domingo, 23 de outubro de 2022

Roberto Jefferson troca tiros com a PF no Rio, diz filha de ex-deputado

O caso acontece um dia depois do ex-deputado atacar com xingamentos a ministra do STF, Cármen Lúcia
O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) trocou tiros com agentes da Polícia Federal no começo da tarde deste domingo, 23, de acordo com a filha dele e também ex-deputada Cristiane Brasil. O caso aconteceu no município de Levy Gasparian, no Rio de Janeiro, onde Jefferson cumpre prisão domiciliar desde o começo do ano.

Em vídeos compartilhados nas redes sociais, Cristiane afirmou que o pai estava enfrentando os policiais à bala, e classificou a Polícia Federal como “a gestapo do Xandão”, em referência ao presidente do TSE, o ministro Alexandre de Moraes, e a polícia da Alemanha nazista. O caso acontece um dia depois do ex-deputado atacar com xingamentos a ministra do STF, Cármen Lúcia.

“Meu pai hoje está enfrentando hoje, domingo, meio-dia, a gestapo do Xandão, sozinho, a balas, pois não vai se entregar ao totalitarismo, à ditadura, do Judiciário sobre a democracia”, disse Cristiane.

“Isso é só o estopim do que vai acontecer daqui para frente caso aconteça alguma coisa com meu pai. O que eu tenho para dizer para vocês é que ele não vai se entregar. Meu pai não vai se entrega. Acabou. A masmorra para ele acabou. Ninguém vai calar a voz de um inocente”, acrescentou Cristiane.

Um vídeo compartilhado nas redes sociais por parlamentares de direita mostra o que parece ser um circuito interno de segurança da casa de Roberto Jefferson. Uma voz, que se assemelha a do ex-deputado, começa a dizer que não vai se entregar. “Chega, me cansei de ser vítima de arbítrio, de abuso. Infelizmente. Eu vou enfrentá-los”, disse.

Em outro vídeo, aparentemente no mesmo local, a narração diz: “Eu vou mostrar a vocês que o pau cantou. Eles atiraram em mim, eu atirei neles, ó”.

No local onde, no começo do vídeo, se viam os agentes e uma viatura da PF, apenas a viatura permanecia no local, com o que parecia ser um rastro de sangue. “Já é a quarta vez que esses caras voltam aqui. Chega, o pau cantou”.

Ofensas a Cármen Lúcia

O caso envolvendo a Polícia Federal acontece um dia após Roberto Jefferson ser repudiado pelaor integrantes da classe política e jurídica por atacar com xingamentos a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. O ex-deputado chamou a ministra de “prostituta arrombada” em um vídeo divulgado na internet.

“Fui rever o voto da Bruxa de Blair, da Cármen Lúcifer, na censura prévia à Jovem Pan. Olhei de novo, não dá para acreditar Lembra mesmo aquelas prostitutas, aquelas vagabundas arrombadas”, disse Jefferson, que hoje se encontra em prisão domiciliar e é investigado por atuação em milícia digital contra democracia.

Não se sabe se a ida dos agentes da PF à casa do ex-deputado tem relação com as ofensas proferidas no sábado.

Agência Estado

Três detentos são recapturados um dia após fuga em presídio de Aquiraz

Foto: Governo do Ceará
Conforme a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), os internos praticaram abuso de confiança por fugirem do equipamento de segurança
Três dos seis detentos que fugiram da Unidade Prisional de Aquiraz, conhecida como Centro de Detenção Provisória, na Região Metropolitana de Fortaleza, foram recapturados, na manhã deste sábado (22). O grupo fugiu do presídio na última sexta-feira (21).

Detentos fugiram de presídio de Aquiraz
Os presos estariam em um curso para pedreiro quando escaparam do prédio. Os detentos fizeram um buraco em um dos portões da unidade. Foi a segunda fuga registrada na semana.

Conforme a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), os internos praticaram abuso de confiança. “Os trabalhos de recapturas prosseguem de forma intensa e são coordenados pelos próprios secretários e toda equipe operacional, juntamente com policiais penais de outras unidades prisionais, a fim de recapturar os demais três detentos que se evadiram”, informou a pasta estadual.

