segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Aliados de Ciro Gomes apostam em aliança de oposição no Ceará sem vincular candidatos a presidente

Foto Marcos Moreira
Com a eleição de 2026 no horizonte, aliados do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) trabalham nos bastidores para estruturar uma frente de oposição ao projeto liderado pelo PT no Ceará. A estratégia tem um detalhe: o grupo tenta dissociar o pleito estadual da disputa presidencial, permitindo que cada legenda aliada siga livremente com seus candidatos a presidente. 

A aposta é que essa “flexibilização” pode diminui as resistências e ampliar o leque de apoios ao nome de Ciro para o governo estadual, sobretudo entre partidos e lideranças que, em âmbito nacional, estão em campos opostos.

A lógica é: se o foco for para o Ceará, e não para Brasília, alianças improváveis podem se tornar possíveis.

Evitando desgastes nacionais

Ciro tem adotado cautela nos discursos e está evitando, publicamente, entrar em polêmicas que possam inviabilizar essas alianças. Em recente entrevista ao Diário do Nordeste, quando questionado sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, respondeu com ironia e neutralidade: “Por que eu apoiaria uma camarada que não é do meu partido?” . A fala é menos sobre Flávio e mais sobre o gesto calculado de não fechar portas.

Nos bastidores, o diálogo com o grupo bolsonarista no Estado está em andamento. Quem conduz as conversas é o deputado federal André Fernandes (PL), nome de peso entre os conservadores no Ceará.

Embora, oficialmente, o PL tenha orientado a suspensão das negociações com Ciro, os contatos continuam, uma sinalização de que a política real se move com mais nuances do que os comunicados partidários.

Apoios pontuais, mas simbólicos

Essa construção de um palanque plural e estadualizado ganhou um reforço nesta semana com o apoio do pré-candidato a presidente Aldo Rebelo (Democracia Cristã) à possível candidatura de Ciro ao governo.

Embora o partido tenha pouca capilaridade, o gesto mostra que há espaço para montar uma coligação local com partidos que tenham candidatos próprios à Presidência, reforçando a tese da autonomia dos partidos na corrida ao Palácio do Planalto.

Com informações do Diário do Nordeste

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