terça-feira, 2 de julho de 2024

Após morte , Fiocruz alerta para meningite transmitida por caramujo

A Fundação Oswaldo Cruz faz um alerta para a transmissão de meningite por meio de caramujos (meningite eosinofílica). A preocupação surgiu depois da morte de um paciente em abril, no município de Nova Iguaçu, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Análises laboratoriais identificam a presença do verme causador da doença em um caramujo na região onde o caso foi registrado.

A meningite é uma doença caracterizada pela inflação das meninges, membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal.

A investigação foi conduzida pelo Laboratório de Malacologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Malacologia é o ramo da biologia que estuda os moluscos. Após a Fiocruz ser notificada do caso, agentes da Vigilância Ambiental em Saúde (Suvam) de Nova Iguaçu e do IOC realizaram a coleta de caramujos em diferentes pontos do bairro Ipiranga, onde o paciente contraiu a doença.

De um total de 22 moluscos analisados, o verme causador da doença, Angiostrongylus cantonensis, foi encontrado em um caramujo da espécie Pomacea maculata, conhecido popularmente como lolô ou aruá.

Caso de meningite transmitida por caramujo não era registrado no estado do Rio desde 2014. No Brasil, há episódios desde 2006.

Estudos do Serviço de Referência para Esquistossomose-Malacologia da Fiocruz feitos entre 2008 e 2021 detectaram a presença do verme Angiostrongylus cantonensis em 14 unidades da federação.

Para a chefe do Laboratório de Malacologia do IOC/Fiocruz, Silvana Thiengo, o cenário reforça a necessidade de atenção dos serviços de saúde para diagnosticar a doença. “Desde 2006, temos casos de meningite eosinofílica no Brasil. Porém, muitos profissionais de saúde ainda desconhecem a doença. Os médicos precisam lembrar essa possibilidade para fazer o diagnóstico e oferecer o tratamento adequado”, disse.

Transmissão

O verme Angiostrongylus cantonensis, em seu ciclo de vida, é um parasita que busca hospedeiros como roedores, como ratos, que servem para desenvolvimento do parasita adulto. Os vermes se reproduzem e geram larvas que são eliminadas pelas fezes dos maníferos.

As larvas acabam ingeridas por caramujos. Dentro dos moluscos, adquirem a forma capaz de infectar animais vertebrados, ou seja, é um ciclo que se repete.

A infecção humana ocorre quando as pessoas ingerem um caramujo infectado ou o muco liberado por ele, contendo as larvas do verme. De acordo com a Suvam, há relatos de que o paciente se infectou ao ingerir um caramujo de água doce cru.

Os pesquisadores do IOC coletaram também animais como ratos, preás e gambás na região onde houve o caso para confirmar a infecção desses mamíferos. As análises estão em andamento.

Sintomas da doença
O sintoma mais comum da meningite eosinofílica é dor de cabeça. A rigidez da nuca e a febre – comuns em outras formas da doença – são mais raras na meningite transmitida por caramujos.

Alguns pacientes apresentam distúrbios visuais, enjoo, vômito e parestesia persistente (sensação de formigamento ou dormência). Na maioria dos casos, a pessoa se cura espontaneamente. Mesmo assim, o acompanhamento médico é importante porque alguns indivíduos desenvolvem quadros graves, que podem levar à morte.

O tratamento busca reduzir a inflamação no sistema nervoso central e aliviar a dor, além de evitar complicações.

Cuidados
A chefe do Laboratório de Malacologia aponta três formas principais de evitar o contágio pelo caramujo: tomar cuidados ao manuseá-lo, higienizar verduras e não ingerir esses animais crus ou malcozidos.

Em algumas regiões, é comum a presença de caramujos perto de casas e locais de presença humana. Os mais comuns são os Achatina fulica, conhecidos como caracol gigante africano.

A recomendação das autoridades de saúde para a exterminação desses moluscos é por meio da coleta manual, porém, sempre usando luvas ou sacos plásticos para proteger a mãos. Em seguida, colocá-los em recipiente com água fervente por cinco minutos. Depois, quebrar as conchas e enterrá-las ou jogá-las no lixo.

Esse cuidado de quebrar a proteção é para que não se tornem criadouros de Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya.

Caso não seja feita a exposição à água fervente, os moluscos recolhidos devem ser colocados em um recipiente, como balde ou bacia, e submersos em solução preparada com uma parte de hipoclorito de sódio (água sanitária) para três de água. Após 24 horas de imersão, a solução pode ser dispensada, e as conchas descartadas.

