abstenção é um fator que tem preocupado as campanhas.

A intenção de ir votar varia pouco entre os eleitores. Os números também estão estáveis em relação à rodada anterior. De acordo com o instituto, 98% dos eleitores pretendem votar, sendo que 95% indicam que com certeza irão e 2% indicam que talvez (a soma chega a 98% levando em conta o arredondamento das casas decimais). Outros 2% responderam que não
pretendem ir votar.

“Polarização”
A administradora Iale Osterno não se conforma com que chama de “polarização extrema” que tomou conta no pleito e alega ter encontrado no voto nulo uma forma de protestar.

“Eu até tinha uma preferência no primeiro turno, mas diante desse cenário onde, além dos dois que estão no páreo não há chance para mais ninguém, anulei”, explica.

“Fico muito desestimulada com o ambiente de extremismos em que estamos vivendo. No dia 30 estarei viajando, então vou me abster de novo. Ou justifico (a ausência eleitoral) ou nada! Me resolvo com a Justiça Eleitoral depois”, provoca.

O número de abstenções nas urnas chegou a 32,7 milhões (20,9% dos eleitores) no primeiro turno. Embora o resultado seja estável se comparado às eleições de 2018 (20,3%), é a maior abstenção das últimas seis eleições majoritárias.

Nulos X Brancos
Os eleitores que não quiserem escolher nenhum candidato podem optar por votar em branco ou nulo. Esta decisão, no entanto, não tem influência direta no resultado do pleito.

Como são igualmente considerados votos inválidos, não são reputados na contagem final da eleição. As únicas diferenças são a forma como o eleitor decide invalidar o voto e como eles são registrados para fins estatísticos.

O microempresário Francisco Fontenele ainda acreditava que o voto em branco poderia servir “para quem estivesse ganhando” e já estava certo que seria sua decisão.

“Eu morei 20 anos em outro país e voltei há um ano. Como estive por fora dos reais acontecimentos, acredito que a maioria do povo brasileiro vai saber o que é melhor para a gente. No primeiro turno eu justifiquei porque não estava no meu domicílio eleitoral, mas agora votarei em branco”, destaca.

O voto em branco acontece quando o eleitor pressiona o botão branco na urna eletrônica e confirma. É um voto inválido, não é computado para nenhum candidato.

O voto nulo é uma forma de invalidar o voto, ou seja, de não votar em ninguém. É registrado quando o eleitor digita um número que não pertence a nenhum candidato ou partido e aperta o botão confirma da urna eletrônica. Os dois métodos, então, funcionam da mesma forma, diferentemente do que pensou Francisco.

Agora, ele já sabe qual e a diferença e que as duas escolhas invalidam o sufrágio. Votos válidos são aqueles destinados a um candidato ou a um partido. Apenas os votos válidos são considerados para saber quem foi eleito.

O Otimista

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