terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Homem transfere R$ 50 mil por engano via Pix, tenta recuperar o dinheiro e descobre que, além da restituição, Justiça fixou R$ 10 mil por dano moral

Uma transferência bancária feita por engano acabou em disputa judicial, gerando devolução de valores e indenização, após o recebedor se recusar a restituir o depósito duplicado.
Um erro na hora de transferir dinheiro terminou na condenação de um recebedor à devolução de R$ 50 mil e ao pagamento de R$ 10 mil por dano moral, depois que ele se recusou a restituir um depósito feito em duplicidade.

A decisão, tomada pela Segunda Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), reforça que manter valores recebidos por engano configura enriquecimento sem causa e pode gerar não só obrigação de devolver o dinheiro, mas também indenização.

Como o erro na transferência gerou disputa judicial
O caso teve origem em um contrato de empréstimo que previa a quitação de parcela por transferência bancária.

Ao efetuar o pagamento, o devedor acabou realizando duas transferências de R$ 50 mil para a mesma pessoa, a partir de contas diferentes, o que resultou em crédito em duplicidade na conta do beneficiário.

Assim que percebeu o equívoco, o pagador comunicou o recebedor e pediu a devolução da segunda transferência.

A resposta, porém, foi negativa. O destinatário tentou justificar a retenção alegando que usaria o valor para compensar outra dívida, não prevista no contrato.

Os desembargadores entenderam que essa compensação unilateral não tinha respaldo contratual e violava o dever de boa-fé objetiva.
Decisão do TJMT obriga devolução de R$ 50 mil enviados por engano e fixa R$ 10 mil em dano moral após recusa do recebedor.

No acórdão, a turma destacou que, ao manter em sua conta a quantia transferida duas vezes, sem autorização e sem justificativa válida, o recebedor incorreu em enriquecimento sem causa, o que legitimou a intervenção do Judiciário para determinar a restituição.

Provas determinantes para a condenação
A relatoria enfatizou que o conjunto de provas estava bem estruturado.

Extratos bancários, comprovantes de transferência e uma ata notarial de conversas em aplicativo de mensagens permitiram reconstituir a sequência dos fatos: pagamento da parcela, repetição do depósito e ciência do erro pelo recebedor, seguida da recusa em devolver o montante.

Com essa documentação, o colegiado afastou dúvidas sobre a origem do crédito em duplicidade e sobre a resistência em restituir o valor.

A retenção foi considerada indevida, pois não havia qualquer cláusula que autorizasse o credor a se apropriar de quantia excedente para compensar débitos diversos.

Na parte financeira, o TJMT determinou a devolução dos R$ 50 mil, corrigidos pelo IPCA e com juros pela taxa Selic, ambos contados desde a data do erro, em 7 de março de 2019.

A corte também fixou indenização por dano moral em R$ 10 mil, a ser atualizada pelos mesmos índices, a partir da citação.

O que muda para quem erra transferências via Pix
Embora o processo trate formalmente de uma transferência bancária tradicional, ocorrida antes da implantação do Pix, o entendimento firmado dialoga diretamente com situações atuais envolvendo transações instantâneas.

Em operações eletrônicas, seja TED, DOC ou Pix, o ponto central permanece o mesmo: quem recebe valor que não lhe é devido tem o dever jurídico de restituir.

Quando, mesmo avisado do erro, o recebedor se recusa a devolver o dinheiro, abre-se espaço para responsabilização civil, que pode incluir devolução do principal e pagamento de danos morais.

No universo do Pix existe, porém, uma camada operacional específica: o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para lidar com situações de fraude ou falhas operacionais das instituições participantes.

Nesses casos, a vítima pode pedir a devolução junto ao próprio banco em prazo limitado.

O sistema permite o bloqueio cautelar dos valores na conta do recebedor durante a apuração, aumentando as chances de recuperação do dinheiro.

Mesmo com o aperfeiçoamento do MED, o mecanismo não substitui a via judicial: ele atua como um caminho administrativo inicial que pode ser acionado logo após o problema.

Decisões recentes sobre Pix enviado por engano
Tribunais de diferentes estados já vêm julgando casos em que o erro ocorre especificamente em transferências via Pix.

Em decisão do 2º Juizado Especial Cível de Águas Claras, no Distrito Federal, um homem que recebeu R$ 4 mil por engano foi condenado a devolver integralmente o valor, após o remetente digitar equivocadamente a chave Pix ao tentar transferir recursos entre contas próprias.

No processo, o autor relatou que tentou contato com o destinatário, mas foi ignorado e bloqueado em aplicativos de mensagem.

A instituição financeira informou que não poderia estornar ou bloquear a quantia sem ordem judicial.

Ao analisar o caso, a juíza destacou que, embora o erro na digitação tenha sido do remetente, o beneficiário não poderia se manter com valor que sabia ser alheio.

A decisão frisou que, se alguém se enriquece sem justa causa às custas de outra pessoa, surge a obrigação de restituir o que foi recebido indevidamente.

Por que a recusa pode gerar dano moral
Nem todo engano em transferência de dinheiro resulta automaticamente em dano moral.

Os julgados recentes indicam que a indenização aparece quando a conduta do recebedor supera o mal-entendido e demonstra resistência injustificada diante de prova clara do erro.

No processo julgado em Mato Grosso, pesou o fato de o recebedor ter sido informado do depósito em duplicidade, ter ciência da origem do valor e, ainda assim, se negar a devolvê-lo.


O pagador precisou recorrer ao Judiciário para reaver quantia expressiva, cenário reconhecido como capaz de gerar abalo que ultrapassa mero aborrecimento.