Outros cuidados importantes são: não ingerir moluscos crus ou malcozidos, incluindo caracóis terrestres, lesmas e caramujos aquáticos; e lavar bem frutas e verduras, deixando de molho por 30 minutos em mistura com um litro de água e uma colher de sopa de água sanitária, enxaguando bem em água corrente antes do consumo.

Além das orientações à população, a Fiocruz reforça a importância de agentes de vigilância municipais mapearem os riscos de infecção, por meio de coleta periódica de moluscos e envio para análise parasitológica realizada pelo Serviço de Referência do IOC/Fiocruz.

“São poucos os municípios que enviam espécimes para análise parasitológica regularmente. Os serviços de vigilância de vetores frequentemente precisam concentrar suas equipes no combate a doenças epidêmicas, como a dengue, e a vigilância dos caramujos fica desguarnecida”, constata a coordenadora do Laboratório de Referência, Elizangela Feitosa.

Nova Iguaçu é uma das cidades onde o monitoramento é realizado regularmente. “Geralmente, a população faz o apelo por causa do incômodo causado pelo caracol africano. Mas, sabendo que temos uma doença emergente, nós coletamos amostra para a vigilância parasitológica e mostramos aos moradores como catar os caramujos de forma segura, para tentar reduzir ou eliminar esse vetor”, explica o responsável pela vigilância malacológica no município, José de Arimatea Brandão Lourenço.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro informou que ainda não tinha sido notificada pela Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu e que mobilizou uma equipe técnica, nesta segunda-feira (1°), para apuração do caso.

Agência Brasil

Médico é preso pelos crimes de cena de abuso e nudez infantil

Policiais civis da Delegacia de Plantão Zona Sul (DPZS), em ação conjunta com a Polícia Militar, prenderam em flagrante, um médico pela suspeita da prática dos crimes de cena de abuso e nudez infantil. A prisão do suspeito aconteceu em um bairro da Zona Sul de Natal e contou com o apoio da Delegacia de Plantão de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DPAGV), na noite de domingo (30).

As diligências foram iniciadas após o médico acionar a Polícia Militar queixando-se de perturbação de sossego. A equipe policial acionou a Polícia Civil, através da Delegacia de Plantão Zona Sul (DPZS), que foi ao local para apurar os fatos e, ao chegarem à residência, encontraram cinco adolescentes, além de medicamentos como tadalafila, pílulas do dia seguinte, dramim, material de higiene feminina como absorventes, lubrificantes íntimos, camisinha e exames ginecológicos para apurar doenças sexualmente transmissíveis.

Foi constatado ainda durante as diligências que a mãe de uma das vítimas, que é técnica de enfermagem, tinha conhecimento dos atos praticados pelo autuado e consentia a ida da filha à casa do suspeito. Em troca, segundo as investigações, o homem fornecia dinheiro e objetos domésticos para a mãe com o intuito de beneficiá-la. Ela foi presa pela suspeita da prática dos crimes de favorecimento à prostituição infantil e abandono de incapaz.

Os policiais civis ainda apreenderam equipamentos eletrônicos de propriedade do médico. As adolescentes foram conduzidas à sede do Projeto Abraçar, localizado na maternidade municipal Dr. Araken Irerê Pinto, especializado em acolher e atender crianças e adolescentes em situação de violência sexual. Enquanto os suspeitos foram encaminhados ao sistema prisional, onde permanecerão à disposição da Justiça. Durante a audiência de custódia, o médico teve sua prisão preventiva decretada.

Papa Francisco aprova canonização de “padroeiro da internet”

O Papa Francisco aprovou nesta segunda-feira (1º) a canonização de Carlo Acutis, conhecido como o “padroeiro da internet”. O jovem, que morreu de leucemia em 2006, aos 15 anos, será o 1º millennial a ser santificado. A cerimônia oficial deve ser realizada durante as celebrações do ano jubilar da Igreja Católica em 2025.

Acutis ficou famoso por usar suas habilidades de computação para promover a fé católica, apelidado de “padroeiro da internet”. A canonização, um processo que costuma levar décadas na Igreja Católica, foi aprovada pelo Papa durante uma reunião do Colégio de Cardeais no Vaticano nesta segunda-feira (1º).

Normalmente, o processo de canonização na igreja exige que os candidatos tenham 2 milagres atribuídos, cada um passando por rigorosa investigação.

Em 2020, foi reconhecido um milagre envolvendo a cura de uma criança brasileira.

