Um trágico caso de feminicídio abalou a comunidade de Jacarecoara, em Cascavel, litoral leste do Ceará, na sexta-feira (20). Maria Helena de Castro, 43 anos, foi assassinada a golpes de faca dentro de sua própria residência. O principal suspeito, Messias Lemos de Vasconcelos, 56 anos, também morreu após tentar suicídio.
De acordo com informações iniciais, a vítima e o suspeito estavam juntos na casa quando um desentendimento resultou na agressão. Maria Helena sofreu ferimentos graves em diversas partes do corpo, incluindo os pés, enquanto tentava se defender, mas não resistiu às lesões.
Após o ataque, Messias ligou para sua esposa e tentou tirar a própria vida. Ele recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas faleceu antes de chegar ao pronto atendimento.
O caso envolveu um relacionamento extraconjugal entre Messias, residente em Jacarecoara, e Maria Helena, que morava no Tijuco Sul, a 15 quilômetros de distância. As informações sobre o ocorrido foram divulgadas parcialmente devido à sensibilidade do caso, que envolveu traição.
O corpo de Maria Helena foi encontrado próximo à porta da residência, sugerindo que ela tentou escapar da agressão. Moradores afirmam que a esposa de Messias descobriu a cena, encontrando Maria Helena morta e o marido ferido, que não sobreviveu.
A Polícia Civil continua investigando o feminicídio. Até o momento, as motivações do crime não foram esclarecidas, e o andamento da investigação permanece sob sigilo.
No Ceará, 46,8% dos agressores são próximos às vítimas
Quase metade das agressões contra mulheres no Ceará é cometida por pessoas próximas às vítimas, segundo dados do relatório “Elas Vivem: a urgência da vida”, da Rede de Observatórios da Segurança. O levantamento mostra que 46,8% dos agressores no estado são companheiros, ex-companheiros, familiares ou conhecidos. Além disso, a pesquisa reúne registros de violência de gênero em 2025 e aponta que a maior parte dos casos ocorre dentro de relações de convivência ou confiança.
No Ceará, foram 197 casos de violência contra mulheres monitorados ao longo de 2025, segundo o relatório. O número representa uma redução de 4,8% em relação ao ano anterior, mas especialistas alertam que a queda não significa necessariamente uma melhora do cenário, já que muitos episódios de violência ainda não são denunciados ou registrados oficialmente.
Outro dado que chama atenção no estado é o aumento de mortes de mulheres. O levantamento aponta que 98 mulheres e meninas foram mortas no Ceará, considerando casos de feminicídio, homicídio e transfeminicídio. Esse número representa crescimento de 4,4% em relação ao período anterior, indicando que a violência letal contra mulheres segue em alta mesmo diante da redução de ocorrências registradas.
O fato de quase metade dos agressores ser formada por pessoas próximas evidencia um padrão recorrente nas violências de gênero: os crimes costumam ocorrer em ambientes domésticos ou em relações afetivas.
Especialistas apontam que essa proximidade pode dificultar a denúncia por parte das vítimas, já que muitas dependem emocional ou financeiramente do agressor. Além disso, há casos em que a violência se manifesta de forma gradual, começando com agressões verbais ou psicológicas e evoluindo para formas mais graves.
Entre os tipos de violência registrados no Ceará no relatório, aparecem tentativas de feminicídio ou agressão física, homicídios, feminicídios, violência sexual, tortura e cárcere privado, entre outras modalidades. O levantamento destaca que uma mesma vítima pode sofrer mais de um tipo de violência ao longo do tempo.
Outro aspecto importante é que parte significativa dos crimes ocorre em contextos de relações íntimas. Em muitos casos, o agressor é um parceiro ou ex-parceiro, o que reforça o caráter doméstico da violência de gênero.