quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Pós-Carnaval: Médicos alertam para riscos em visitas a recém-nascidos

Bebê recém-nascido - Freepik
Com a alta circulação de vírus e o uso de adereços festivos, especialistas recomendam adiar o contato social com bebês para evitar infecções graves
O encerramento das festividades de Carnaval marca, tradicionalmente, o retorno à rotina, mas para famílias com recém-nascidos, o período exige uma barreira sanitária mais rígida.

A combinação de grandes aglomerações, viagens e a exposição a novos agentes patogênicos torna os dias seguintes à folia um momento crítico para a transmissão de doenças respiratórias e gastrointestinais, que podem ser fatais para crianças nos primeiros meses de vida.

Segundo o Ministério da Saúde, o final do verão e o início do outono no Brasil coincidem com o aumento da circulação de vírus respiratórios, como o vírus sincicial respiratório (VSR) e a influenza.

Nesse cenário, o endocrinologista pediátrico Miguel Liberato alerta que o entusiasmo de amigos e parentes para visitar novos membros da família deve ser contido em prol da segurança biológica do bebê.

Transmissão silenciosa
Um dos maiores desafios do período pós-festas é a chamada "janela de incubação". Muitas doenças virais levam de três a sete dias para manifestar os primeiros sintomas. Isso significa que um visitante pode se sentir perfeitamente bem, mas já estar transmitindo vírus captados durante os dias de folia.

“Eventos com grande circulação de pessoas favorecem a transmissão de vírus e bactérias, especialmente os causadores de gripes, resfriados e outras infecções respiratórias”, explica Miguel Liberato.

O médico ressalta que o contato com superfícies e alimentos compartilhados também facilita a disseminação de infecções gastrointestinais. “Muitas infecções se manifestam dias depois. A pessoa pode estar contaminada sem saber e acabar expondo o bebê”, reforça.

Imunidade e gravidade dos quadros
Diferente de um adulto saudável, que possui um sistema imunológico "treinado" e memória vacinal, o recém-nascido depende quase exclusivamente dos anticorpos passados pela mãe durante a gestação e pela amamentação. Essa proteção, no entanto, é limitada diante da carga viral que circula em grandes eventos.

Conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os recém-nascidos são naturalmente mais vulneráveis a complicações.

“Em adultos, os quadros de infecção, por exemplo, costumam ser leves. Já nos bebês, podem evoluir com mais gravidade”, afirma o endocrinologista. O que para um folião é apenas uma coriza ou um mal-estar passageiro, para o bebê pode se transformar em uma bronquiolite ou pneumonia em poucas horas.

Riscos químicos: glitter, perfumes e maquiagem
Além dos agentes biológicos, o "resíduo" das festas também representa um risco físico. O uso de glitter, maquiagens pesadas e perfumes intensos, marcas registradas do Carnaval, pode causar reações adversas imediatas na pele e no sistema respiratório do recém-nascido.

“Essas substâncias podem provocar alergias e irritações na pele sensível dos bebês”, alerta o Dr. Miguel. Micropartículas de brilho podem ser inaladas ou cair nos olhos da criança durante um colo, enquanto fragrâncias fortes são gatilhos comuns para crises de espirros e desconforto respiratório em neonatos.

Guia para visitas seguras após o Carnaval
A recomendação principal dos especialistas é adiar as visitas em pelo menos 10 a 14 dias após o retorno das festividades. Caso o encontro seja inevitável, algumas regras de ouro devem ser seguidas rigorosamente:

Sintoma zero: se o visitante teve febre, tosse, dor de garganta ou diarreia nos últimos dias, a visita deve ser cancelada imediatamente.
  • Higiene das mãos: a lavagem com água e sabão até os cotovelos, complementada por álcool em gel 70%, é obrigatória antes de qualquer proximidade com o bebê.
  • Uso de máscara: mesmo sem sintomas, visitantes que estiveram em aglomerações devem utilizar máscaras de alta proteção (PFF2 ou N95) ao entrar no ambiente onde está o recém-nascido.
  • Nada de beijos ou colos prolongados: o contato físico deve ser evitado ao máximo. Beijar as mãos ou o rosto do bebê é terminantemente proibido, pois a saliva e as mucosas são as principais vias de transmissão viral.
Por Maria Clara Trajano - Jornal do Comércio

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