Investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apontam que eventos de luxo com presença de mulheres brasileiras e estrangeiras fizeram parte de sua estratégia de relacionamento com autoridades públicas e executivos.
Segundo reportagens baseadas em documentos da Polícia Federal, entrevistas e registros em redes sociais, ao menos 20 mulheres foram identificadas como participantes dessas festas, realizadas no Brasil e no exterior. Parte delas teria recebido apoio financeiro para permanecer disponível durante os eventos, frequentados por políticos e empresários.
Mensagens atribuídas a Vorcaro indicam que os encontros integravam seu “business”. Os eventos eram organizados com logística estruturada, incluindo viagens internacionais, hospedagens em hotéis de alto padrão e transporte em aeronaves privadas. Em alguns casos, ocorreram paralelamente a compromissos oficiais, como na semana do GP de Fórmula 1 no Brasil, em 2023.
Relatos também citam festas em locais como Trancoso (BA), com custos elevados, atrações musicais e grande número de convidados. Documentos da investigação apontam gastos milionários, incluindo serviços VIP, bebidas premium e estrutura de segurança.
Apesar das informações reunidas, não há confirmação oficial sobre a participação de autoridades nos eventos nem evidências conclusivas sobre eventuais ilegalidades relacionadas às festas. A defesa de Vorcaro não comentou o caso.
Especialistas destacam que, se comprovado o uso desse tipo de evento para obtenção de vantagens junto a agentes públicos, a prática pode ser enquadrada como corrupção, dentro do conceito de “vantagem indevida”. Também levantam a necessidade de apuração sobre possíveis irregularidades, como exploração sexual ou uso indevido de recursos.
O caso segue sob investigação no âmbito das operações que apuram suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o grupo empresarial.
Com informações de Folha de S. Paulo