Inaugurado em 28 de junho de 2018, o Centro de Detenção Provisória, com 568 vagas, foi criado para receber os presos oriundos das delegacias antes de destiná-los à unidade onde cumprirão pena. Com estrutura diferenciada, o presídio conta com três áreas distintas: espaço para Regime Especial, com 48 vagas, para Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), com 28 vagas, além de celas comuns para internos que aguardam vaga nos centros prisionais maiores.

GCMais

Vídeo: No Ceará, cachorro segue ambulância do Samu que transporta dona para hospital

Ao realizar os procedimentos médicos, a paciente foi colocada dentro da ambulância. Foi nesse momento que o cachorro acompanhou sua dona no trajeto até a UPA
Em Crateús, no interior do Ceará, profissionais do Serviço Móvel de Urgência (Samu) foram surpreendidos com um ato de companheirismo de um animal. A equipe foi chamada para uma ocorrência. Ao chegar no local, uma mulher estava desacordada no chão e um cachorro fazia companhia.
Cachorro segue ambulância do Samu
Ao realizar os procedimentos médicos, a paciente foi colocada dentro da ambulância. Foi nesse momento que o cachorro acompanhou sua dona no trajeto até a Unidade de Pronto Atendimento. O animal percorreu as ruas da cidade correndo.
A mulher recebeu atendimento médico. O estado de saúde dela não foi divulgado. O episódio foi registrado na última sexta-feira (21).

GCMais

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Projeto de lei pretende proibir redes sociais para menores de 12 anos

Foto: Pexels
Com regras para aplicativos, plataformas, produtos e serviços digitais, o projeto determina que provedores devem criar mecanismos de verificação de idade dos usuários.
Projeto quer proteger crianças e adolescentes em ambientes digitais. Para isso, a proposta proíbe, por exemplo, a criação de contas em redes sociais por crianças menores de 12 anos. Também veda as caixas de recompensa em games e estabelece regras para a publicidade digital. O PL 2.628/2022, apresentado, na última terça-feira (18), pelo senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), ainda aguarda despacho da Mesa do Senado para envio à análise das comissões da Casa.

Com regras para aplicativos, plataformas, produtos e serviços digitais, o projeto determina que provedores devem criar mecanismos de verificação de idade dos usuários. A idade mínima para criar contas nas plataformas digitais na maioria dos aplicativos é estipulada a partir dos 13 anos, podendo haver mudanças de acordo com a legislação de cada país.

Ainda segundo a proposta, contas com mais de um milhão de usuários menores devem elaborar relatórios semestrais sobre os canais e quantidade de denúncias e o tratamento dado.

Segundo a proposta, deve ser garantida, como padrão, configuração em modelo mais protetivo disponível quanto à privacidade e à proteção e privacidade de dados pessoais. Para Alessandro Vieira, o projeto visa proteger o desenvolvimento mental e emocional dos menores.

“O projeto pretende avançar em relação à segurança do uso da rede respeitando a autonomia e o desenvolvimento progressivo do indivíduo, de acordo com as melhores práticas e legislações internacionais e acompanhando o ritmo das inovações tecnológicas apresentadas ao público infanto-juvenil”, aponta o senador na justificativa da proposta.

O fim das caixas de recompensa
O projeto segue medidas adotadas em países como os Estados Unidos da América (EUA) e o Japão como a proibição das caixas de recompensa, os chamados loot boxes. Essas caixas lacradas dão itens aleatórios para ajudar o jogador e podem ser compradas com moedas específicas de jogos, ganhas através de critérios variados ou compradas com dinheiro real. De acordo com Vieira, pesquisas demonstram a similaridade dessas caixas de recompensa com jogos de apostas.

“De acordo com a pesquisa da GambleAware, cerca de 5% dos jogadores geram metade de toda a receita dos loot boxes — não sendo necessariamente esses apostadores de alto poder aquisitivo, mas aqueles propensos a terem problemas com jogos de azar”, aponta o senador.