Em outubro de 2013, na igreja de São Sebastião em Campo Grande, Brasil, um menino de 6 anos chamado Matheus, que sofria de uma grave anomalia no pâncreas, teria sido “completamente curado” depois de tocar uma relíquia do jovem.

Recentemente, em maio, um 2º milagre foi reconhecido com a cura de uma jovem da Costa Rica.

A estudante entrou em coma em julho de 2022 depois de cair de bicicleta e foi diagnosticada com traumatismo craniano. Sua mãe, Liliana, teria passado um dia inteiro ajoelhada diante do túmulo de Acutis.

À noite, recebeu um telefonema do hospital informando sobre a melhora “repentina e inexplicável de sua filha”.

Fonte: Poder 360

Vice-prefeito preso por atirar dentro de casa reaparece soltando fogos com a boca após ser posto em liberdade

Após sair da prisão por atirar dentro de casa, o vice-prefeito de Catende (PE) Antônio Luiz Colaço de Lira reapareceu em um novo vídeo soltando fogos dentro de casa.

Na gravação, que circula nas redes sociais o político, conhecido como Tonho do Egito, diz: “vamos brincar”.

Tonho foi preso por crimes relacionados à medida dos artigos 14 e 15, do Estatuto do Desarmamento, que proíbem o porte ilegal de arma e o disparo de arma de fogo.

A prisão aconteceu justamente após vídeo viralizar nas redes sociais mostrando o vice-prefeito com uma arma de fogo e atirando várias vezes em uma parede, no interior da residência.

TSE começa a mudar de ares em relação aos políticos

Neste início de semana, o TSE respondeu positivamente à consulta de uma deputada de São Paulo sobre a possibilidade de o apelido dos políticos nas urnas conter nome de empresa ou marca ao qual são associados.

A maioria dos ministros seguiu o entendimento do relator, ministro Raul Araújo, no sentido de liberar o apelido que contém nome de marca, produto ou empresa. Foram nessa linha os ministros Nunes Marques, André Mendonça e Isabel Gallotti. Ficaram vencidos a presidente do TSE, Cármen Lúcia, André Ramos Tavares e Floriano Peixoto.

Neste segundo semestre, acaba o período da ministra Gallotti, do STJ, no TSE. A vaga passará a ser do ministro Antonio Carlos Ferreira, que já disse a outros ministros que também votaria no sentido permissivo para o nome na urna.

Essa maioria formada nesse caso já indica, na avaliação de um integrante da Corte, uma postura menos intervencionista do TSE em relação aos políticos. Não é que a gestão passada tenha proibido esse tipo de coisa, mas havia, na visão desse ministro, um clima menos receptivo a esse tipo de conduta nas eleições.

Radar – VEJA

Boa notícia! Injeção contra HIV dá 100% de proteção às mulheres

Uma injeção a cada seis meses de um novo medicamento antiviral ofereceu proteção total contra o vírus do HIV a mulheres jovens em um ensaio clínico realizado no continente africano. É a primeira vez que um medicamento candidato à profilaxia pré-exposição (PrEP) é 100% eficaz na prevenção do HIV.

Ensaios clínicos feitos na Uganda e na África do Sul mostraram que as injeções de lenacapavir ofereceram melhor proteção contra a infecção por HIV do que outros dois medicamentos de PrEP disponíveis.

O resultado do estudo foi anunciado pela farmacêutica Gilead Sciences, na quinta-feira (20/6). Os dados ainda não foram submetidos a revisão por pares.

“Depois de todos os nossos anos de tristeza, especialmente com vacinas, isso é realmente surreal”, afirmou a pesquisadora Linda-Gail Bekker, em entrevista ao jornal The New York Times.

As injeções são uma alternativa aos medicamentos disponíveis hoje, em forma de comprimidos diários, que podem ser esquecidos pelos usuários. A adesão a eles ainda é baixa na África, especialmente entre jovens mulheres, grupo com maiores taxas de novas infecções.

“Para uma jovem que não pode ir a uma consulta em uma clínica na cidade, uma jovem que não pode guardar comprimidos sem enfrentar estigma ou violência, uma injeção apenas duas vezes por ano é a opção que poderia mantê-la livre do HIV”, considera Lillian Mworeko, líder do Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV na África Oriental, ao NTY.

Metrópoles

Milei chama Lula de “perfeito dinossauro idiota” em novo pronunciamento

O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira de “o perfeito dinossauro idiota” em uma publicação no X com uma série de críticas ao mandatário brasileiro, abrangendo temas como a tentativa de golpe de Estado na Bolívia na semana passada e a eleição presidencial em seu país no ano passado.

