Foto: Fábio Pozzebom/ Agência Brasil
O retorno do El Niño em 2026 acende o alerta no Nordeste. Entenda como o aquecimento do Pacífico trava as chuvas no Sertão, eleva as temperaturas e os desafios para o agronegócio regional.
O retorno do El Niño em 2026 acende o alerta no Nordeste. Entenda como o aquecimento do Pacífico trava as chuvas no Sertão, eleva as temperaturas e os desafios para o agronegócio regional.
O monitoramento climático global confirmou o que produtores rurais do Nordeste mais temiam: o fenômeno El Niño está de volta e com uma projeção de intensidade preocupante. De acordo com os dados mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a probabilidade de formação do fenômeno já supera os 60% entre maio e julho, escalando para impressionantes 90% na segunda metade de 2026.
Para o Nordeste brasileiro, essa mudança na “engrenagem” térmica do planeta não representa apenas uma variação estatística, mas uma ameaça direta ao regime de chuvas e à estabilidade térmica. O fenômeno deve se consolidar justamente quando a região entra em seu período de maior estiagem natural, agravando um quadro que, em março deste ano, já via o número de municípios em situação de seca severa saltar de 70 para 248.
A ciência do bloqueio: Por que o Pacífico “trava” as chuvas no Sertão?
Para compreender o impacto no Semiárido, é preciso olhar para as águas do Oceano Pacífico. Segundo análises técnicas e estudos do professor José de Araújo Costa (IFAL), o El Niño caracteriza-se pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Em anos normais, esses ventos empurram as águas quentes para o Oeste. Quando o El Niño ocorre, essa massa de água quente “represa” na costa da América do Sul, alterando a chamada Circulação de Walker.
Essa modificação cria um movimento de descida do ar (subsidência) especificamente sobre o Nordeste e a Amazônia. Este ar descendente funciona como um “tampão” atmosférico, impedindo que a umidade suba e forme nuvens de chuva. Simultaneamente, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal fonte de umidade para o norte da região, é deslocada de sua posição ideal, deixando o interior desassistido.
Por Portal de Prefeitura