Punições para as redes sociais com menores de 12 anos
A proposta ainda prevê punições com advertência, suspensão e proibição do serviço, bem como multa de até 10% do faturamento da empresa no ano anterior ou multa de R$ 10 até R$ 1.000 por usuário cadastrado do provedor, limitada, no total, a R$ 50 milhões por infração. Os valores das multas serão destinados ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos para aplicação em políticas e projetos de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Com informações da Agência Senado

Perda de dentes pode aumentar em 28% riscos de demência

Mais de 10% da população sofre com problemas bucais; além da perda cognitiva, falta de saúde bucal leva a reflexos na mastigação e autoestima
A perda de dentes aumenta em 21% os riscos de desenvolver Alzheimer. É o que indica uma pesquisa da Universidade de Nova York, publicada no Journal of Post-Acute and Long-Term Care Medicine. O levantamento também aponta que, quanto maior a quantidade de dentes perdidos – por doenças bucais ao longo da vida – maior a probabilidade de demências. A pesquisa, que envolveu 34 mil pacientes, concluiu: os que haviam perdido dentes tinham 48% mais risco de impedimentos cognitivos e 28% maior risco de demência, se comparado aos indivíduos com todos os dentes.

“A periodontite, doença na gengiva que compromete diretamente o suporte dos dentes, acomete mais de 10% da população mundial e, além de causar problemas sérios como o comprometimento da mastigação e de autoestima, está diretamente ligada a outras doenças, como as cognitivas”, diz o dentista e especialista em saúde coletiva, João Piscinini.

Saúde bucal, autoestima e demência
O aposentado Orli Dias, de 77 anos, não apresenta sinais de demência, mas sofria com a falta de dentes, que atrapalhava na mastigação e na fala. Além de dentes condenados, ele tinha uma prótese parcial removível provisória na boca, que foi trocada em um procedimento para implante dentário. Pouco tempo depois, Orli realizou o sonho de falar para várias pessoas, sentindo a confiança que sempre desejou.

“A dentadura solta dificulta e me deixava inseguro na hora de comer e falar. A prótese me deu mais conforto e segurança”, conta o aposentado.

“Hoje, uma cirurgia de implantes é rápida, precisa e provoca muito menos dor. Antigamente, todo o processo de substituição dos dentes por implantes levava quase um semestre para ser finalizado, agora, muitas vezes, é possível ser feita em uma única ida ao consultório”, complementa Piscinini.

Implante de novos dentes
O implante dentário é um pino (cilindro), geralmente de titânio, inserido no osso mandibular ou maxilar, abaixo da gengiva, com a intenção de substituir a raiz do dente. Esse processo ajuda a dar estabilidade necessária à fixação do dente.

As próteses montadas sobre implantes, sejam parciais ou totais,  dão mais segurança às funções bucais, refletindo na saúde dos pacientes. Isso ocorre porque o implante melhora o processo de fechamento da boca, e devolve as condições ideais de articulação da mandíbula e da alimentação.

 A mastigação correta dos alimentos implica diretamente na trituração adequada dos alimentos, beneficiando assim o funcionamento do sistema digestivo e as condições de saúde de forma geral.

GCMais

CBF inaugura, no Rio, estátua em homenagem a Zagallo

Solenidade reuniu amigos do treinador de 91 anos
O Museu Seleção Brasileira, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, inaugurou hoje (20) estátua de cera em homenagem a Zagallo, com a presença do ex-jogador e treinador, hoje com 91 anos.

Inspirada na sua última passagem como técnico da Seleção Brasileira, a obra levou cerca de dois anos para ficar pronta e envolveu 26 artesãos. Com 30 quilos, foi confeccionada pelo mesmo ateliê responsável pelas estátuas de Marta e Pelé, também expostas no Museu Seleção Brasileira. Para a produção, foram mais de 300 medições feitas na casa de Zagallo, e quase 500 fotos.

“Jamais vou esquecer na minha vida as conquistas. Eu não pensei que viria aqui na CBF um dia com essa representação. É impressionante! Eu jamais pensei em poder bater um papo com o Zagallo”, disse o homenageado.

