terça-feira, 11 de outubro de 2022

Bullying acarreta prejuízos para vítimas e agressores

Durante o fim de semana, a morte do estudante de 15 anos Júlio César de Souza Alves foi confirmada.
O adolescente estava internado em estado grave na Santa Casa de Misericórdia de Sobral desde a última quarta-feira, 05, quando foi atingido na cabeça por um tiro efetuado por um colega de classe, também de 15 anos.

Júlio foi transferido para uma unidade de terapia intensiva (U.T.I), mas não resistiu ao ferimento. “Nesse momento de dor, a EEMTI Prof. Carmosina F. Gomes se solidariza com todos os familiares, amigos e comunidade escolar e expressa as mais sinceras condolências”, disse a unidade em nota de pesar.

Pelas redes sociais, a Governadora do Ceará, Izolda Cela, também lamentou a morte do estudante. “Recebi com profundo pesar a notícia da morte do nosso estudante […] Meus sentimentos aos familiares e amigos neste momento de dor”, escreveu Cela. À polícia, o aluno responsável pelos tiros afirmou que era vítima de bullying dentro da escola. Outros dois alunos também foram feridos no episódio, mas já receberam alta médica.

O bullying é caracterizado por um ato de violência física, verbal ou psicológica, intencional e repetitiva, que gera, na vítima, intimidação e angústia. De acordo com a psicóloga Jéssica Pinheiro, a prática também evidencia feridas emocionais dos próprios agressores e gera um ciclo de violência que precisa ser interrompido. “As vítimas de bullying geralmente têm sua autoestima prejudicada, desenvolvendo pensamentos autodepreciativos, o que pode gerar uma visão distorcida sobre si, fazendo com que a pessoa acredite que de fato é inferior. O impacto dessa violência acaba seguindo a pessoa por toda a vida. Aquele que pratica o bullying geralmente também tem feridas emocionais profundas, a maneira de lidar com essas feridas é ferindo o outro”, detalha.

Por isso, Pinheiro chama atenção para os sinais que podem ajudar as famílias a identificar quando uma criança ou adolescente está sofrendo na escola. “Se você tem visto seu filho muito inseguro, é importante ficar alerta. Outro sinal é a dificuldade de socialização, observe se sua criança ou adolescente tem amigos e relações saudáveis, que contribuem positivamente”, sugere.

A especialista explica ainda que, atualmente, mesmo com casos graves como o de Sobral, há pessoas que não tratam o bullying com seriedade, se referindo a ele como uma “besteira”. “É importante cuidar da vítima abrindo espaço para escuta e trabalhar o fortalecimento de sua autoestima. É necessário também compreender o que tem gerado o bullying e acompanhar aqueles que o praticam. A escola deve estimular um ambiente gentil, não reativo a violência, avivando a empatia entre os colegas”, afirma.

Nesse contexto, também é válido ressaltar que o bullying pode acontecer em todos os ambientes de convivência e não se restringe à escola. Quando ocorre no espaço virtual, por exemplo, a violência é chamada de “cyberbullying”. “É importante que seja denunciado, e que as crianças e os adolescentes sejam estimulados a não compartilhar nada que possa ferir emocionalmente o colega. Nos espaços físicos precisamos falar sobre o assunto de forma aberta, deixando claro que o bullying só gera consequências negativas tanto para o abusado, quanto para o abusador”, defende Jéssica Pinheiro.

Por Yasmim Rodrigues / O Estado/CE

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