Na notícia oficial sobre o acórdão, a relatora registrou que é “evidente o abalo moral decorrente da angústia e frustração diante da recusa indevida em devolver numerário de sua propriedade transferido por engano”.

Essa avaliação levou à fixação dos R$ 10 mil de indenização, considerada proporcional e com função pedagógica.

O que fazer ao perceber uma transferência feita por engano
Ao notar que um valor saiu da conta por engano, especialistas orientam agir com rapidez.

O passo inicial é comunicar o banco e registrar formalmente o ocorrido, guardando protocolos, e-mails ou mensagens que comprovem o pedido.

Se a operação tiver sido feita via Pix e houver indícios de fraude ou falha operacional da instituição, o usuário pode solicitar o acionamento do MED, dentro do prazo previsto pelo Banco Central.

Em paralelo, é prudente armazenar comprovantes de transferência, extratos e registros de conversas com o recebedor.

Quando a solução extrajudicial não funciona e o recebedor mantém a recusa, esse histórico documental costuma ser decisivo em eventual ação judicial.

VEJA A MATÉRIA EM VÍDEO AQUI.

Marcos do caso julgado em Mato Grosso
No episódio que se tornou referência, a decisão foi unânime na Segunda Câmara de Direito Privado do TJMT, sob relatoria da desembargadora Maria Helena Gargaglione Póvoas.

O julgamento ocorreu em 28 de maio de 2025, com divulgação oficial em 14 de julho de 2025.

O processo tramita sob o número 1022601-23.2021.8.11.0015. Uma característica chama atenção: o tribunal registrou a operação como transferência bancária comum e indicou que o erro ocorreu em 7 de março de 2019, antes do lançamento do Pix.

Ainda assim, os fundamentos aplicados – devolução de valores indevidos, vedação ao enriquecimento sem causa e proteção da boa-fé – se projetam sobre as discussões atuais envolvendo Pix enviado por engano.

Sabendo desse cenário e das consequências que a recusa pode gerar, se um valor alto saísse equivocadamente da sua conta hoje, qual seria seu primeiro impulso: falar com o banco, tentar contato imediato com o recebedor, acionar o MED no Pix ou buscar orientação jurídica especializada?

Como solicitar o novo RG e recebê-lo pelos Correios: conheça as regras, prazos e quem pode solicitar

A nova carteira de identidade já está disponível em todo o país e oferece mais segurança contra fraudes. Descubra como solicitar, quais documentos levar e quais são as principais vantagens do novo modelo.
Saiba como solicitar o novo RG pelos Correios, em quais estados isso já é permitido, qual o prazo e quais documentos são exigidos para a entrega domiciliar.
O novo RG, oficialmente a Carteira de Identidade Nacional (CIN), já pode ser enviado para o seu endereço por meio dos Correios, dependendo do estado em que você mora.

Quem faz o atendimento para emitir a nova identidade coleta dados biométricos ainda presencialmente, mas tem a opção de receber o documento em casa, o que evita viagens aos postos.

Estados como São Paulo e Minas Gerais já adotam esse modelo, e o envio é rastreado e integrado com o sistema do Governo Federal. Isso facilita a vida do cidadão e reduz as filas.

O que é o novo RG?
O novo RG (CIN) é uma carteira de identidade nacional que tem o CPF como número único, unificando os registros estaduais.

O documento pode ser emitido tanto em versão física quanto digital.
Além disso, possui QR Code para checagem de autenticidade e código MRZ (como os passaportes), aumentando a segurança.

Como funciona o envio pelo Correio
Para pedir o novo RG com envio pelos Correios, primeiro é necessário fazer o atendimento presencial para coleta de documentos, foto, assinatura e biometria.

No momento da solicitação, o cidadão pode optar pela entrega domiciliar e, se aprovado, o RG é enviado para o endereço cadastrado via Correios.

O acompanhamento da entrega pode ser feito por meio de código de rastreamento fornecido nos Correios ou por aplicativos governamentais.

Em algumas regiões, o documento só pode ser retirado presencialmente no posto onde foi solicitado. Já em outras, o cidadão tem a alternativa de receber o novo RG pelos Correios, seguindo prazos e eventuais taxas estabelecidos por cada órgão local.

Novo RG: Em quais estados o envio pelos Correios já é permitido
Atualmente, nem todos os estados oferecem a opção de entrega do novo RG via Correios. Segundo um levantamento recente:

São Paulo: Permite o envio da CIN para residência após atendimento no Poupatempo.

Minas Gerais: Também já oferece a opção domiciliar para novos pedidos.

Outros estados ainda exigem que o documento seja retirado no posto de atendimento.

Documentos necessários para pedir o novo RG
Para solicitar a Carteira de Identidade Nacional, você deve levar ao atendimento presencial:

Certidão de nascimento ou casamento, original ou cópia autenticada.

CPF, que será vinculado ao número do documento. Alguns estados também permitem incluir dados extras, como tipagem sanguínea ou nome social, desde que haja comprovação.

Prazo, validade e custo
A primeira emissão do novo RG (CIN) é gratuita.

O prazo para a entrega via Correios varia conforme o estado, mas costuma levar até 15 dias úteis em muitas regiões.

O documento tem validade de 5 a 10 anos, dependendo da idade do cidadão.

Vantagens do envio pelo Correio
  • Comodidade: você não precisa voltar ao posto para buscar o documento.
  • Redução de filas e deslocamentos: ideal para quem tem dificuldade de locomoção ou mora longe dos postos.
  • Segurança: o documento é rastreado pelos Correios, diminuindo riscos de extravio.

VEJA REPORTAGEM EM VÍDEO AQUI.

