A construção de uma casa de madeira do zero avança em poucos dias em Santa Catarina, com pilotis de concreto enterrados entre 50 e 70 cm, vigas a cada 60 cm e telha de fibrocimento. O projeto do senhor Reginaldo, do canal Vivendo na Estrada, inclui banheiro 2 m por 1,35, impermeabilização e custo perto de R$ 18.000.
A casa de madeira do zero nasce de uma decisão simples e rara de ver tão detalhada: um pai, em Santa Catarina, resolve levantar uma moradia para tirar a filha do aluguel e encurtar o caminho até uma vida mais estável, com terreno já comprado e obra feita em ritmo direto, sem desperdício visível.
O que chama atenção não é só o resultado, mas o método. Pilotis, amarração com arame, escolha do espaçamento do assoalho, telhado de fibrocimento e um banheiro separado do “bruto” da casa, usando wood frame, drywall, impermeabilização e cerâmica, tudo pensado para ser rápido e resistente no vento do Sul.
A urgência por sair do aluguel e a lógica por trás do tamanho
A história começa com um objetivo bem específico: entregar uma casa pequena, funcional e de baixo custo para uma filha de 27 anos, com a promessa explícita de tirar o peso do aluguel.
O padrão é regional e assume uma escolha cultural do Sul: moradia compacta, com varanda como ideia recorrente, sem vender a ilusão de “casa grande”, e sem tratar simplicidade como fragilidade.
Aqui, a casa de madeira do zero não é símbolo de improviso, e sim de prioridade.
O foco fica em colocar a estrutura em pé e viabilizar conforto mínimo de forma rápida, deixando melhorias estéticas e upgrades para o futuro, como forro interno, dupla parede e isolamento com lã, caso a moradora queira.
Pilotis, nível e enterramento, onde a casa realmente começa
O primeiro capítulo técnico é a fundação elevada. Pilotis de concreto com 1 m de comprimento são fincados e nivelados para definir a altura do assoalho, com enterramento variando conforme o desnível do terreno.
Na prática, aparecem medidas de referência bem claras: mínimo de 50 cm, com pontos chegando perto de 65 a 70 cm.
Além de fincar, entra o que muita obra ignora: amarração. Os pilotis têm furação para passar arame grosso, criando travamento entre pilares e reduzindo a chance de deslocamento com vento e vibração.
É uma solução simples, mas que revela preocupação com estabilidade, especialmente num cenário em que o próprio construtor cita rajadas fortes e alerta de vento.
O assoalho como “coluna”, espaçamento, barriga da madeira e economia controlada
A base do piso segue um desenho matemático de repetição: a casa tem 3 m de largura, com um pilar central para deixar 1,5 m entre apoios.
No comprimento, aparecem 7,5 m, novamente marcados por módulos de 1,5 m. Em cima disso, o barrotesamento do assoalho ganha repetição menor: travessas a cada 60 cm, com a ressalva de que poderia ser 50 cm para maior rigidez, mas 60 cm entra como padrão aceitável para economizar sem perder a função.
O detalhe mais “de carpintaria” é a orientação da madeira: a barriga do caibro fica para cima, porque o peso da casa tende a baixar e retificar o conjunto.
É o tipo de escolha que não aparece em projeto bonito, mas decide se o piso vai “reclinar” ou ficar firme. Nessa casa de madeira do zero, a economia existe, mas não vira atalho cego, ela é sempre confrontada com o que pode dar problema depois.
Caibro de pinos tratado em autoclave e o telhado que precisa aguentar
A estrutura usa caibro de pinos tratado em autoclave, com seção citada entre 4,5 por 9 e 5 por 10, descrito como proteção contra apodrecimento e cupim, com garantia mencionada de 25 anos.
O argumento do construtor é direto: como esse conjunto fica sob o assoalho, sem pegar chuva, a chance de vida útil maior aumenta.
No topo, a escolha por telha de fibrocimento também conversa com o mesmo raciocínio: peso conhecido, montagem rápida e compatibilidade com um sistema em que as tábuas das paredes entram como parte estrutural, não só fechamento.
A casa de madeira do zero aqui não depende de “milagre do material”, ela depende de caminho de carga bem distribuído, jogando o peso do telhado para paredes e destas para pilares.
Janelas simples, ventilação cruzada e decisões guiadas por sol e vento
As aberturas são assumidamente simples, inclusive com janela feita na própria madeira, sem vidro, para ventilação, com a previsão de que depois a moradora troque por soluções melhores.
Isso não é descaso, é cronograma: primeiro entra ar, luz e uso, depois entra acabamento. A posição da porta e das janelas nasce de leitura de terreno: sol de tarde numa face, vento vindo do mar a cerca de 10 km na outra, e o desejo de ventilação cruzada.
O desenho interno também aparece com medidas concretas: sala e cozinha conjugadas 3 por 3, quarto 3 por 3, e o banheiro no meio como divisor.
Nessa casa de madeira do zero, até a ausência de janela em uma parede tem justificativa prática, evitar ganho de calor do sol da tarde no verão e organizar a circulação de ar nas aberturas opostas.
O banheiro como “obra dentro da obra”, wood frame, drywall e cerâmica
O banheiro é tratado como a parte mais chata e lenta, e por isso recebe um sistema diferente. Entra um wood frame descrito como mais robusto, montado no chão e levantado depois, por falta de pregadeira, com bloqueadores e contraventamento para travar a casa contra vento.
Por dentro, drywall resistente à umidade, com a ressalva essencial: resistente não é à prova d’água, então a impermeabilização vira etapa obrigatória.
No piso, aparece a chapa cimentícia de 8 mm parafusada sobre o assoalho, e em cima dela a cerâmica.
A impermeabilização é feita com argamassa polimérica bicomponente, aplicada em demãos, reforçada com tela de fibra de vidro nos cantos e subindo na parede até uma altura de referência antes de receber revestimento.
Esse é o trecho em que a casa de madeira do zero deixa de ser “rápida” e vira “técnica”, porque é no banheiro que madeira e água entram em conflito.
Tempo de obra, custo de material e onde o dinheiro realmente some
A obra avança em etapas curtas, com marcos bem definidos: estrutura levantada em poucos dias, forro, portas e janelas consumindo dias próprios, e banheiro exigindo sequência de elétrica, hidráulica, placa, impermeabilização e revestimento.
No fechamento, aparece uma estimativa de cerca de 12 dias de obra, com vários momentos em que o construtor trabalha sozinho ou com ajuda pontual.
No dinheiro, o recorte é honesto: cerca de R$ 18.000 em material para casa com banheiro pronto, explicitando que não há custo de mão de obra na conta.
A cerâmica é terceirizada por preferência, com preço citado de R$ 25 por m², justamente para evitar estresse e garantir acabamento.
A leitura final é direta: a casa de madeira do zero é competitiva pela velocidade, não necessariamente por ser “baratíssima”, ainda mais com madeira ficando mais cara.
No fim, a entrega não é só uma casa. É uma estratégia familiar para cortar o aluguel e estabilizar a vida de alguém jovem, usando um sistema regional que combina pilotis, carpintaria repetitiva, telhado leve e um banheiro híbrido que tenta levar o padrão do wood frame para dentro de uma obra simples.
Agora quero te puxar para o concreto: se você fosse fazer uma casa de madeira do zero na sua região, o que te travaria primeiro, vento e travamento estrutural, impermeabilização do banheiro ou custo da madeira, e por quê, com o terreno e a mão de obra já resolvidos?
Escrito por - Bruno Teles