segunda-feira, 27 de março de 2023

Vídeos em celular de PM preso mostram advogada sendo monitorada dias antes de ser morta

Vídeos encontrados no celular de um dos policiais militares presos suspeitos de envolvimento nos assassinatos da advogada Rafaela Vasconcelos de Maria, de 34 anos, e da mãe dela, Maria Socorro Vasconcelos de Maria, de 78 anos, reforçam os indícios de participação dos agentes de segurança no crime.

As imagens mostram o que seria diligência de reconhecimento da rotina da advogada, conforme o Auto de Prisão em Flagrante (APF)

Os PMs autuados pelo crime são o soldado Daniel Medeiros de Siqueira e o sargento Francisco Amaury da Silva Araújo. Eles foram presos no sábado, 25, no mesmo local onde a moto utilizada no duplo assassinato foi encontrada — a apreensão havia se dado ainda na sexta-feira, 24.

Foi no celular de Amaury que os investigadores encontraram os vídeos.

Em uma das gravações, o veículo e a residência de Rafaela são filmados. Um outro vídeo também mostra a residência da vítima sendo filmada de dentro de um carro.

As imagens ainda permitem visualizar o painel de um veículo modelo Cobalt, o mesmo encontrado com os PMs no momento de suas prisões.

As filmagens são do começo deste mês de março, apurou a investigação. Além dos vídeos, na galeria de imagens do celular de Amaury havia foto de uma moto semelhante à utilizada no crime.

Outra imagem que chamou a atenção dos investigadores é a foto de um homem que passou a circular nas redes sociais como um possível suspeito do crime. A foto seria de um criminoso conhecido como Jumento Novo, da cidade de Marco, segundo o Auto de Prisão, tinha data de um dia antes do crime.

Um militar ouvido em depoimento disse que o fato lhe causou "estranheza", pois “até então não tinha surgido em grupos de Whatsapp nada sobre ele”. A testemunha ainda destacou que a foto encontrada no aparelho é a mesma que viralizou após o duplo homicídio.

De acordo com o Auto de Prisão, o mesmo militar ainda afirmou ter tomado conhecimento de que, no último dia 3 de março, Rafaela havia recebido ligações "suspeitas", em que uma pessoa dizia que queria encontrar-se com ela para um atendimento. A advogada declinou pois "achou suspeita a forma que a pessoa falava”.

O Povo

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