Possíveis desvantagens e cuidados

Mesmo com a entrega por correio, é importante:

Confirmar se o endereço cadastrado está correto no momento do atendimento presencial, pois os Correios usarão esse local para a entrega.

Verificar se o estado onde você solicita o RG realmente permite a entrega domiciliar, já que nem todos oferecem esse serviço.

Acompanhar o rastreamento para garantir que o documento será recebido.

O envio pelos Correios deve se expandir para mais estados conforme o novo RG se torna cada vez mais comum.

O governo também analisa formas de agilizar os processos, como ampliar postos com coleta de biometria e modernizar sistemas de rastreamento.

Para muitos brasileiros, essa nova etapa representa mais praticidade, segurança e inclusão um avanço real na modernização da nossa identidade nacional.

Fonte: ND+

Com a nova lei, quem não fizer testamento deixará a viúva sem herança: entenda por que até casamentos longos correm risco de perder tudo

Mudança em debate no Código Civil pode alterar regras históricas da herança no Brasil e impactar diretamente casais sem testamento, trazendo riscos patrimoniais, insegurança jurídica e possíveis conflitos familiares caso a proposta avance no Congresso Nacional.
Uma mudança em discussão na reforma do Código Civil pode alterar de forma direta a vida patrimonial de milhões de casais no Brasil.

A proposta, que tramita no Senado, retira o cônjuge da lista de herdeiros necessários em determinadas situações, o que significa que maridos e esposas poderão não ter direito automático à herança se não houver testamento.

O alerta foi feito pela advogada Simone Calili, especialista em Direito de Família, em publicação que ganhou forte repercussão nas redes sociais.

Hoje, a legislação garante proteção mínima ao cônjuge sobrevivente.

Independentemente de testamento, marido ou esposa integram o grupo de herdeiros necessários ao lado de filhos e pais.

Isso assegura, por lei, uma parcela do patrimônio do falecido.

A reforma em debate muda esse ponto central.

Quando houver descendentes ou ascendentes vivos, o cônjuge pode deixar de herdar automaticamente.

Quem corre mais risco com a mudança nas regras de herança
O impacto não atinge todos da mesma forma.

Os maiores riscos recaem sobre perfis muito comuns no Brasil.

Casais em que apenas um dos cônjuges concentrou bens em seu nome ao longo da vida são os mais vulneráveis.

Também entram nesse grupo famílias recompostas, com filhos de relacionamentos anteriores, e uniões estáveis sem formalização patrimonial detalhada.

Outro ponto sensível envolve idosos.

Em casamentos longos, é frequente que imóveis, investimentos ou empresas estejam registrados em nome de apenas um dos parceiros.

Sem testamento, o cônjuge sobrevivente pode perder a segurança econômica construída ao longo da vida, ficando dependente de herdeiros ou até de disputas judiciais.
O que muda na prática se não houver testamento
Caso a proposta seja aprovada, o testamento deixa de ser apenas um instrumento de organização patrimonial.

Ele passa a ser essencial para garantir proteção ao cônjuge.

Somente por meio do documento será possível assegurar, de forma clara, que o marido ou a esposa receba herança.

Sem testamento, não haverá direito automático, ainda que o casal tenha construído patrimônio em conjunto.

A advogada Simone Calili destaca que a mudança exige atenção imediata.

Ela explica que muitas pessoas acreditam estar protegidas apenas pelo casamento.

Essa percepção pode não refletir mais a realidade jurídica.

Segundo ela, a ausência de planejamento sucessório pode resultar na exclusão total do cônjuge da herança, inclusive da parte que hoje é reservada por lei.

Regime de bens não garante proteção total
Um ponto que costuma gerar confusão é o regime de bens.

Mesmo em regimes como comunhão parcial ou universal, a herança se refere aos bens particulares do falecido.

A reforma não mexe na divisão do patrimônio comum do casal.

No entanto, ela pode excluir o cônjuge da sucessão sobre bens que estejam apenas no nome de quem morreu.

Isso significa que confiar apenas no regime de bens pode não ser suficiente.

Sem testamento, parte relevante do patrimônio pode seguir um caminho diferente daquele imaginado pela família.

Planejamento sucessório deixa de ser opção
Dados de cartórios indicam que apenas uma pequena parcela da população brasileira possui testamento formalizado.

Com a mudança em debate, esse número passa a ter peso estratégico.

Planejar a herança deixa de ser um tema distante e passa a ser uma medida de proteção familiar.

Especialmente para quem deseja garantir estabilidade financeira ao cônjuge após a morte.

Além do testamento, cresce a procura por pactos antenupciais e outras formas de organização patrimonial ainda em vida.

Especialistas alertam que a falta de informação pode gerar conflitos, insegurança jurídica e aumento da judicialização.

Alerta para famílias que podem ser pegas de surpresa
O texto ainda não virou lei e pode sofrer alterações ao longo da tramitação.

Mesmo assim, o debate já acende um sinal de alerta.

Setores do Direito de Família defendem ajustes que preservem algum nível de proteção ao cônjuge.

Enquanto isso, cresce a preocupação com famílias que não acompanham o tema.

Sem testamento, a realidade sucessória pode mudar drasticamente para viúvas e viúvos em todo o país.

O tema envolve não apenas técnica jurídica.

Ele alcança segurança econômica, expectativas familiares e o papel do casamento como estrutura de proteção patrimonial no Brasil.

Crédito da informação e do alerta: Simone Calili, advogada especialista em Direito de Família, por meio de publicação em rede social.