“Sé tivéssemos feito as coisas como esse grande dinossauro idiota dizia, já teria perdido”, escreveu Milei no X.

Em uma nova escalada da tensão entre os dois presidentes, Milei voltou a classificar a denúncia de golpe de Estado na Bolívia em 26 de junho como “fraude”, dizendo que Lula não aceita seu erro ao ter condenado a ação militar e deixa sua “estupidez à vista”.

Ele também acusou o presidente brasileiro de interferência na eleição presidencial argentina do ano passado, quando o libertário superou o candidato governista, Sergio Massa, no segundo turno. Massa e o antecessor de Milei, Alberto Fernández, eram próximos a Lula.

“Depois das agressões de Lula (em especial sua forte interferência na campanha eleitoral e apoio sólido a campanha mais suja da história), (ele) se queixa por que lhe respondo com a verdade”, afirmou Milei.

O líder argentino também voltou a desqualificar Lula por sua prisão e chamou o chefe do Executivo brasileiro de “comunista”.

O Palácio do Planalto afirmou que não comentará as declarações de Milei, enquanto o Ministério das Relações Exteriores não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As trocas de farpas entre Milei e Lula têm sido frequentes desde a campanha presidencial do argentino no ano passado, quando o então candidato disse que o presidente brasileiro era “corrupto” e um “comunista raivoso”.

Após vencer a eleição, Milei chegou a enviar uma carta ao governo brasileiro, em busca de amenizar as tensões entre os mandatários, e convidou Lula para sua cerimônia de posse, mas o presidente brasileiro não compareceu.

O período de moderação dos ataques foi curto. Os dois ainda não se reuniram desde a posse de Milei em dezembro, e Lula recentemente condicionou uma eventual conversa entre ambos a um pedido de desculpas por parte do argentino após falar “muita bobagem”.

Brasil e Argentina são os dois maiores países do Mercosul, bloco também formado por Paraguai Uruguai. O porta-voz de Milei afirmou que o líder argentina não comparecerá à próxima reunião de cúpula do bloco sul-americano, marcada para a semana que vem, em Assunção, capital do Paraguai.

Milei tem viagem programada para o Brasil neste fim de semana, onde, de acordo com seu porta-voz, não se reunirá com Lula. Ele deixou em aberto a possibilidade de encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado do argentino e adversário de Lula.

Reuters

Há 20 anos no cargo, Conselheiro Tutelar é suspeito de assediar adolescente: Caso ganha repercussão nacional

Segundo denúncia da família do jovem, profissional chegou a oferecer dinheiro para que estudante tivesse relação sexual com ele. Polícia Civil investiga o caso.

O conselheiro tutelar suspeito de assediar um adolescente de 17 anos em Murici, interior de Alagoas, exerce a profissão há 20 anos e era conhecido na cidade. Segundo denúncia da família, ele teria oferecido dinheiro para ter relações sexuais com o jovem.


Imagem/Reprodução
O adolescente, que teve a identidade preservada, relatou que os casos de assédio começaram na época em que ele estava na escola. Ao recusar as investidas do conselheiro, o estudante disse que passou a ser ameaçado por ele.

O g1 tentou contato com o Conselho Tutelar de Murici, mas as ligações não foram atendidas. O nome do conselheiro não foi divulgado e a reportagem não conseguiu contato com a defesa.
A avó do adolescente relatou que assim que soube do fato procurou a escola e o Conselho Tutelar. Mas, que ao fazer a denúncia ao conselho, oi o próprio suspeito foi quem atendeu a ligação. “Ele riu e disse que estava resolvendo o problema dele”.
A Associação de Conselheiros Tutelares de Alagoas informou que o conselheiro ainda não foi afastado do cargo e que vai aguardar as investigações.

Portal TV Sertão / Batalha – Alagoas
Fonte: g1 AL

Dia do Rei Pelé: Lula sanciona lei que cria data celebrativa

Edson Arantes do Nascimento marcou seu milésimo gol em 19 de novembro de 1969. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.909, de 2024, que institui o Dia do Rei Pelé, a ser celebrado anualmente no dia 19 de novembro. A norma foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (2).

A data escolhida para a homenagem é uma referência a 19 de novembro de 1969. Naquela noite, Pelé marcou o milésimo gol da carreira. O atacante bateu o pênalti que assegurou a vitória do Santos por 2 x 1 contra o Vasco da Gama, no estádio do Maracanã.

