terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Brasileiros com painel solar em casa terão que pagar imposto alto em 2026

Brasileiros que pretendem instalar painéis solares em casa ou investir em geração própria de energia devem sentir o impacto no bolso a partir de 2026. O governo federal avança na retomada gradual do Imposto de Importação sobre módulos fotovoltaicos, encerrando um período de incentivos que vigorava desde 2015. As alíquotas, que chegaram a 0% em 2022, já voltaram a subir e devem alcançar até 25% para importações acima das cotas em 2025 e 2026, encarecendo equipamentos amplamente utilizados no país.

A política de incentivo à transição energética, que incluía isenção ou redução de impostos para tecnologias limpas, começou a ser revertida em janeiro de 2024. Desde então, o Imposto de Importação passou a ser reintroduzido de forma escalonada, com cronograma definido pelo Executivo.

No caso dos painéis solares fotovoltaicos, majoritariamente importados — cerca de 99% vêm da China —, as alíquotas começaram em 10,8% a 12%, após o fim de regimes especiais como ex-tarifários e isenções temporárias. A partir de 2025 e 2026, o imposto pode subir para 25% em volumes que ultrapassem as cotas estabelecidas.

Impacto direto na energia solar
A elevação do imposto preocupa o setor de energia solar, que viveu forte expansão nos últimos anos, impulsionada justamente pelo barateamento dos equipamentos. Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a medida reduz previsibilidade e pode frear novos investimentos.

A entidade alerta que mais de 25 GW em projetos estão em risco de adiamento ou cancelamento, o que representa cerca de R$ 97 bilhões em investimentos potencialmente comprometidos, além de impactos negativos sobre empregos e sobre a competitividade da energia limpa no Brasil.

Indústria nacional defende a medida
Do outro lado do debate, representantes da indústria brasileira veem a retomada do imposto como necessária. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) argumenta que as tarifas ajudam a proteger a produção nacional diante de equipamentos estrangeiros subsidiados e criam condições para a nacionalização da cadeia produtiva, com geração de empregos e maior conteúdo local.

Por Pedro Silvini - Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo

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