sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Famílias brasileiras voltam a consumir produtos mais caros nos supermercados

Foto: Edimar Soares
Em agosto deste ano, o consumo nos lares brasileiros cresceu 7,23% ante igual período de 2021, segundo a Abras. Aumento no valor do Auxílio Brasil, queda da inflação e corte na cobrança de ICMS sobre combustíveis explicam melhora do indicador
Em um cenário de auxílios do governo às vésperas das eleições, trégua da inflação e retomada incipiente da renda, os brasileiros começam a migrar parte do consumo para produtos mais caros nos supermercados. Em agosto, o consumo nos lares brasileiros subiu 7,23% em agosto de 2022, frente a igual período de 2021.

A conclusão é da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a partir de dados divulgados ontem. A migração, diz a entidade, foi observada na composição de uma cesta de mercadorias que inclui desde alimentos até itens de limpeza e higiene.

Em agosto de 2021, 55,5% dessa cesta era formada por produtos vendidos na categoria de preços baixos. Em agosto de 2022, o percentual recuou para 52,7%.

Enquanto isso, os itens da categoria de preços médios avançaram de 28,2% para 30,2% da cesta de consumo pesquisada. A participação das mercadorias premium, por sua vez, com valores mais altos, aumentou de 16,3% para 17,1% no mesmo período.

Os brasileiros estão voltando a procurar marcas que consumiam antes da disparada dos preços e da perda de renda na pandemia.

A entidade atribui as mudanças recentes a fatores como a trégua da inflação e os benefícios turbinados pelo governo federal às vésperas das eleições. “O consumidor está voltando a comprar aqueles produtos que ele tinha o hábito de consumir”, afirma Marcio Milan, vice-presidente da Abras.

Pressionado pela inflação elevada em ano eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) apostou no corte de tributos para frear os preços, bem como na elevação do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600.

Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu pelo terceiro mês consecutivo, diz o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice oficial de inflação recuou 0,29% no mês passado, puxado mais uma vez pela gasolina, que teve alívio tributário. Em junho, Bolsonaro sancionou a lei que determinou teto para cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis e energia elétrica.

Alimentação

O grupo alimentação e bebidas também caiu em setembro. A baixa foi de 0,51%, a primeira desde novembro de 2021 (-0,04%). Na avaliação do economista e membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Eleutério, há um conjunto de variáveis que contribuem para o aumento do índice.

“São ações que contribuem com essa transferência de renda para a alimentação, que geralmente é a prioridade das famílias. Mesmo com esses cortes, o grupo ainda vinha apresentado alta, mas em setembro registrou pequena deflação também. De maneira geral, isso é reflexo do crescimento econômico além do esperado, a redução do desemprego, mas com aumento do emprego informal”, acrescenta.

Ele observa que a economia nacional tem mostrado recuperação acima do previsto neste ano. “No início de 2022, o crescimento estimado para o PIB (Produto Interno Bruto) era de 0,5%, mas já se aproxima dos 3%. Uma das variáveis que puxa o crescimento econômico é justamente o consumo”, diz.

No geral, analistas não esperam mais deflação para os alimentos até o fim deste ano. A expectativa é de avanços mais moderados do que os registrados no começo de 2022. Em 12 meses, o grupo alimentação e bebidas acumulou inflação de 11,71% até setembro.

A carestia da comida afeta especialmente a população mais pobre, que gasta uma parcela maior do orçamento familiar para a compra de produtos básicos.

Com Folhapress

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