segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Careca do INSS prepara delação contra filho de Lula

O operador do esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, prepara uma proposta de delação premiada. Ele está preso desde 12 de setembro de 2025. Nas últimas semanas, Careca reuniu advogados para formalizar uma proposta de delação.

Segundo apurou a coluna do Metrópoles, a intenção de Antunes em colaborar com as autoridades teria crescido após familiares se tornarem alvo das investigações, sobretudo depois da prisão de seu filho, Romeu Carvalho Antunes, em dezembro do ano passado, acusado de atuar no esquema.

A CPMI do INSS também tem como foco Tânia Carvalho dos Santos, mulher de Antunes. Um requerimento para ouvir Tânia foi aprovado em 2025, mas a oitiva ainda não ocorreu, o que teria irritado o operador do esquema.

Fontes da investigação indicam que ele estaria disposto a detalhar negócios envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente Lula, com operações nas áreas de educação, saúde e no próprio esquema do INSS.

O relator das investigações é o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que também será responsável pelo caso do Banco Master.

Apesar da disposição de Antunes, os negociadores demonstram cautela quanto à possibilidade de uma delação ser aceita, lembrando precedentes como a recusa do MP à delação de Beto Louco no esquema de adulteração de combustíveis.

Negócios de Lulinha

De acordo com apurações, Lulinha reside em Madri, na Espanha, desde que as investigações avançaram. Ele teria sido contratado pelo Careca para atuar na empresa de cannabis medicinal World Cannabis, com operações nos Estados Unidos, Portugal e Brasil, auxiliando na articulação política do projeto.

Segundo colaboradores da PF, Lulinha teria recebido R$ 25 milhões de Antunes, além de uma mesada de R$ 300 mil. O projeto da empresa previa a produção de medicamentos à base de cannabis para venda ao SUS, sob o nome de Projeto Amazônia, e envolveu viagens internacionais custeadas pelo Careca.

Alcance da investigação

Uma eventual delação não atingiria apenas Lulinha. A PF também apura o envolvimento de autoridades com foro privilegiado, incluindo Weverton (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado.

A defesa de Careca do INSS, entretanto, nega que o cliente tenha intenção de propor delação premiada.

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