segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Cidade dos evangélicos fica no Brasil e chama a atenção ao revelar 76% da população em um só grupo religioso

Número supera média nacional e intriga especialistas pela concentração impressionante
Um município catarinense de pequeno porte entrou no centro de uma curiosidade estatística que costuma chamar atenção no noticiário nacional.

Em Arabutã, 76,47% da população residente de 10 anos ou mais declarou ser evangélica, de acordo com um ranking elaborado a partir dos resultados de religião do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ranking nacional coloca Arabutã entre os destaques do país
O percentual coloca Arabutã na segunda posição entre os municípios brasileiros com maior proporção de evangélicos.

A cidade fica atrás apenas de Arroio do Padre (RS), onde 88,74% da população de 10 anos ou mais se declarou evangélica.

Na sequência do topo aparece Santa Maria de Jetibá (ES), com 73,53%, também segundo o levantamento citado com base no “Censo 2022 – Religiões: resultados preliminares da amostra”.
Como o IBGE mede a religião da população no Censo

O recorte usado no ranking é importante para entender o que está sendo comparado.

A classificação considera a parcela de moradores a partir de 10 anos de idade e leva em conta a religião declarada no Censo, ou seja, a informação registrada pelos próprios entrevistados no questionário da pesquisa.

Trata-se, portanto, de um retrato estatístico do perfil religioso informado pela população, com o objetivo de permitir a comparação entre cidades e estados.

Percentual elevado chama atenção frente à média nacional

A posição de Arabutã chama atenção porque destoa do padrão nacional.

No Brasil como um todo, o IBGE apontou que a proporção de evangélicos aumentou, passando de 21,6% para 26,8% na comparação entre 2010 e 2022.

No mesmo período, o percentual de católicos caiu, de 65,1% para 56,7%, de acordo com os dados divulgados pelo instituto.

Outros grupos religiosos também mudaram no Brasil
Além das mudanças entre católicos e evangélicos, o retrato do Censo também indica movimentações em outros grupos.

Ainda em âmbito nacional, foi observado crescimento de pessoas sem religião, de 7,9% para 9,3%, e avanço de outras religiosidades, de 2,7% para 4%.

A parcela ligada a umbanda e candomblé subiu de 0,3% para 1%, enquanto o percentual de espíritas diminuiu de 2,2% para 1,8%, segundo os dados citados a partir do levantamento do IBGE.Play Video

Concentração regional entre as cidades mais evangélicas
Quando o foco se volta para os municípios com maior proporção de evangélicos, o ranking evidencia uma concentração regional.

Conforme o levantamento citado, as cidades com maior percentual de evangélicos se concentram majoritariamente no Rio Grande do Sul, com seis municípios entre os dez primeiros colocados.

O Espírito Santo aparece com dois municípios na lista, e Minas Gerais também surge no recorte com Alto Caparaó, na Zona da Mata, com 63,02%.

Por que cidades pequenas aparecem no topo desses rankings

É nesse cenário que Arabutã ganha visibilidade estatística.

O percentual de 76,47% não significa que a cidade tenha mais evangélicos em números absolutos do que grandes centros, mas que, proporcionalmente, reúne uma das maiores concentrações do país no recorte de população de 10 anos ou mais.

Em rankings desse tipo, municípios pequenos frequentemente aparecem com destaque porque pequenas variações no perfil local podem produzir percentuais muito altos quando comparados ao total de moradores.

Retrato local revelado pelo Censo
O dado também mostra como o Censo pode revelar realidades locais que passam despercebidas em comparações baseadas apenas em população total ou economia.

Quando um município aparece entre os líderes nacionais em um indicador específico, o resultado costuma despertar curiosidade sobre a vida cotidiana, a cultura local e a forma como a comunidade se organiza, ainda que o levantamento, por si só, se restrinja ao registro estatístico do perfil declarado pelos moradores.

Contrastes entre municípios brasileiros

A divulgação do ranking por município reforça uma característica do Censo.

Além de medir tendências nacionais, ele permite enxergar contrastes dentro do próprio país, onde cidades podem ter composições muito diferentes entre si.

Enquanto a média brasileira aponta um percentual de evangélicos na casa de um quarto da população de 10 anos ou mais, Arabutã figura entre os casos em que essa parcela ultrapassa três quartos, mostrando como certos municípios concentram perfis bastante específicos.

Com Arabutã colocada entre as cidades com maior percentual de evangélicos do Brasil, que outros aspectos do cotidiano local podem ajudar a explicar como uma cidade pequena desenvolve uma identidade religiosa tão predominante aos olhos do Censo?

Correio de Minas

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