Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação apontam que 17,1% dos itens incinerados estavam dentro do prazo; em três anos, gestão Lula soma R$ 2 bilhões em descartes
O Ministério da Saúde incinerou mais de R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos ao longo de 2025. Desse total, R$ 18,5 milhões, o equivalente a 17,1%, ainda estavam dentro do prazo de validade no momento do descarte.
Apesar de representar uma redução em relação aos anos anteriores, o montante segue acima do registrado no período pré-pandemia de Covid-19.
Entre os itens descartados estão uma bomba de infusão hospitalar, utilizada para administração de fluidos, medicamentos, sangue e nutrientes, além de dois kits completos de monitoramento de glicose que tinham validade até dezembro de 2050. Os produtos foram adquiridos em julho de 2019, após decisões judiciais, ao custo de R$ 900 (bomba) e R$ 58,99 por unidade dos kits.
Também foram incinerados medicamentos de alto custo, como anticorpos monoclonais usados no tratamento de câncer. É o caso do blinatumomabe, indicado para Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), com valor unitário de R$ 141.929,07, e do brentuximabe vedotina, utilizado contra linfomas, ao custo de R$ 88.905,59 por unidade. Tratamentos para doenças raras e vacinas contra a dengue também aparecem na lista de descartes.
O levantamento foi feito com base em dados fornecidos pela pasta por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo o ministério, a taxa de incineração em 2025 correspondeu a 1,48% do estoque total. A meta para este ano é reduzir o índice para 1%.
Em nota, a pasta afirmou que medicamentos e insumos incinerados por “não conformidade técnica” são repostos ou ressarcidos conforme previsto em contrato, e rejeitou a classificação de desperdício. No entanto, não informou se houve estorno específico no caso das vacinas e dos itens adquiridos por judicialização que foram descartados ainda dentro da validade.
Comparação entre governos
Nos três primeiros anos do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministério acumulou R$ 2 bilhões em incineração de vacinas, medicamentos e insumos — valor 3,3 vezes superior aos R$ 601,5 milhões descartados durante todo o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O pico da série histórica ocorreu em 2023, quando o total chegou a R$ 1,3 bilhão. Entre os itens descartados naquele período estavam imunizantes contra a Covid-19 e anestésicos amplamente utilizados durante a pandemia.
O ministério também revisou o número referente a 2022: o valor correto de itens incinerados naquele ano foi de R$ 457,7 milhões, e não R$ 460,7 milhões como informado anteriormente.