Como idosos acima de 60 anos podem aproveitar nova lei para zerar a conta de luz

Créditos: Reprodução/Internet
Em setembro deste ano, o Senado aprovou a Medida Provisória nº 1.300/2025, que posteriormente foi convertida na Lei Ordinária 15.235/2025. A ação trata da modernização do setor elétrico e estabelece a isenção da conta de luz para famílias de baixa renda com consumo de até 80 kWh por mês. Como resultado, idosos podem garantir uma sobrevida financeira ao final do mês.

Dentre as principais mudanças está a alteração da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), com o objetivo de zerar a conta para as segmentações em situação de vulnerabilidade. Conforme as estimativas do Governo Federal, cerca de 4,5 milhões de famílias de baixa renda serão beneficiadas. Por sua vez, pessoas acima de 60 anos podem ter os mesmos direitos, desde que estejam inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
Foto: Divulgação/ND
A medida também é estendida às famílias com renda mensal de até três salários mínimos que tenham indivíduos com deficiência (física, motora, auditiva, visual, intelectual ou múltipla), cujo tratamento necessite de aparelhos que consumam energia elétrica. No mais, podem solicitar o desconto idosos acima de 60 anos e pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

“Essa PEC da tarifa social da energia elétrica mostra a redução da desigualdade energética com alívio tarifário para a população de baixa renda, principalmente, […] É uma grande decisão por parte do governo, que vem beneficiar milhões de consumidores no nosso país”, explicou Chico Rodrigues, senador do PSB-RR.

Como os idosos podem solicitar a isenção?
Além de garantir gratuidade a quem consome até 80 kWh/mês e atende aos critérios, a iniciativa também prevê, a partir de 1° de janeiro de 2026, desconto em média de 12% na conta de luz para outras 55 milhões de pessoas. Para que a isenção da cobrança seja sacramentada, é necessário se inscrever no CadÚnico. No mais, o requerimento do benefício e demais informações podem ser feitos nos Centros de Referência em Assistência Social (Cras) de todo o país.

Por Iara Alencar
Formada em Comunicação Social (Jornalismo) por intermédio da Universidade Federal de Alagoas.

Bradesco encerra ciclo no Brasil e várias agências estão sendo trancadas

O Bradesco atravessa um dos períodos mais polêmicos de sua história recente após confirmar o encerramento de 342 agências, 1.002 postos de atendimento e 127 unidades de negócio entre junho de 2024 e junho de 2025. Os dados, levantados pelo Dieese, mostram que o banco responde sozinho por quase 38% de todas as agências fechadas no Brasil no período.

O impacto tem sido sentido especialmente em cidades menores, que dependiam do atendimento presencial. A repercussão negativa ganhou força no Dia Nacional de Luta, em 19 de novembro, quando sindicatos de bancários organizaram protestos em diversas regiões do país.

Em Campo Grande, o ato realizado na agência situada entre as avenidas Afonso Pena e Calógeras simbolizou a insatisfação crescente. A presidenta do sindicato local, Neide Rodrigues, criticou duramente o corte de unidades:

“Essas medidas geram um prejuízo muito grande para a sociedade. Muitos municípios estão com agências fechadas. Enquanto o Bradesco celebra lucros recordes, a realidade para os trabalhadores e clientes é de preocupação.”

No Rio de Janeiro, três agências tiveram a abertura atrasada após manifestações na Avenida Rio Branco e Rua Primeiro de Março. O diretor sindical Leuver Ludolff lembrou que 2.500 bancários foram demitidos no Brasil apenas no primeiro semestre de 2025 — sendo 293 somente no estado até outubro.

“Os idosos são os mais prejudicados, pois têm dificuldade de acessar as plataformas digitais.”

Digitalização avança, mas exclusão bancária cresce
O fechamento em massa ocorre em meio à rápida digitalização do sistema financeiro. Segundo a Febraban, 7 em cada 10 transações bancárias em 2023 foram feitas pelo celular, e o Pix movimentou 63,8 bilhões de operações em 2024. É nesse cenário que bancos vêm justificando o esvaziamento das agências físicas.

Para sindicatos, porém, a mudança aprofunda desigualdades.

Na Bahia, mais de 130 agências fecharam nos últimos cinco anos, e moradores de algumas regiões precisam viajar até 50 km para realizar serviços básicos. Um levantamento sindical aponta que o Bradesco demitiu 2.466 funcionários entre janeiro e julho de 2025, uma média de 11,74 por dia.

O dirigente baiano Ronaldo Ornelas alerta para o risco de exclusão:
“Uma parcela significativa da população não consegue operar aplicativos bancários — seja por analfabetismo, idioma ou falta de internet.”

Justiça reage
A pressão social fez o tema chegar ao Judiciário. Em abril, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) suspendeu o fechamento de 16 agências do Bradesco após ação do Procon estadual.

Na Bahia, onde 134 agências foram fechadas entre 2020 e maio de 2025, sindicatos pedem decisões semelhantes. A situação é crítica: quase metade dos municípios baianos (47,72%) não possui nenhum banco.

A preocupação aumenta entre consumidores e trabalhadores, que veem nas medidas um risco à continuidade do atendimento presencial para idosos, pessoas sem internet e moradores de áreas periféricas e rurais.

Sindicatos avisam que irão intensificar os protestos e pressionar por uma transição mais responsável — para que o avanço digital não deixe parte da população sem acesso ao sistema bancário.

PL convoca Michele para acertar discurso após crise no Ceará

Foto: Reprodução
A direção nacional do PL reúne-se nesta terça-feira (2) com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para unificar o discurso do partido sobre as disputas estaduais do ano que vem, especialmente no Ceará.