Amigos e admiradores de Zagallo
Carlos Alberto Parreira e Américo Faria, dois companheiros de Zagallo nos tempos de seleção, marcaram presença na homenagem. Representando a comissão técnica atual estava também o técnico Tite: “Exemplo, inspiração, humanismo. Tu não sabes o quanto representa para o futebol brasileiro. Muito obrigado”, disse Tite.

Segundo a CBF, a história de Mário Jorge Lobo Zagallo confunde-se com a da seleção. “Ninguém foi mais vencedor representando a Amarelinha, seja como jogador, técnico ou coordenador técnico. Toda essa trajetória de identificação consolidada no coração do torcedor brasileiro ficará eternizada no Museu Seleção Brasileira”, diz a nota da CBF.

Zagallo é bicampeão do mundo como jogador, tricampeão como técnico, tetra como coordenador e ainda comandou a seleção nas Copas do Mundo de 1998 (vice-campeã) e de 1974 (quarta colocada), além de somar a coordenação técnica na Copa do Mundo de 2006.

Esse alagoano de Maceió disputou 36 jogos pela Seleção Brasileira: 29 vitórias, quatro empates e três derrotas. Ele estreou e se despediu de sua participação na seleção no Maracanã. O primeiro jogo foi no dia 4 de maio de 1958, marcando dois gols na goleada de 5 x 1 sobre o Paraguai. A última partida foi no dia 7 de junho de 1964, na vitória de 4 x 1 sobre Portugal, em jogo válido pela Taça das Nações, competição que reuniu Brasil, Argentina, Inglaterra e Portugal.

GCMais

CNN transforma debate em entrevista com Bolsonaro após Lula confirmar ausência

O presidente Jair Bolsonaro (PL) será entrevistado pela CNN nesta sexta-feira (21), às 21h30, após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidir não participar do debate promovido pela CNN em pool com o SBT, Estadão/Rádio Eldorado, Terra, Veja e Novabrasil FM.

Conforme as regras previamente acertadas com as campanhas, com a ausência de Lula, Bolsonaro, que confirmou presença, será entrevistado pelos jornalistas do pool. A entrevista terá uma hora de duração.

“Infelizmente, por incompatibilidade de agendas, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva não poderá comparecer ao debate realizado pelo SBT e emissoras parceiras neste segundo turno”, disse a coligação, em nota enviada ao pool. A CNN lamenta a decisão.

A entrevista acontecerá no estúdio do SBT, em Osasco, na Grande São Paulo e será transmitida ao vivo pela CNN, na TV, e nas plataformas do canal nas redes sociais.

CNN Brasil

PSDB vai acabar? Entenda para onde vai o partido em crise

Brasília – Convenção Nacional do PSDB, em Brasília (José Cruz/Agência Brasil)
Atualmente, o PSDB e o Cidadania já fazem parte de uma federação. Juntos, os dois partidos elegeram 18 deputados federais (foram 13 do PSDB), no último dia 2, apenas sete a mais do que o exigido pela cláusula de barreira
Em crise de identidade e após ter se tornado nanico no Congresso, o PSDB começou a discutir como se posicionará no jogo político para sobreviver, a partir de 2023. Uma das ideias é formar uma federação com o MDB e outros partidos que estiveram unidos na coligação de apoio à candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) ao Palácio do Planalto.

A proposta começou a ser discutida nesta quarta-feira, 19, em reunião entre os presidentes do PSDB, Bruno Araújo; do MDB, Baleia Rossi; do Cidadania, Roberto Freire; e do Podemos, Renata Abreu. Atualmente, o PSDB e o Cidadania já fazem parte de uma federação. Juntos, os dois partidos elegeram 18 deputados federais (foram 13 do PSDB), no último dia 2, apenas sete a mais do que o exigido pela cláusula de barreira.

Agora, se MDB e o Podemos entrarem na federação, o grupo reuniria a maior bancada do Senado, com 21 parlamentares, e a terceira maior da Câmara, com 72 deputados. Somente ficaria atrás da federação PT-PV-PCdoB, que tem 79 deputados eleitos, e do PL, com 99.

