Após confirmar, na última quarta-feira (20), que o líquido escuro encontrado em um sítio no interior do Ceará é realmente petróleo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve iniciar uma fase de estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração.
O achado do petróleo foi feito pelo agricultor Sidrônio Moreira, que perfurava o solo em busca de água, em 2024, no município de Tabuleiro do Norte (CE).
A ANP, porém, destacou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica" e, uma vez concluída, não há garantia de que a área será explorada comercialmente, já que os interessados na exploração ainda vão analisar se a operação compensa financeiramente.
Antes da fase de exploração propriamente dita, a ANP divide a região da jazida em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo.
O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, o leilão da área, a instalação da operação e a obtenção de licenças ambientais, pode levar anos.
"A partir do resultado da análise, a ANP abriu um processo administrativo com a finalidade de promover a avaliação técnica da área e de seu contexto geológico, inclusive quanto à eventual inclusão de bloco exploratório na Oferta Permanente de Concessão (principal modalidade atual de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás)", disse a agência por meio de nota.
"A inclusão de blocos no edital da Oferta Permanente necessita de diversas etapas, não só internas da ANP como também de outros órgãos, como órgãos ambientais e ministérios".
Embora o subsolo pertença à União, o agricultor poderá receber um percentual de até 1% se houver exploração comercial futura. (Entenda abaixo)
A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 de março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. Agora, no dia 19 de maio, a ANP concluiu os testes físico-químicos. Os resultados confirmaram que a substância é petróleo cru.
De acordo com a ANP, o resultado foi enviado nesta última quarta-feira (20) para o proprietário do terreno e também foi encaminhado para a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (SEMACE), "que poderá avaliar a necessidade de medidas e/ou orientações ao proprietário sobre aspectos relacionados a questões ambientais".
Os técnicos da ANP não colheram uma amostra no local, mas analisaram material oferecido pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que acompanha o caso desde o início. Ao g1, a equipe da agência disse que o achado causou espanto na equipe, pois é incomum que líquido semelhante a petróleo jorre de uma profundidade considerada rasa (40 metros).
Com informações do G1 Ceará