O encontro ocorre após Michelle criticar publicamente a aliança da sigla com Ciro Gomes, provocando desconforto interno e reação da cúpula — que já havia referendado o apoio, com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diário do Poder

Aeroporto de Fortaleza remove cadeiras e bancos para passageiros e visitantes: 'Tem que pagar para sentar'

denuncia falta de bancos e cadeiras para passageiros no Aeroporto de Fortaleza
O arquiteto Lucas Rozzoline publicou nas redes sociais uma denúncia sobre a ausência de bancos e cadeiras no Aeroporto de Fortaleza. Ele desembarcou na capital cearense no último sábado (29) e, ao procurar um local para sentar, não encontrou os bancos e cadeiras anteriormente disponíveis para a população. "Agora tem que pagar pra sentar", brincou. Segundo Lucas, só havia assentos nas áreas de embarque e desembarque, que são acessíveis apenas para quem apresenta passagem aérea ou chega ao terminal. No saguão e nos locais onde os passageiros aguardam táxi ou carros por aplicativo, não havia bancos ou cadeiras.

O g1 entrou em contato com a Fraport Brasil, empresa que administra o Aeroporto de Fortaleza, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. “Legalmente, em espaços que são de utilização pública e coletiva, você tem que dispor de um mínimo de conforto. Imagina uma mulher grávida chegar lá, uma criança, ou um idoso, ou uma pessoa com deficiência. Então as pessoas precisam se sentar. Então a indignação pra mim foi ainda maior por causa dessa questão técnica”, explicou o arquiteto, que relatou surpresa e indignação com a situação.

 “Eu sou arquiteto urbanista, eu trabalho com acessibilidade, trabalho com patrimônio histórico. Então essas questões de uso de espaços estão dentro da minha própria profissão.

No vídeo, ficou parecendo uma opinião de uma pessoa chateada, mas ali tem um embasamento até mesmo jurídico”, complementou. Lucas contou que decidiu procurar um local para sentar enquanto esperava a namorada no aeroporto. “Então eu fui procurar cadeira pra me sentar, e procurando lugar, não achei. Aí eu pensei: ‘que estranho, aqui tinha’. Caminhei um pouco mais, e eu vi outro lugar vazio. Eu percebi: ‘então, tiraram todas mesmo. Foi planejada essa ação”, disse o arquiteto. Lucas afirmou que também viu dezenas de pessoas em pé, com bagagens e outros pertences no chão, enquanto aguardavam carros por aplicativo para sair do aeroporto. Segundo ele, todos pareciam incomodados com a situação.

G1

Filhos de Bolsonaro saem em defesa de André Fernandes após críticas de Michelle a aliança com Ciro

Foto: Divulgação
Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro criticaram a madrasta e reforçaram que decisão é do pai.
Os três filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro saíram em defesa de André Fernandes
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) saíram em defesa do deputado federal André Fernandes (PL) nesta segunda-feira (1°). O cearense foi alvo de críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) por articular aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. 

As críticas foram feitas durante o evento de lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo), em Fortaleza, neste domingo. Durante o discurso, Michelle se virou para André Fernandes, que também estava no palco, e disse que eles "se precipitaram" no apoio a Ciro. 

Na mesma hora, André Fernandes rebateu e disse estar "obedecendo a Bolsonaro", em referência ao ex-presidente. Em entrevista ainda no domingo, o parlamentar explicou que o movimento foi alinhado com Bolsonaro. "Se a esposa dele diz publicamente que a gente deu um passo errado, que foi precipitado, bom então é uma aliança precipitada do próprio marido dela", reforçou.

A defesa dos três filhos de Bolsonaro seguiu na mesma toada do argumento de Fernandes. Em publicação feita no X (antigo Twitter) nesta segunda-feira (1º), Eduardo Bolsonaro reforçou que André Fernandes "não poderia ser criticado por obedecer ao líder". 

Ele chamou o comentário feito por Michele Bolsonaro de "injusto e desrespeitoso" com o cearense. "Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mal acordo, foi uma posição definida pelo meu pai", disse. 

Carlos Bolsonaro seguiu a linha do irmão. Também no X, o vereador falou que é necessário que haja respeito pela decisão feita por Jair Bolsonaro. "Temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças", reforçou. Apesar disso, o vereador afirmou que "é óbvio que tenho preferência pelo Girão e deixo isso bem claro". 
Foto: Fabiane de Paula.
Michelle Bolsonaro e André Fernandes tiveram escalada de tensão durante evento deste domingo (30).
Em entrevista ao colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, Flávio Bolsonaro disse que a fala da madrasta foi "autoritária e constrangedora". Para o primogênito de Bolsonaro, Michelle "atropelou o próprio presidente Bolsonaro". 

"O mecanismo será uma discussão interna feita por um grupo, do qual ela faz parte, e depois a decisão final será, sempre, de Jair Messias Bolsonaro. Michelle não é política e precisa entender que a forma de tomar uma decisão às vezes é mais importante do que a própria decisão", acrescentou. 

Entenda o caso
Durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão, Michelle Bolsonaro disse que André Fernandes e seus aliados no Estado “se precipitaram” no apoio a Ciro Gomes na disputa para o Governo do Ceará. "É sobre essa aliança que vocês se precipitaram de fazer. (...) Tenho orgulho de vocês. Mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá", disse. 

Em resposta, André Fernandes disse "eu só estou obedecendo Bolsonaro". Pessoas que estavam em volta do deputado pediram calma a ele. Depois, André seguiu sentando no palco acompanhando a fala de Michelle, mas de cabeça baixa e digitando no celular enquanto ela continuava.

Antes desse embate direto, Michelle já havia orquestrado fotografia que, disse ela, era para registrar "todos os líderes que apoiam a candidatura do nosso Girão". "Nós, como eleitores, iremos fiscalizar os nossos parlamentares se em 2026 eles derem um voto contrário", completou. 

