Os investigados da Operação Pleonexia II, que apura um esquema de lavagem de dinheiro a partir de fraudes financeiras envolvendo investimentos em energia solar, usavam uma loja de carros de luxo para lavar dinheiro e também debochavam das vítimas da fraude, segundo a Polícia Federal.
Em uma das conversas por mensagens que foi interceptada pela polícia, um dos investigados chega a admitir que o negócio se tratava de um esquema de pirâmide financeira e que “sempre tem um otário para cair”. Em seguida, ele ri.
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (5) um advogado, em Natal, e um empresário, em São Paulo, e apreendeu mais de 75 veículos de luxo em uma concessionária de três andares também na capital paulista. Os nomes dos presos não foram divulgados.
Mandados também foram cumpridos na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. A polícia acredita que cerca de 6,3 mil pessoas foram lesadas na fraude.
As conversas captadas pela polícia também mostram os golpistas dizendo que as vítimas fecham contratos “mesmo que não esteja nada funcionando”, em referência a painéis solares que sequer produziam energia.
Um deles também pergunta, em outra mensagem, se um apartamento que aparece em uma foto pertence a ele e recebe a resposta que sim. “Mano, eu nem sei o que eu tenho”, diz ele.
Loja de veículo era usada para lavar dinheiro, diz delegado
A primeira fase dessa operação foi deflagrada em fevereiro de 2025, com a prisão de um dos chefes da organização. De acordo com o delegado da Polícia Federal Joaquim Ciríaco, o núcleo da lavagem de dinheiro do esquema estava sediado em São Paulo.
“Utilizava-se de uma revenda de veículos de luxo em São Paulo. Essa revenda recebia o dinheiro através de um operador financeiro e fazia movimentação no intuito de lavar e blindar a origem do dinheiro. Blindar, sobretudo, o líder da organização criminosa, que está preso desde o começo do ano passado”.
Já a empresa principal utilizada no esquema ficava em Natal, segundo o delegado. As empresas estavam em nomes de laranjas.
“Eles utilizavam Natal, mas revendiam para todo o país. Utilizavam, segundo eles, a cidade de Natal, tendo em vista a incidência solar. Encontraram, acredito, uma facilidade para aplicar o golpe aqui”, explicou.
Na primeira fase da operação, em fevereito do ano passado, PF e Receita Federal revelaram que o principal investigado ocultava bens e até artigos raros de colecionador, como uma bola autografada de Pelé, uma chuteira de Messi e uma raquete do tenista Roger Federer.
Bloqueio de R$ 244 milhões dos investigados
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 244 milhões em bens e valores dos investigados. De acordo com a PF, a medida busca garantir o ressarcimento das vítimas do esquema.
Segundo o delegado da Polícia Federal Joaquim Ciríaco, os golpistas ofereciam investimentos na área de energia solar com promessa de retorno fixo de 5% ao mês, “sob a promessa de que esses investidores comprariam cotas de painéis solares administrados pela empresa sediada em Natal”.
Segundo a polícia, as investigações apontaram ainda que a empresa sequer atuava no ramo de energia solar e não possuía autorização dos órgãos reguladores para operar.
“A empresa efetivamente não atuava no ramo, não tinha autorização dos órgãos regulamentares e, para se ter uma dimensão do valor movimentado pela fraude, movimentaram, só nas contas bancárias, mais de R$ 160 milhões”, explicou o delegado.
Na primeira fase da operação, em 2025, foram apreendidos diversos bens e bloqueados pouco mais de R$ 80 milhões.