A nova lei é resultado do projeto de lei (PL) 5.867/2023, da Câmara dos Deputados. A matéria foi aprovada em maio pela Comissão de Esporte do Senado (Cesp), com relatório favorável do senador Jorge Kajuru (PSB-GO).

Em seu voto, Kajuru destaca a importância de Pelé. “O projeto simboliza um reconhecimento mais do que merecido a uma das figuras mais emblemáticas e influentes não só do futebol brasileiro, mas do esporte mundial. Pelé transcendeu os limites do campo para se tornar um verdadeiro embaixador do Brasil, difundindo sua cultura, sua alegria e seu talento por todos os cantos do planeta”, escreveu o senador.

Edson Arantes do Nascimento — o Pelé — nasceu em Três Corações (MG), no dia 23 de outubro de 1940. Entre 1957 e 1971, disputou 114 jogos pela Seleção Brasileira de Futebol, para a qual marcou 95 gols. Foi três vezes campeão mundial, nas Copas da Suécia (1958), do Chile (1962) e do México (1970). Pelé faleceu no dia 29 de dezembro de 2022, em São Paulo, aos 82 anos.

Fonte: Agência Senado

Preocupação com a saúde dos profissionais da comunicação

As condições de saúde física e mental dos profissionais da área de comunicação estão sendo agravadas nas últimas décadas, corroboradas pelas atuais organizações do trabalho e pela ausência de normas específicas. Essa foi uma das constatações de audiência pública promovida pelo Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional nesta segunda-feira (1º). No debate, foram apontados problemas que, segundo os participantes, são recorrentes e significativos, como flexibilização dos direitos trabalhistas, baixa remuneração, pressão e jornadas exaustivas.

De acordo com o conselheiro José Antônio de Jesus da Silva, que requereu a audiência e a presidiu, os problemas relatados como frequentes para os jornalistas também acontecem com radialistas, cinegrafistas e outros profissionais da comunicação.

— O ambiente de trabalho nos adoece, nos enfraquece, nos pressiona. A gente precisa discutir no Congresso Nacional o impacto que essas pressões nos trazem no dia a dia — afirmou Silva.

Pressão
Analista em ciência e tecnologia e jornalista na Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), Cristiane Reimberg apresentou resultados de pesquisa para tese que concluiu em 2015 na Universidade de São Paulo (USP), quando estudou a saúde dos profissionais da imprensa. A partir da entrevista com 21 jornalistas de idades variadas e de diferentes meios de comunicação, ela analisou as condições de trabalho e saúde e a dialética de prazer e sofrimento, que pode acarretar em adoecimento.

Cristiane relatou que constatou constante flexibilização dos direitos trabalhistas dos profissionais.

— Muitos jornalistas atuavam como freelancers, fixos ou como pessoas jurídicas, que na verdade não eram pessoas jurídicas; eles cumpriam uma jornada de trabalho, mas não tinham registro de CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]. (…) Foi constatada entre esses profissionais uma longa jornada, principalmente nos dias de fechamento e coberturas especiais. De uma forma geral, os jornalistas acabavam trabalhando mais de 14 horas no dia. Não se respeitavam os plantões, seis dias de trabalho e um de descanso… Isso não acontecia. E não havia também compensação de horas, com a inexistência de hora extra.

Em relação à organização do trabalho, a questão da exploração acontece de maneira “disfarçada”, na avaliação da jornalista, com o jornalista se vendo como parte da empresa e com isso sendo usado para extrair mais produtividade, pressão e ritmo de trabalho acelerado. Com as novas tecnologias, os profissionais também passaram a exercer diversas funções, a se tornarem um “faz-tudo”.

O sofrimento, de acordo com a pesquisadora, aparecia ligado a questões como condições de trabalho, precariedade, jornadas exaustivas, prazos curtos para conclusão das tarefas, baixa remuneração, trabalho no final de semana e busca por quantidade, em vez de qualidade. Também havia questões mais subjetivas, como autonomia e realização profissional.

O estudo apontou ainda a ocorrência de assédio moral e sexual e de estresse, apontado como algo presente no trabalho, principalmente em coberturas de maior intensidade.

— Se a gente for buscando de 2015 para hoje, a produção de notícia está muito mais acelerada. Então essa pressão é ainda maior, porque o jornalista tem que estar postando nas redes sociais para que a notícia ganhe relevância — disse Cristiane.

Organização do trabalho
Para o médico sanitarista Hélio Neves, as questões da organização do trabalho, no mundo moderno, trazem impactos complexos na saúde física e mental dos trabalhadores.