André Fernandes foi chamado nominalmente por Michele Bolsonaro para estar ao lado de Eduardo Girão na foto. Além dele, ela convocou Alcides Fernandes, pai de André e deputado estadual, e o Dr. Jaziel, deputado federal.

Veja vídeo:

Ainda no local do lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão, André Fernandes concedeu uma coletiva de imprensa para rebater as declarações de Michelle Bolsonaro. A entrevista aconteceu após o fim do evento, quando a ex-primeira-dama já estava a caminho do aeroporto. Ele explicou que as articulações feitas foram alinhadas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que isso estava sendo mantido sob sigilo.

"Tinha um acordo com Bolsonaro de que em momento algum falaria sobre as reuniões internas, mas já que infelizmente a própria esposa do ex-presidente chega aqui e diz que fizemos uma movimentação errada", disse. 

Ele citou que, durante no dia 29 de maio, Bolsonaro participou de uma reunião com parlamentares do PL e ele próprio "pediu para ligar para o Ciro Gomes no viva-voz". "Estou tentando fazer essa construção para derrotar o PT, ter um grande cabo eleitoral no Ceará e ter um candidato de centro-direita", disse. "Se a esposa dele diz publicamente que a gente deu um passo errado, que foi precipitado, bom então é uma aliança precipitada do próprio marido dela", completou.

Diário do Nordeste

Gasto do SUS com ‘doenças do esgoto’ no CE financiaria 3 postos de saúde

Foto: Kid Júnior.
Pressionar a descarga do banheiro é apenas o início de um longo processo de tratamento do esgoto que é invisível para grande parte da população cearense. Contudo, praticamente metade do Estado ainda convive com a falta de saneamento básico e está sujeita a doenças – muitas vezes graves – relacionadas aos efluentes não tratados.

Para Brenda Rozendo, cientista ambiental e assessora técnica do Instituto Terre des Hommes (TdH Brasil), a combinação de um organismo naturalmente sensível e a maior exposição física a locais com esgoto a céu aberto, lixo ou água poluída faz com que as crianças liderem esses índices.

1,4 mil 
piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são despejadas diariamente no meio ambiente do Nordeste. Para o Trata Brasil, o cenário se justifica pela precariedade da infraestrutura básica na região.
“As crianças vão ter esse contato muito mais próximo porque não têm o mesmo cuidado que uma pessoa adulta em ambientes que estão sujos. Até essas crianças atingirem certa imunidade, elas vão ficar doentes”, entende.

O cenário não é incomum para Mário França, 23 anos, morador do Vicente Pinzón, em Fortaleza. O território é cortado pelo Riacho Maceió, um antigo recurso hídrico da capital que desemboca na Avenida Beira-Mar. Contudo, até chegar lá, atravessa um longo percurso recebendo lixo e água suja e contaminada.

“Ocorre muito: as crianças entram no esgoto, tomam banho, pegam peixe. Elas vêm no período da tarde, quando está menos quente”, confessa o articulador comunitário.

De fato, os jovens são os mais afetados pelas “doenças do esgoto” no Ceará: em 2024, houve 5.187 internações de pessoas de até 4 anos por essa causa, além de 1.825 de 5 a 9 anos e 1.049 de 10 a 19 anos. Ou seja, quase 70% das vítimas eram crianças ou adolescentes em idade escolar, segundo estudo técnico do Instituto Trata Brasil.

No ano inteiro, o Ceará registrou 12,2 mil internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado (DRSAI). Em apenas um ano, foram gastos R$5,14 milhões para tratar os pacientes afetados, o suficiente para construir três postos de saúde de perfil compacto.

A redução das internações por DRSAI aliviaria o sistema de saúde, permitindo que recursos fossem redirecionados para outras áreas. Além disso, melhorias no saneamento básico têm impactos positivos na educação, na produtividade e na qualidade de vida geral da população.

Instituto Trata Brasil
Em estudo de 2025

A estimativa do Diário do Nordeste se baseia em custos de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) Tipo I em contratos ou financiamentos do Ministério da Saúde (MS), que variam de R$ 1,3 milhão a R$ 2 milhões, dependendo de fatores locais como valor do terreno, equipamentos e obras complementares.

No caso do Ceará, o estudo revelou ainda que 84% das internações no Sistema Único de Saúde (SUS) são causadas por doenças de transmissão feco-oral, principalmente infecções intestinais. Ou seja, a maioria poderia ser evitada com medidas básicas de saneamento. 

Motivo das internações no Ceará
Doenças como diarreia e infecções intestinais lideram em disparada

Transmitidas por inseto vetor14,2%
Transmitidas por inseto vetor14,2%
Transmissão feco-oral84,1%
Transmissão feco-oral84,1%

Fonte: Instituto Trata Brasil.

Por isso, a universalização do acesso à coleta e ao tratamento de esgoto e da distribuição de água tratada poderia reduzir os custos com saúde em R$69 milhões por ano, no Ceará. A economia chegaria a R$1,2 bilhão até 2040, pela redução de despesas tanto com internações quanto com o pagamento de profissionais doentes afastados.

Infância é mais afetada
Além da atividade laboral, a educação de crianças e jovens também pode ser prejudicada. Mais de 1 milhão de cearenses de 0 a 19 anos vivem em domicílios sem esgotamento sanitário adequado, o equivalente a 42% dessa população, conforme o Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento ainda mostra que, dos jovens não atendidos pela rede, 86% utilizam fossa rudimentar ou buraco. 