Os presidentes do MDB e do Cidadania confirmaram as negociações, mas destacaram que a discussão ainda está no estágio inicial e não envolve fusão. “Não existe nenhuma discussão sobre fusão. Há conversas sobre integração do MDB na federação PSDB-Cidadania, mas apenas tratativas iniciai, ainda não colocadas nos coletivos partidários. Talvez isso possa ser em breve efetivamente discutido”, disse Roberto Freire. Baleia Rossi adotou a mesma linha. “Estivemos conversando, sim. (A discussão) é sobre bloco parlamentar ou federação”, afirmou.

Apesar de se classificar como independente, o PSDB tem agido como base do presidente Jair Bolsonaro (PL) desde o início do governo, votando a favor da maior parte das pautas do Planalto. O resultado do primeiro turno das eleições aumentou ainda mais a crise no PSDB.

Com o apoio público a Bolsonaro por parte do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), e de deputados da legenda – como o líder da bancada na Câmara, Adolfo Viana (BA), e o deputado Carlos Sampaio (SP) -, uma ala do partido passou a dizer que o PSDB foi “sequestrado” pelo bolsonarismo.

A tentativa de união de PSDB, Cidadania, MDB e Podemos é uma forma de reaglutinar as forças de centro, que perderam espaço com a popularidade do bolsonarismo. “Ainda está cedo, ainda está no processo eleitoral, mas é uma hipótese. O resultado eleitoral gerou a necessidade de reorganização partidária. Acho que o PSDB tem um bom diálogo hoje com o MDB”, disse ao Estadão o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (PSDB-RJ).

O deputado não descartou nem mesmo uma fusão entre o PSDB e o MDB mais adiante, mas ressalvou que não falava em nome da direção do partido. Maia era do DEM e se filiou ao PSDB neste ano.

“É importante que o PSDB se reorganize, reafirme tudo aquilo que construiu com o PFL (hoje União Brasil), desde a época da redemocratização. Infelizmente, uma parte ficou no caminho, mas ainda tem um legado importante no PSDB em muitos Estados brasileiros e em algumas ações importantes no Congresso Nacional”, afirmou Maia.

O ex-presidente da Câmara virou desafeto de Bolsonaro e apoia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, mas evitou comentar o comportamento governista de seus colegas de bancada.

O PSDB nasceu em 1988 de uma ala do antigo MDB. Na época, o partido em formação avaliava que o MDB tinha um comportamento “fisiológico” de adesão a governos. Hoje são os tucanos os acusados de ter uma relação fisiológica com o governo Bolsonaro

O Estadão ouviu um deputado tucano que é crítico da guinada bolsonarista. Sob a condição de anonimato, o parlamentar disse que o PSDB perde ao apoiar Bolsonaro, independentemente do resultado da eleição. A avaliação é a de que se Lula ganhar, os tucanos ficariam “a reboque” do bolsonarismo, que teria o verdadeiro protagonismo da oposição para enfrentar o petismo em 2026. No outro cenário, caso o presidente se reeleja, o partido também teria um papel irrelevante. Os críticos da guinada bolsonarista admitem que são minoria e que hoje não há ninguém dentro da legenda com força suficiente para fazer um contraponto a isso.

Ex-ministro das Comunicações, ex-prefeito de Belo Horizonte e da ala tucana a favor de Lula no segundo turno, Pimenta da Veiga também é a favor de que os partidos se unam. “Eu penso que o quadro partidário passará por muitas alterações nos próximos tempos, com federações, fusões e incorporações. E é bom que ocorra para redução do número de partidos”, disse.

Cabeças brancas

No caso mais recente de adesão tucana a uma pauta bolsonarista, o ex-senador e ex-chanceler Aloysio Nunes (PSDB-SP) criticou abertamente o partido após a sigla orientar a favor de um conjunto de projetos que estabelece punições a institutos de pesquisas que não acertarem o resultado das eleições. A iniciativa tem sido usada por Bolsonaro para questionar a legitimidade desses institutos.

