Fotos: Redes Sociais/Reprodução
Negócio foi fechado antes da crise do Banco Master e amplia questionamentos sobre movimentações patrimoniais
Negócio foi fechado antes da crise do Banco Master e amplia questionamentos sobre movimentações patrimoniais
Nesta sexta-feira (20) foi divulgado que uma offshore vinculada ao empresário Ricardo Faria, conhecido como “rei do ovo”, comprou por cerca de R$ 50 milhões um triplex que pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo, em fevereiro de 2026, poucos dias antes do agravamento da crise do Banco Master, instituição comandada por Vorcaro. A transação chama atenção porque ocorreu em meio a dificuldades financeiras do banco e levanta dúvidas sobre o contexto e o timing do negócio.
Negócio fechado antes da crise
Primeiro, a operação envolveu um imóvel de alto padrão, com cerca de 900 metros quadrados, localizado em uma das áreas mais valorizadas da capital paulista. Além disso, a compra foi realizada por meio de uma empresa offshore registrada no exterior, estrutura comum em negócios internacionais, mas que costuma gerar questionamentos quando aparece em meio a crises financeiras.
Segundo registros imobiliários, Vorcaro havia adquirido o imóvel anos antes por valor inferior. Agora, a venda ocorreu por aproximadamente R$ 50 milhões. Portanto, houve valorização significativa do bem. Ao mesmo tempo, o Banco Master enfrentava pressões de mercado e questionamentos sobre sua saúde financeira.
Estrutura societária e silêncio das partes
A offshore que comprou o imóvel está ligada a empresas que orbitam o grupo empresarial de Ricardo Faria. No entanto, até o momento, o empresário não comentou publicamente a operação. Da mesma forma, a defesa de Vorcaro também não detalhou as circunstâncias da venda.
Embora não haja, até agora, decisão judicial que aponte irregularidade no negócio, o fato de a venda ter ocorrido pouco antes da escalada da crise do banco aumenta o interesse de autoridades e do mercado. Em situações assim, analistas costumam observar se houve tentativa de reorganização patrimonial ou simples estratégia empresarial.
Contexto do Banco Master
Enquanto o imóvel era negociado, o Banco Master já enfrentava dificuldades. A instituição vinha operando com captações agressivas no mercado e maior exposição a ativos considerados de risco. Assim, investidores passaram a monitorar o banco com mais cautela.
Com o avanço da crise, surgiram relatos de movimentações envolvendo bens e participações societárias ligadas a Vorcaro. Nesse cenário, a venda do triplex ganhou relevância e passou a integrar o conjunto de operações analisadas sob o prisma da transparência e da governança.
Transparência e impacto
Especialistas em mercado financeiro afirmam que negócios imobiliários de alto valor, quando realizados às vésperas de turbulências, inevitavelmente despertam suspeitas, mesmo que estejam formalmente corretos. Por isso, as autoridades costumam examinar a origem dos recursos, a estrutura das empresas envolvidas e o fluxo financeiro da operação.
Em síntese, a compra do triplex por uma offshore ligada a um dos maiores empresários do setor de proteína animal do país se insere em um contexto delicado. O mercado aguarda esclarecimentos. Investidores querem previsibilidade. E o caso reforça a importância de transparência em operações de grande porte, especialmente quando envolvem personagens centrais de uma crise bancária.