Isso traz reflexos na frequência e no atraso escolar. Afinal, aponta o Trata Brasil, quanto mais os estudantes ficam adoecidos, menos tempo têm no ambiente escolar. O Instituto avaliou que a carência afeta até o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): a nota média de jovens sem banheiro em casa é de 20% a 30% menor.

Internações por "doenças do esgoto"
Nordeste é a segunda região com mais casos.
Fonte: DATASUS, Ministério da Saúde e IBGE/Instituto Trata Brasil.

Essa é uma das maiores preocupações de Mário França, do início dessa reportagem. Ele é membro da Rede Ambiental de Valorização de Ecossistemas em Restauração (Reaver), criada em 2024 para mobilizar a juventude na luta pela preservação ambiental.

Para ele, a falta de saneamento básico no Grande Mucuripe se atrela ao racismo ambiental – conceito que aponta espaços ocupados por pessoas de baixa renda como áreas de maior vulnerabilidade à degradação. 

Um diagnóstico da própria Prefeitura de Fortaleza, de fevereiro deste ano, identificou que o Riacho Maceió recebe “fontes de poluição com descarga irregular de efluentes decorrentes da existência de vazios de coleta de esgotos”.

As crianças que vivem na casa de Cláudio Rodrigues, morador da região desde que nasceu, há 48 anos, já adoeceram por causa do canal poluído. Mas não só elas: “doença aqui não falta, não”, lamenta ele. Além do mau cheiro permanente, a proliferação de mosquitos e moscas é intensa na área e aumenta no período chuvoso.

“Antigamente, quando tinha uns 12 anos, eu tomava banho, bebia era a água dele. Era bem limpinho, você via o chão”, lembra. “Hoje, tem prédio e casas que botam esgoto direto na corrente, tem vários canos jogados para o canal. Cai de tudo aí”, diz, olhando para o córrego cheio de plásticos e entulho.
Foto: Kid Júnior.
Riacho Maceió, que desemboca na turística Avenida Beira-Mar, tem caminho de despejos inadequados.
Em outro ponto do Vicente Pinzón, na Rua Professor Luiz Costa, o acúmulo de esgoto acontece no meio da via, escorrendo de áreas mais altas do Morro Santa Terezinha. A dona de casa Jeane Silva, que mora em frente às poças escuras e mal-cheirosas, conta que o material invade sua residência quando chove.

“Minha sogra tem Alzheimer. Às vezes, ela quer ficar aqui fora, mas ninguém aguenta por causa da catinga. É insuportável”, afirma na varanda em frente a um mercadinho com várias frutas e verduras expostas. Ela mesma não entende o problema, já que as casas são ligadas à rede e pagam pela coleta de esgoto.

Segundo o diagnóstico do Riacho Maceió, além de melhorias no parque, a Prefeitura de Fortaleza e a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) “estão investindo em obras de esgotamento sanitário em 18 ruas da região, beneficiando 637 residências e cerca de 2.230 moradores, contribuindo para a qualidade de vida e infraestrutura urbana”.

Diagnóstico para toda a comunidade
As “doenças do esgoto” também podem ser fatais: 30 crianças e adolescentes cearenses faleceram por DRSAI, em 2024. Porém, é a outra ponta da vida que mais morre: das 391 vítimas registradas no ano, 300 eram pessoas com mais de 60 anos. Conforme o Trata Brasil, “crianças e idosos são mais frágeis e relativamente mais susceptíveis”.

Esse olhar para populações vulneráveis é uma recomendação de João Menescal, vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental no Ceará (Abes-CE). Ele destaca que o esgotamento sanitário é relevante para a preservação ambiental e a saúde pública ao evitar a contaminação de corpos hídricos. 

“Muitas vezes, o esgoto é lançado inadequadamente nas ruas ou na rede de drenagem, onde deveria passar somente água da chuva. Você leva esse esgoto bruto sem tratamento para os rios e mares e isso provoca um problema ambiental. Essa é a importância do esgoto: afastar da população os contaminantes que podem trazer malefícios para a saúde”, explica.
Foto: Kid Júnior.
Esgoto corre a céu aberto em rua do Vicente Pinzón, mesmo com moradores pagando taxa de coleta.
Por isso, investigar as condições de saneamento é preponderante para a saúde coletiva. Um caso emblemático ocorreu em setembro de 2024, quando uma criança de apenas um ano, moradora de um assentamento rural de Caucaia, faleceu por meningoencefalite amebiana, doença apelidada de “comedora de cérebro” por destruir tecidos cerebrais. 

Além da confirmação da ameba Naegleria fowleri no organismo da menina, análises também a encontraram numa amostra de água da localidade. A contaminação da criança, possivelmente, ocorreu pelo contato de água não tratada com suas narinas durante o banho ou lavagem do rosto, segundo a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). 

O secretário executivo de Vigilância em Saúde, Antonio Silva Lima Neto (Tanta), lembra que, a partir daí, foram instalados sistemas de cloração e filtragem da água da comunidade para prevenir novas ocorrências, já que a ameba habita naturalmente ambientes aquáticos e terrestres e representa risco em áreas com deficiências no saneamento básico.

Segundo o gestor, a inadequação do saneamento é um fator direto para a prevalência e transmissão de doenças por meio de coliformes fecais e rotavírus, por exemplo. Mosquitos vetores também “prevalecem onde você não tem saneamento adequado".

Para Tanta, a atenção ao esgotamento sanitário é uma atividade de vigilância ativa, que requer interlocução direta com a Cagece para garantir a qualidade da água, combatendo assim doenças de veiculação hídrica e vetorial.