Nunes disse que a ideia é uma das mais “obscurantistas e liberticidas do bolsonarismo” e que a bancada tucana “sequestrou” o PSDB. “Quando se pensa que os que sequestraram o partido da social democracia já atingiram o fundo do poço do opróbio, eles dão um jeito de cavar mais um pouquinho”, argumentou o ex-chanceler.

O ex-senador faz parte da ala dos “cabeças brancas” do PSDB. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os senadores Tasso Jereissati e José Serra também integram esse grupo. Ao contrário dos deputados tucanos, essa ala declarou votou em Lula para presidente e rejeita Bolsonaro.

Em mais um capítulo do desgaste do PSDB, o ex-governador de São Paulo João Doria anunciou na quarta-feira, 19, a desfiliação do partido. A saída não foi surpresa para os colegas, mas a forma como se deu, em pleno processo eleitoral de segundo turno, provocou críticas.

Doria nunca foi próximo da cúpula tucana e entrou em diversos embates para ter influência no partido. Tentou ser candidato a presidente, mas foi rifado pelo PSDB após ter vencido um processo de prévias e recebido uma carta do presidente da legenda, Bruno Araújo, garantindo que ele seria o candidato. Apesar de ter sido eleito governador de São Paulo associando seu nome ao de Bolsonaro, em 2018, Doria virou rival do presidente durante a pandemia do coronavírus.

O ex-deputado Marcus Pestana, que foi candidato do PSDB ao governo de Minas, é apoiador de Lula, mas admite haver uma influência bolsonarista no partido. Pestana avaliou, porém, que ainda é preciso esperar o segundo turno das eleições para saber qual direção o partido tomará.

“É preciso saber quem terá hegemonia e o rumo depende de quantos e quais governadores faremos”, afirmou o ex-deputado. O PSDB perdeu a eleição para o governo de São Paulo pela primeira vez em 28 anos, mas ainda tem candidatos no páreo no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Paraíba. “Vamos aguardar. O jogo não acabou. Há uma ala bolsonarista e outra, não. Tudo depende dos resultados”, destacou Pestana.

Agência Estado

A resposta (na urna) dos que estão decepcionados com a política

Dayane Costa votou em um candidato no primeiro turno, mas cogita não repetir o voto (Foto: Arquivo pessoal)
Entre os motivos apontados por eleitores ‘desgostosos’ estão a desaprovação do baixo nível adotado pelas campanhas e a inconformidade com o que chamam de ‘polarização’
A mais recente pesquisa eleitoral Datafolha sobre a disputa presidencial foi realizada após o primeiro debate da corrida do segundo turno, promovido no último domingo (16). Nos resultados, apenas 2% dos eleitores brasileiros disseram ter mudado seu voto após assistir ao ou se informar sobre o embate televisivo entre o ex e o atual presidente da República.

A recepcionista Dayane Costa faz parte deste grupo. Segundo ela, o tom a que chegaram as campanhas presidenciais no segundo turno a fez repensar se destinará seu voto a um dos dois candidatos que disputam a reta final.

“Aquele em que eu votei no primeiro turno está agora disputando o segundo, mas, sinceramente, não sei se quero votar nele outra vez”, admite a eleitora, sem esconder a decepção.

“Estou vendo muita baixaria, troca de acusações e poucas propostas, tenho ficado insatisfeita com o que vejo nas campanhas. Como votar no outro candidato jamais foi uma opção para mim, agora estou em dúvida se voto ou anulo”, desabafa.

Mudança
Segundo o levantamento, 55% do eleitorado não assistiu ao debate entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 25% viram alguns trechos do embate e 20%, todo ele.

Dos 2% que disseram ter mudado de ideia sobre o voto após o debate, quase metade (45%) tinha Lula como candidato preferencial antes do programa e os demais se dividiam entre Bolsonaro (17%), brancos e nulos (18%) e indecisos (20%).