Em pesquisa que conduziu com apoio do Sindicato dos Radialistas em São Paulo, no período da pandemia, Neves constatou que o home office “foi uma oportunidade muito boa de reorganizar a vida, principalmente para quem tinha uma tarefa a entregar e, após a entrega, encerrava seu serviço.

— Para aquela outra parte dos trabalhadores que tinha de cumprir atividades à medida que eram convocados, e essa convocação podia acontecer, muitas vezes, a qualquer hora do dia, a qualquer dia da semana, foi uma ameaça bastante grande. (…) Na questão da relação do trabalho em site, no local da empresa ou em casa, também há um problema bastante importante para uma parte das pessoas que trabalha em teleatendimento, que é o fato de que o seu local de trabalho não é específico para aquele trabalho — afirmou o médico.

Neves também pontuou que há 20 anos a saúde mental não aparecia no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador como um problema importante em termos numéricos — situação muito diferente da atual, quando são cada vez mais comuns problemas como a síndrome de burnout, distúrbio emocional que se manifesta como esgotamento provocado pelo excesso de trabalho.

— A síndrome chamada de burnout é de difícil cuidado, de difícil tratamento, exige terapia, exige medicamento. Muitas vezes [o profissional] perde o convênio porque é demitido, não consegue mais ser atendido pelos seus profissionais habituais, e no SUS a gente não consegue oferecer esse tipo de tratamento com a frequência e a intensidade que são necessárias.

O conselheiro Davi Emerich afirmou que é preciso equacionar a questão do apoio à saúde do trabalhador, “jogando pesado no fortalecimento do SUS como sistema ou criando mecanismos para que o trabalhador, mesmo que em relações precárias de trabalho, possa ter acesso a algum plano de saúde que pelo menos o cubra no exercício daquele trabalho específico que ele está fazendo”.

Normas
Faltam normas de saúde e segurança específicas para os profissionais de comunicação. A afirmação foi feita pela da auditora fiscal do Trabalho Roseniura Santos, que disse ser urgente traçar regras que sejam adequadas às peculiaridades do exercício das profissões no setor de comunicação, de forma tripartite, com participação institucional do Ministério do Trabalho, mas também representações patronais e de trabalhadores.

— Na questão das ausências normativas, para não dizer que as NRs [normas regulamentadoras] foram totalmente silentes, há duas citações que dizem respeito ao setor, mas de uma forma muito indireta: nós temos uma citação na NR-12 e na NR-33 para falar das interferências eletromagnéticas, ou seja, de caráter relativo ao setor de comunicação, mas uma gotinha perdida num oceano.

Assim como os demais debatedores, a auditora salientou desafios, principalmente diante da “ terceirização, quarteirização” dos profissionais. Roseniura destacou mudanças profundas nas normas regulamentadoras, entre elas a NR-1, que funciona como guarda-chuva e que entrou em vigor em 2022.

— A NR-1 traz uma nova sistemática. Essa norma exige três etapas. Uma é identificação de perigos, um conceito novo. (…) Na segunda etapa, você vai avaliar dentre esses perigos o que é um risco, ou seja, aquilo que tem uma probabilidade devida e tecnicamente fundamentada, avaliando esse risco conforme o grau de dano que ele possa causar, para, então, estabelecer a terceira etapa, que é controlar os riscos.

O controle das normas tem impacto enorme, e é importante, segundo a auditora fiscal, que as instituições representativas, tanto patronais quanto profissionais, se apropriem desse conhecimento técnico.

— É importante chamar a atenção para a importância de as entidades representativas dos profissionais de comunicação, os sindicatos, as federações atuarem de forma mais intensiva na exigência das normas de saúde e segurança.

Para a conselheira Maria José Braga, da direção da Federação Nacional dos Jornalistas e do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, “não estamos conseguindo estabelecer as normas ou estabelecer mecanismos de cumprimento e de fiscalização das normas para minimizar os impactos dessa mudança da organização do trabalho na saúde da classe trabalhadora”.

— A gente já vivia tudo isso lá em 2015, e foi sendo gradualmente agravado com a maior precarização nas relações e nas condições de trabalho, agravado enormemente com a regularização dessa precarização das relações de trabalho oriunda da contrarreforma trabalhista de 2017, e, agora, ainda mais agravada com essa mudança provocada pelas tecnologias e que nós estamos chamando de plataformização do trabalho — disse a conselheira.

Fonte: Agência Senado