90%
de acesso ao esgotamento, até 2033, é a meta do Marco Legal do Saneamento.
Indagada sobre como ajuda a monitorar a saúde da população, a Cagece afirmou que, antes da implantação de redes de esgotamento sanitário, são realizados levantamentos técnicos e diagnósticos que orientam o planejamento das obras. 

“O impacto da ampliação da coleta e tratamento de esgoto pode ser observado diretamente na redução dos lançamentos clandestinos, contribuindo para a despoluição dos recursos hídricos e preservando a água dos mananciais para consumo humano”, ressalta.

Já no tocante à água distribuída, a Companhia ressaltou que avalia “rigorosamente” a qualidade da água tratada, “cumprindo integralmente” parâmetros do Ministério da Saúde.

Hoje, a Cagece mantém um Laboratório Central em Fortaleza, nove Laboratórios Regionais e 200 Laboratórios Operacionais localizados nas Estações de Tratamento de Água (ETAs). Ao todo, eles realizam quase 48 mil análises mensais para assegurar a qualidade da água distribuída no Estado.
Foto: Saulo Roberto/Camila Lima.
Em Fortaleza, cerca de 27% dos domicílios ainda não estão ligados à rede de esgoto.
Metas para melhoria
Um dos principais passos para tentar reduzir esses problemas foi o início da maior Parceria Público-Privada (PPP) de esgotamento do Brasil, entre a Cagece e a Ambiental Ceará. O plano envolve 24 municípios das regiões metropolitanas de Fortaleza e do Cariri, devendo chegar a 4,3 milhões de cearenses.

Investimentos de R$6,2 bilhões devem permitir que, até 2040, 95% da população atendida pela Ambiental Ceará tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. Atualmente, segundo a Cagece, o índice de cobertura dos serviços de esgotamento sanitário no Ceará é de 50,36%, enquanto em Fortaleza alcança 73,04%.

PPP de esgotamento sanitário no Ceará
Onde falta rede, população usa fossas, buracos e despeja até rejeitos em corpos d'água.
Fonte: Censo Demográfico 2022/IBGE

É necessário um trabalho social para que a população entenda a importância daquela ligação e veja que o custo que ela vai ter a mais, na realidade, é um benefício que está trazendo pro meio ambiente e pros seus vizinhos.
João Menescal
Vice-presidente da Abes-CE
Somente em 2024, a empresa implantou 215 km de novas redes, permitindo que mais de 129 mil imóveis sejam ligados ao serviço. Já em 2025, devem ser instalados mais 327 km, totalizando mais 56 mil imóveis com infraestrutura disponível para ligação à rede.

Para João Menescal, da Abes-CE, a PPP é benéfica no contexto cearense porque o modelo permite e autoriza a Ambiental a ter uma maior celeridade na execução das obras e uma captação de recursos mais ágil, superando a necessidade da Cagece de licitar e elaborar individualmente os projetos de cada empreendimento.

O especialista lembra que a expansão da rede de esgoto é mais complexa do que a de água tratada devido à natureza gravitacional do sistema, exigindo um planejamento sofisticado que considere o relevo, o subsolo e a geografia local.

Fiscalização atuante
Embora Fortaleza tenha 73% de cobertura de rede de esgoto, o índice de atendimento real, que considera apenas os imóveis já conectados, é de 65,89%. Segundo a Cagece, mais de 34 mil imóveis na Capital já têm rede de esgotamento sanitário disponível, mas ainda não são interligadas. 

A empresa lembra que ligar as residências à caixa de ligação de esgoto instalada nas calçadas é uma obrigação legal, e o descumprimento pode acarretar multa do órgão fiscalizador municipal – no caso, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis).

Quando se fala em desenvolvimento, se fala também em saneamento básico. A devida conexão ao sistema de esgoto gera impacto positivo na saúde, com a redução de doenças e proliferação de mosquitos, na valorização dos imóveis e no desenvolvimento das áreas atendidas pelos serviços.

Sâmia Régia
Coordenadora de Interação Social da Cagece.

Além disso, a falta de ligações gera impacto financeiro negativo: só na capital, R$3 milhões deixam de ser arrecadados mensalmente. O valor, diz a Cagece, poderia ser investido em novas melhorias no saneamento da cidade.

Com ações em formato de blitz, a Cagece e a Ambiental Ceará percorrem diversos bairros, incentivando os moradores a se interligarem à rede de coleta e tratamento de esgoto. O Ministério Público do Ceará (MPCE) também acompanha as atividades por meio do Programa Esgotamento Legal, que visa à universalização do saneamento básico no Estado. 

A Cagece informou que o projeto-piloto do Esgotamento Legal segue em execução, abrangendo inicialmente os municípios de Aracati, Itarema, Marco, Tianguá, Horizonte e Maranguape. Por meio da sensibilização, até o início de novembro, foram realizadas 1.649 novas interligações à rede.  

Diário do Nordeste

Monstro m4ta filho de 3 anos a golpes de canivete e asfixia

Uma criança de 3 anos foi assassinada pela própria mãe na madrugada do último domingo (30/11), no centro da cidade de Icém, interior de São Paulo. Gustavo Amadeu Azevedo Silva estava dormindo quando foi atacado dentro de casa.

De acordo com a Polícia Militar, ao portal Metrópoles, a mãe, de 26 anos, utilizou um canivete para golpear o menino diversas vezes e também teria provocado asfixia. O objeto usado no crime foi encontrado no local, ao lado da criança

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a mulher foi presa em flagrante logo após o crime e permanece à disposição da Justiça. O caso foi registrado na Delegacia de Nova Granada, e o corpo da criança foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame necroscópico.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias da tragédia. O crime chocou a comunidade local e gerou grande comoção entre os moradores, que lamentam profundamente a perda do menino.