Outro dado que consta na pesquisa mostra que a maioria da população afirma que com certeza comparecerá às urnas no segundo turno da eleição, no próximo dia 30. A abstenção é um fator que tem preocupado as campanhas.

A intenção de ir votar varia pouco entre os eleitores. Os números também estão estáveis em relação à rodada anterior. De acordo com o instituto, 98% dos eleitores pretendem votar, sendo que 95% indicam que com certeza irão e 2% indicam que talvez (a soma chega a 98% levando em conta o arredondamento das casas decimais). Outros 2% responderam que não
pretendem ir votar.

“Polarização”
A administradora Iale Osterno não se conforma com que chama de “polarização extrema” que tomou conta no pleito e alega ter encontrado no voto nulo uma forma de protestar.

“Eu até tinha uma preferência no primeiro turno, mas diante desse cenário onde, além dos dois que estão no páreo não há chance para mais ninguém, anulei”, explica.

“Fico muito desestimulada com o ambiente de extremismos em que estamos vivendo. No dia 30 estarei viajando, então vou me abster de novo. Ou justifico (a ausência eleitoral) ou nada! Me resolvo com a Justiça Eleitoral depois”, provoca.

O número de abstenções nas urnas chegou a 32,7 milhões (20,9% dos eleitores) no primeiro turno. Embora o resultado seja estável se comparado às eleições de 2018 (20,3%), é a maior abstenção das últimas seis eleições majoritárias.

Nulos X Brancos
Os eleitores que não quiserem escolher nenhum candidato podem optar por votar em branco ou nulo. Esta decisão, no entanto, não tem influência direta no resultado do pleito.

Como são igualmente considerados votos inválidos, não são reputados na contagem final da eleição. As únicas diferenças são a forma como o eleitor decide invalidar o voto e como eles são registrados para fins estatísticos.

O microempresário Francisco Fontenele ainda acreditava que o voto em branco poderia servir “para quem estivesse ganhando” e já estava certo que seria sua decisão.

“Eu morei 20 anos em outro país e voltei há um ano. Como estive por fora dos reais acontecimentos, acredito que a maioria do povo brasileiro vai saber o que é melhor para a gente. No primeiro turno eu justifiquei porque não estava no meu domicílio eleitoral, mas agora votarei em branco”, destaca.

O voto em branco acontece quando o eleitor pressiona o botão branco na urna eletrônica e confirma. É um voto inválido, não é computado para nenhum candidato.

O voto nulo é uma forma de invalidar o voto, ou seja, de não votar em ninguém. É registrado quando o eleitor digita um número que não pertence a nenhum candidato ou partido e aperta o botão confirma da urna eletrônica. Os dois métodos, então, funcionam da mesma forma, diferentemente do que pensou Francisco.

Agora, ele já sabe qual e a diferença e que as duas escolhas invalidam o sufrágio. Votos válidos são aqueles destinados a um candidato ou a um partido. Apenas os votos válidos são considerados para saber quem foi eleito.

O Otimista

Boris Johnson e Rishi Sunak são cotados para substituir Liz Truss no Reino Unido

Foto: Reprodução\Instagram
Após a renúncia da ex-primeira ministra do Reino Unido, Elizabeth Truss, que assumiu o cardo após a renúncia de Boris Johnson, o nome dele volta a aparecer como uma das possibilidades para substituí-la na liderança no país. Outro candidato forte é Rishi Sunak, ex-ministro de finanças de Johnson.

Os candidatos buscam apoio para tornarem-se líderes do Partido Conservador. Para isso, devem conseguir 100 votos de parlamentares do partido. Johnson deixou o cargo após diversos escândalos incluindo a má conduta no caso do parlamentar Chris Pincher, acusado de assédio sexual em Londres.

Jacob Rees-Mogg, ministro de Negócios, manifestou apoio ao ex-primeiro-ministro no Twitter. Porém, é válido ressaltar que Sunak, que também concorreu contra Liz Truss, é o favorito nas casas de apostas.

A corrida começou logo após o anúncio da renúncia e, o resultado do vencedor, deve ser anunciado entre segunda, 24, e sexta-feira, 28, da próxima semana.