Foto: Ascom/ALECE.
Na disputa deste ano pelo Governo do Estado, a força do do Poder político terá muito menos influência do que em qualquer outra disputa estadual dos últimos 60 anos. Virgílio Távora foi eleito governador em 1962 com o apoio da máquina, comandada pelo governador Parsifal Barroso. De lá até aqui, exceção apenas para Cid Gomes, no primeiro mandato, todos os governadores foram eleitos com a força da máquina pública, ou pela força ditadura militar de 1964.
Na disputa deste ano pelo Governo do Estado, a força do do Poder político terá muito menos influência do que em qualquer outra disputa estadual dos últimos 60 anos. Virgílio Távora foi eleito governador em 1962 com o apoio da máquina, comandada pelo governador Parsifal Barroso. De lá até aqui, exceção apenas para Cid Gomes, no primeiro mandato, todos os governadores foram eleitos com a força da máquina pública, ou pela força ditadura militar de 1964.
Cid derrotou Lúcio que disputava a reeleição, em 2006. O mesmo Cid reelegeu-se com a força da máquina, e com esta elegeu o seu sucessor Camilo Santana, que, na mesma estrada reelegeu-se pela força da máquina, como desta se beneficiou o governador Elmano de Freitas para chegar à chefia do Poder Executivo em 2022. Neste ano (2026), disputando a reeleição, o governador não tem o controle absoluto da máquina, até pelo fato de o seu principal concorrente, Ciro Gomes, também conhecê-la e saber como usa-la.
Tasso, ex-governador do Estado, um dos principais apoiadores da candidatura de Ciro, conhece a máquina, sabe usá-la, e como Ciro, ainda tem tentáculos no Executivo, não apenas para saber como o governador Elmano está usando-a, mas, sobretudo, para utilizar instrumentos para detê-lo. Os números da máquina pública estadual eram comandados, até há pouco tempo, pelo ex-secretário de Planejamento, o tucano Maia Júnior, ex-vice governador de Lúcio Alcântara, e até hoje pessoa de estreita ligação com Tasso Jereissati.
Os candidatos de oposição ao Governo do Estado, nas últimas décadas, não tinham esse privilégio de Ciro e Tasso, nem tampouco o espaço junto ao Poder econômico privado, local e nacional, onde transitam bem os dois ex-governadores, lideres da atual oposição no Estado. Tasso conhece o empresariado nacional, por ser do grupo, e Ciro conhece, esse mesmo grupo, pelas funções nacionais que já exerceu, sobretudo as de ministro da Fazenda e da Integração Nacional.
A Justiça Eleitoral tem estado atenta à influência do Poder econômico nas eleições. Infelizmente, porém, ainda não alcançou o objetivo que persegue, motivando a se acreditar, que as disputas eleitorais, sobretudo em relação aos cargos de presidente da Republicação, e governador de Estado, vão continuar tendo o Poder econômico como um dos principais vetores, talvez logo depois da singularidade do candidato.
Toda eleição é diferente aquela que passou, e a deste ano, óbvio, não fugirá a regra. Contudo, em razão da movimentação que se vislumbra, a campanha já desenhada tem um quê de semelhança com a eleição ocorrida em 1986, quando o movimento de “fora os coronéis” ganhou corpo e elegeu Tasso Jereissati. Os coronéis era Virgílio Távora, César Cals e Adauto Bezerra. Eles tinham o domínio da política cearense, contando com quase todas as prefeituras do Estado, cabendo ao PMDB apenas umas quatro. Prefeito e deputado estadual só têm compromisso com governador, se este for forte e tiver perspectiva de vitória.
Blog do Edison Silva