As dificuldades no fornecimento de óleo diesel ganharam força em diversas regiões do Brasil e começam a preocupar o setor produtivo. O problema já atinge desde o transporte da safra até a operação de máquinas no campo, elevando o risco de impactos no abastecimento e nos preços dos alimentos.
De acordo com reportagem do jornal O Globo, há registros de escassez em áreas estratégicas do agronegócio, tanto no Sul quanto no Centro-Oeste.
Dentro do governo, a avaliação é que a situação pode chegar rapidamente ao consumidor final, especialmente no custo de produtos como o milho, insumo essencial na ração animal, o que tende a pressionar o preço das carnes.
Relatos de dificuldades vêm de produtores de arroz no Rio Grande do Sul responsáveis por cerca de 70% da produção nacional, além de agricultores de soja no Centro-Oeste, que tentam concluir a colheita da safra atual enquanto se preparam para o plantio do milho.
Em São Paulo, usinas de açúcar e etanol também demonstram preocupação às vésperas da safra 2026/2027.
O diesel é essencial em toda a cadeia: abastece caminhões que transportam a produção até indústrias e portos, além de alimentar tratores e colheitadeiras.
Mesmo com restrições ainda consideradas pontuais, os preços já refletem o cenário de tensão. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o combustível terminou a última semana 19,4% mais caro em relação ao período anterior ao início da guerra.
Esse aumento já se reflete no custo do frete, que subiu entre 10% e 12%, gerando um efeito em cadeia sobre toda a produção. A elevação dos custos pressiona ainda mais produtores rurais, muitos deles já enfrentando margens reduzidas.
No Sul, levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) mostra que 165 dos 345 municípios consultados já enfrentam dificuldades para abastecer veículos e equipamentos públicos, número superior ao registrado dias antes.
A preocupação é maior neste período de colheita do arroz, que ocorre entre o fim de fevereiro e o início de abril, com pico em março. A produção de azeitonas e azeite também vem sendo afetada.
No Paraná, a Paranapetro relata episódios pontuais de desabastecimento, atribuídos à “demanda fora do normal”, principalmente no interior do estado.
Já no Sudeste, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) alerta para o risco de falta de diesel em plena colheita de grãos e cana-de-açúcar.
Em São Paulo, maior produtor nacional de açúcar e etanol, há receio de que a escassez comprometa o início da nova safra.
Na região de Ribeirão Preto, usinas já enfrentam atrasos e até interrupções na colheita por dificuldade de abastecimento, o que pode afetar diretamente a produção de etanol e açúcar.
No Centro-Oeste, o foco está no escoamento da soja recém-colhida e no plantio da segunda safra de milho, ambos dependentes do combustível.
Em Mato Grosso do Sul, ainda conforme reportagem de O Globo, há um movimento de antecipação de compras e formação de estoques por parte dos consumidores.
A Abramilho também confirmou relatos de dificuldade de aquisição de diesel em diversos estados, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Goiás e São Paulo.
Diante do cenário, o governo federal afirma que acompanha a situação de perto. O Ministério da Fazenda anunciou a redução de tributos federais sobre o diesel, além de subsídios voltados a produtores e importadores.
Paralelamente, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) iniciará um plantão para apoiar Procons em todo o país na fiscalização de ‘aumentos abusivos’ nos preços dos combustíveis.
Fonte: O Globo